Maddie McGarvey/The New York Times
Maddie McGarvey/The New York Times
Gretchen Reynolds, NYT LifeStyle

18 de dezembro de 2021 | 05h00

Receber uma pequena recompensa monetária no momento certo pode exercer um grande papel na hora de nos motivar a praticar exercícios físicos, de acordo com um novo estudo inovador e em grande escala sobre como estimular as pessoas a frequentarem uma academia.

O estudo, publicado na Nature, envolveu 61.293 membros de academias de ginástica americanas, 30 cientistas proeminentes que trabalham em 15 universidades e mais de 50 programas motivacionais diferentes. Além das recompensas, os incentivos variaram de um audiolivro gratuito para uso na academia a instruções animadoras de pesquisadores para que os exercícios fossem vistos como diversão. Enquanto alguns dos programas estimularam visitas adicionais a academias, outros, incluindo alguns que os cientistas realmente esperavam inspirar uma prática maior de exercícios, não o fizeram.

As descobertas do estudo, positivas ou não, oferecem percepções oportunas sobre como podemos nos motivar mais para manter nossas resoluções de ano novo referentes à prática de exercícios. Mas tão importante quanto, o estudo, em sua ambição, escopo e estrutura, tem o objetivo de servir como um roteiro para futuras investigações sobre os mistérios do comportamento humano e por que tantos de nós agimos como agimos e às vezes, apesar de nossas melhores intenções , continuamos pulando a próxima aula de spinning.

Estudos subjetivos

A ciência do comportamento humano, incluindo se e por que fazemos exercícios, pode ser incerta e repleta de obstáculos para pesquisas. Muitos estudos anteriores examinaram como criar hábitos, por exemplo, inspirar confiança ou seguir uma rotina de exercícios. Mas a grande parte desses estudos foi em pequena escala ou homogênea, recrutando apenas pessoas brancas ricas e bem-educadas, ou saudáveis, jovens estudantes universitários, ou apenas homens ou apenas mulheres.

Esses estudos também usaram uma ampla gama de métodos para rastrear mudanças de comportamento, tornando difícil comparar os dados de um estudo com outro. Além disso, muitos se basearam em medidas subjetivas, como perguntar às pessoas como se sentem durante e após um estudo, um tópico sobre o qual podemos ser, intencionalmente ou não, indignos de confiança. O resultado tem sido uma crise de replicação na ciência do comportamento, com pesquisadores incapazes de repetir as descobertas de muitos estudos anteriores, colocando em dúvida os resultados originais.

Essas questões naturalmente preocupavam Katy Milkman, professora da Wharton School na Universidade da Pensilvânia e autora do livro de 2021  How to Change e sua colega Angela Duckworth, também professora da Wharton e autora do best-seller Grit, de 2016. Entre as principais cientistas comportamentais em atividade hoje, elas estavam convencidas de que seu campo poderia e deveria se tornar mais rigoroso cientificamente, o que as levou a começar a trabalhar com a noção de megaestudos.

Um megaestudo, de acordo com sua definição do conceito, seria em grande escala, envolvendo milhares de participantes, e não as dezenas comumente usadas em pesquisas comportamentais. Também exporia aleatoriamente grandes grupos de voluntários a uma série de modificações de comportamento ou outras intervenções, empregando medidas objetivas para avaliar se uma intervenção realmente funcionou.

Essas ideias levaram a equipe de pesquisa para a rede 24 Hour Fitness. Eles já haviam decidido que um de seus primeiros megaestudos se concentraria no comportamento referente a exercícios físicos, em parte porque é fácil medir aumentos ou diminuições nos treinos e visitas à academia, mas também porque incentivar as pessoas a se exercitarem mais pode alterar vidas, melhorando a saúde.

Parceria motivacional

Com sua rede nacional de centenas de academias, a 24 Hour Fitness ofereceu aos pesquisadores milhões de participantes em potencial para seu estudo massivo. Então eles convidaram dezenas de outros cientistas para proporem intervenções que eles sentiram que aumentaria a vontade das pessoas de treinar. Eles também criaram um programa chamado Step Up, que os membros da academia podiam ingressar, ganhando pontos de recompensa da Amazon no valor de cerca de US$ 1 assim que ingressassem. O Step Up prometia fornecer-lhes novas formas de se motivarem para malhar.

Mais de 61 mil membros ingressaram no Step Up, e depois os cientistas os dividiram em 53 grupos. Um grupo, que serviu de controle, não mudou nada em suas vidas ou no tempo de treino. Os outros receberam um pacote básico de ajuda motivacional que incluía conselhos para planejar o dia e hora exatos de cada treino, um lembrete por mensagem de texto da equipe de pesquisa sobre esses planos e uma recompensa minúscula se eles realmente treinassem, no valor de cerca de 22 centavos em pontos de recompensa.

Essas apostas podem ser a chave para aumentar a motivação, os pesquisadores sentiram, e serviriam como um teste básico para saber se o estudo estava inspirando as pessoas a se exercitarem mais.

Além desse pacote básico de textos de lembretes e pequenas recompensas, os pesquisadores então designaram aleatoriamente os membros da academia que não estavam no grupo de controle para um dos 52 diferentes programas motivacionais desenvolvidos pelos pesquisadores. Em um, por exemplo, os membros ganharam pontos de recompensa no valor de cerca de US$ 1,75 a cada vez que iam à academia; em outros, eles compartilharam seus treinos com amigos nas redes sociais, assinaram um compromisso de preparação física para comparecer regularmente ou concordaram em refletir após cada treino sobre como isso os impactou. Cada grupo incluiu pelo menos 455 participantes. Cada intervenção durou um mês.

Antes e durante aquele mês, os pesquisadores rastrearam a frequência com que as pessoas iam à academia. Eles também perguntaram a especialistas externos em exercícios e comportamento quais intervenções eles esperavam que seriam mais bem-sucedidas.

Resultados surpreendentes

Os resultados surpreenderam quase todos. Duckworth, por exemplo, me disse que achava que encorajar as pessoas a verem os treinos como diversão as levaria à academia com mais frequência, mas esse grupo mostrou apenas um aumento minúsculo nas visitas à academia. (Quase todos nos grupos de intervenção treinaram com um pouco mais de frequência do que as pessoas no grupo de controle.)

A intervenção de maior sucesso, porém, foi dar às pessoas o equivalente a 9 centavos de recompensa se elas retornassem à academia depois de perderem um treino planejado. Esse programa aumentou as visitas à academia em cerca de 16%, em comparação com o pacote básico de planejamento e lembretes de texto. Quase tão eficaz foi simplesmente dar às pessoas uma recompensa maior, no valor de US$ 1,75, cada vez que treinassem. Isso aumentou os exercícios em cerca de 14% em comparação com o pacote de base. 

Tenha em mente

Acima de tudo, os resultados sugerem que, se quisermos praticar exercícios regularmente em 2022, devemos, em geral:

  • Fazer um cronograma de treino razoável.
  • Programar lembretes desse cronograma em nossos telefones ou com um cônjuge ou companheiro de treino que nos alerte.
  • Encontrar pequenas maneiras de nos recompensar quando nos exercitamos conforme planejado. (Coloque um real em uma tigela para cada treino, por exemplo, e deixe a quantia aumentar.)

TRADUÇÃO LÍVIA BUELONI GONÇALVES

Tudo o que sabemos sobre:
exercício físicopesquisa médica

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.