Judy Gallagher/Wikimedia Commons
Judy Gallagher/Wikimedia Commons

Estudo analisa impacto de furacões no comportamento de aranhas

Descobriu-se que aranhas mais agressivas conseguem sobreviver com maior probabilidade após passagem de uma tempestade

Kendra Pierre-louis, The New York Times

27 de agosto de 2019 | 06h00

A lista de coisas que aprendemos a temer em relação aos furacões - ventos fortes, marés gigantescas, ilhas flutuantes de formigas de fogo - um novo estudo publicado pela revista Nature Ecology and Evolution sugere que deveríamos acrescentar outra: as aranhas agressivas. O estudo, que pesquisou mais de 200 colônias em cerca de dez lugares diferentes na trilha dos furacões, descobriu que as aranhas mais agressivas conseguem sobreviver com maior probabilidade após a passagem da tempestade.

O Anelosimus studiosus é uma espécie de aranha que vive em colônias e é encontrada ao longo das costas do Golfo e do Atlântico no México e nos Estados Unidos. Elas são pequenas, com cerca de seis milímetros quando adultas, e os cientistas gostam de estudá-las porque as suas colônias apresentam dois comportamentos distintos.

Algumas colônias desta espécie são relativamente dóceis, com diversas mães que cuidam da prole, captam comida juntas e compartilham o trabalho necessário para a sobrevivência. Entretanto, outras colônias são mais combativas e apresentam uma maior proporção de fêmeas agressivas. “Estas fêmeas são especializadas em capturar a presa”, disse Jonathan N. Pruitt, professor adjunto do Departamento de Ecologia, Evolução e Biologia Marinha da Universidade da Califórnia, em Santa Bárbara, e um dos autores do estudo. “Elas são realmente excelentes defensoras da colônia da intrusão de outras espécies de aranhas”. E acrescentou: “Mas ao que parece, não conseguem desligar a própria agressividade. Por isso, às vezes, matam equivocadamente os seus filhotes ou equivocadamente aleijam um dos membros da própria colônia”.

A pesquisa de Pruitt sugere que as colônia de aranhas que matam as suas semelhantes se saem melhor depois de um furacão. Imediatamente após uma tempestade, a equipe não constatou nenhuma mudança significativa no comportamento de uma colônia. Mas quando os pesquisadores voltaram, meses mais tarde, muitas outras delas tinham se tornado mais agressivas. Os pesquisadores mediram a agressão colocando um pedacinho de papel  flutuando perto de uma teia de aranha e observaram quantas fêmeas apareceram para atacá-lo no espaço de dois minutos. “O estudo versava sobre as aranhas, mas as implicações vão muito além disso”, afirmou Matthew P. Ayres, professor de Ciências Biológicas do Dartmouth College de New Hampshire.

As aranhas não são os únicos animais que mostram este tipo de duplo comportamento em que alguns grupos são agressivos e outros mais dóceis. Acredita-se que a mudança climática deverá aumentar o impacto e a gravidade dos furacões, de modo que este efeito poderá estender-se a outros animais. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.