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Hanna Barczyk
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Perdeu a concentração? A causa pode estar no ar que você respira

Quando se trata de tomar decisões, o ar interno de uma sala pode ser mais importante do que percebemos

Veronique Greenwood, The New York Times

20 de maio de 2019 | 06h00

Passamos duas horas fechados em um pequeno cômodo, criando um plano com os colegas. Ao sair, percebemos que o ambiente estava mais quente e abafado do que no restante do escritório. Salas pequenas podem levar ao acúmulo de calor e dióxido de carbono a partir da nossa respiração, além de outras substâncias.

Vários estudos indicam que embora os tipos de poluição aérea que causam câncer e asma ainda sejam preocupações mais urgentes, pode haver também poluentes cujos efeitos prejudiciais são mais sentidos na consciência, e não no corpo. O isolamento dos edifícios é melhor hoje em dia, ajudando a reduzir a energia necessária para o controle de temperatura. Isso também facilitou o acúmulo de gases e outras substâncias liberadas pelos humanos e seus pertences no seu interior.

Níveis mais elevados de dióxido de carbono - algo acima de 1.200 partes por milhão (ppm), por exemplo - costumam indicar ventilação baixa. Substâncias preocupantes emitidas por móveis novos, equipamento de escritório e carpetes podem se acumular no ar. Enquanto outros poluentes internos podem estar ligados a problemas respiratórios e alguns tipos de câncer, o dióxido de carbono em si costuma ser considerado inofensivo nessas concentrações.

Mas os pesquisadores descobriram que a inalação de dióxido de carbono em concentrações muito mais elevadas do que o esperado em um ambiente de trabalho dilata os vasos do cérebro, reduz a atividade dos neurônios e a comunicação entre regiões do cérebro. Mas o efeito de concentrações menos extremas, como as que encontramos comumente nos ambientes internos, foram menos estudadas.

Cerca de 10 anos atrás, os pesquisadores expuseram candidatos a concentrações de apenas 600 ppm, relativamente baixa para um ambiente interno, e de até 2.500 ppm. Eles descobriram que, quanto maior a concentração de dióxido de carbono, piores os resultados dos candidatos nos exames; com 2.500 ppm, seu desempenho era em geral muito pior do que com 1.000 ppm.

Em 2016 outra equipe pediu aos candidatos que comparecessem para o mesmo teste enquanto expostos a diferentes concentrações de dióxido de carbono e compostos orgânicos voláteis encontrados nos edifícios de escritórios. Conforme a concentração de dióxido de carbono aumentava de 550 ppm para 945 ppm e até 1.400 ppm, os resultados dos candidatos pioraram substancialmente. “O que vimos foram impactos notáveis e bastante dramáticos na capacidade de tomar decisões, sendo que não fizemos nada além de ajustar a qualidade do ar no edifício", disse Joseph Allen, professor da Universidade Harvard que comandou o estudo.

Nem todos os estudos observam um efeito claro. Vários estudos usando testes de capacidade cognitiva mais simples, como revisão de texto, não apontaram uma diferença tão grande. Dois estudos usando um teste mais complexo, aplicado em tripulações de submarino e candidatos a astronautas, tampouco revelaram um elo.

Os estudos não mediram os níveis de estresse dos participantes nem mediram outras leituras que poderiam ajudar a explicar por que o dióxido de carbono só afeta a cognição em alguns casos. Sem um sensor especializado, é impossível saber quanto dióxido de carbono está se acumulando enquanto nos concentramos em uma longa reunião. Pode ser boa ideia deixar uma fresta na janela ou na porta sempre que possível. A entrada de ar fresco pode ajudar na fluência das ideias durante a reunião e impedir que o debate se torne estéril. / TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL

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