Michelle V. Agins para The New York Times
Michelle V. Agins para The New York Times

Pequenos museus revelam detalhes da história de NY

Quem viaja à 'Cidade que Nunca Dorme' pode fazer descobertas impressionantes ao fugir dos destinos turísticos

Laurel Graeber, The New York Times

17 de abril de 2019 | 06h00

Além de seus museus mais famosos, Nova York têm locais menos conhecidos, porém mais acessíveis. Fora dos endereços mais frequentados, discretas, pequenas, e às vezes as três coisas juntas, essas instituições podem oferecer uma visão mais detalhada ou específica de um período ou de uma coleção inusitada. Conheça cinco que valem a pena explorar.

City Reliquary

Dave Herman especializou-se em colecionar o que os outros jogam fora: fichas de metrô, cartazes, blocos de construção, garrafas de seltz, pesos para segurar portas. Ele tem até mesmo "animais silvestres" urbanos - o esqueleto de uma ratazana e um pombo empalhado. Estes fragmentos da história da cidade fazem parte do City Reliquary, que ele fundou em 2002 em sua janela do apartamento e que agora ocupa a vitrine de uma loja no Brooklyn.

"Ele foi inspirado por aquilo que eu aprecio e considero como marcos anônimos, lugares que têm um significado histórico, mas frequentemente passam despercebidos", contou Herman. Seu objeto mais impressionante é um caixão no formato do Empire State Building que a autora Sarah Murray encomendou ao artista ganense Eric Kpakpo Adotey.

 

Museu Fraunces Tavern 

Há mais de 200 anos, a Fraunces Tavern ajudou a alimentar uma revolução com sua cozinha. Atualmente um museu dedicado à América Revolucionária, este edifício de 1719 ainda tem um restaurante em plena atividade.

"Samuel Fraunces foi o pioneiro de algumas das primeiras refeições para levar de Nova York", disse a diretora do museu, Jacqueline Masseo, referindo-se ao proprietário da época colonial. "E ele se tornou o mordomo de George Washington".

Entre os objetos que pertenceram ao ex-presidente no museu está uma mecha de seus cabelos, um fragmento de um dente e um sapato gasto de Martha Washington. No seu Long Room, Washington se despediu de seus oficiais no dia 4 de dezembro de 1783 (o museu encena este episódio todos os anos). Aqui foi instalada uma nova grade com um botão que os visitantes podem apertar para ouvir os seus discursos.

Dois quadros ilustram os feitos de Mary Ludwig Hayes, também conhecida como Molly Pitcher, que levou água às tropas na Batalha de Monmouth, em 1778, e assumiu o controle de um canhão depois de ver o canhoneiro, seu marido, cair atingido por um tiro.

 

Morris-Jumel Mansion

Este é outro edifício que seduziu George Washington. A mansão foi construída em 1765 por Roger Morris, um Tory que fugiu depois do início da Revolução. Como ela oferecia vistas panorâmicas da cidade, em 1776 Washington logo decretou que seria seu quartel-general. 

Entretanto, a maior parte da mobília reflete o estilo Império francês, preferido por uma abastada ocupante posterior, Eliza Jumel (1775-1865), que se casou com Aaron Burr em 1833. Embora ela tenha pedido o divórcio menos de um ano mis tarde, a mansão Morris-Jumel tem um quarto com uma escrivaninha e outras peças de mobília que pertenceram a Burr, o vice-presidente de Thomas Jefferson, que matou Alexander Hamilton em um duelo. E é por isso que Lin-Manuel Miranda, criador de Hamilton, entra na história.

"Ele se sentava naquela cadeira e ali escreveu pelo menos duas canções do musical", disse o consultor do museu, James W. Tottis, apontando para uma cópia despretensiosa com o estofado listrado. Miranda inclusive tuitou uma foto de si mesmo sentado na cadeira.

 

A casa de campo de Edgar Allan Poe

Um corvo empalhado em um gabinete de vidro cria uma atmosfera especial nesta pequena morada do início do século 19, que Poe alugou em seus últimos anos de vida.

Poe se mudou para o lugar, inicialmente uma área rural, no Bronx em 1846, com a jovem esposa, Virginia, sua sogra, Maria Clemm, e o gato da família, Catterina. Ele esperava que o ar do campo curasse a tuberculose da esposa, mas ela sobreviveu apenas seis meses. Em um quarto está a cama onde Virginia morreu.

Coordenadora de educação do museu, Vivian E. Davis disse que Poe escreveu aqui Annabel Lee e o poema "The Bells" (mas não O Corvo).

 

Sandy Ground Historical Society Museum

O objeto mais tocante aqui é o recibo da venda de uma escrava. "A nota é referente a uma garota de 13 anos, chamada Nan, que foi vendida neste exato lugar em Staten Island", disse Sylvia Moody D’Alessandro, diretora-executiva da sociedade histórica. O museu preserva também a área como uma das mais antigas comunidades de negros livres da nação, continuamente habitada, criada não muito depois que o Estado aboliu a escravidão, em 1827.

Uma de suas exposições, "Faces of the Underground Railroad" mostra quadrados de colchas feitas à mão que retratam figuras como Frederick Douglass e Harriet Tubman.

Sylvia estimula as crianças a desenhar um rosto histórico numa maçaneta de porta para levar para casa. E explica: "A pessoa retratada na sua maçaneta ajudou a abrir a porta para outra pessoa ganhar a liberdade". / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

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