Universidade de Delaware
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Pesquisadores analisam a audição dos patos embaixo d'água

Estudo pretende criar dispositivo sonoro que impeça captura das aves

James Gorman, The New York Times

10 Setembro 2018 | 10h15

Não é fácil ajudar os patos. Perguntem a Kate McGrew, que faz mestrado sobre ecologia com animais selvagens na Universidade de Delaware;

Em duas temporadas, 2016 e 2017, ela passou meses criando e trabalhando com mais de 25 patos de três espécies diferentes, para determinar o que eles ouvem embaixo da água.

Não se tratava de uma investigação fútil. Os patos do mar, como os que ela treinou, mergulham para apanhar a sua presa nos oceanos do mundo inteiro e, frequentemente, são apanhados casualmente em redes de pesca e mortos. Christopher  Williams, o orientador de Kate, disse que, segundo uma estimativa, o número de patos mortos no mar chega a 400 mil ao ano, embora seja difícil formalizar estes dados.

Um problema semelhante ocorre de forma maciça com os mamíferos marinhos, como as baleias. Para esta finalidade, foram criados aparelhos acústicos que emitem ruídos metálicos para alertá-los a se afastarem do perigo. Uma tática semelhante talvez funcione com os patos em geral, mas, primeiramente, segundo Williams, faria mais sentido responder a uma pergunta que a ciência sequer se pôs a respeito dos patos que mergulham para se alimentar: “O que eles ouvem?”

“Na realidade, é muito escassa a pesquisa, ou mesmo inexistente, sobre a capacidade auditiva dos patos em geral”, disse Kate. “Quanto ao que ouvem debaixo d’água, ainda menos”.

O seu objetivo era usar três espécies comuns de patos de mar para estudar justamente até que frequência eles conseguem ouvir embaixo d'água.

Em primeiro lugar, Kate teve de ensinar os patos a associarem determinado som a um alimento. Depois, fazer com que eles bicassem um alvo ao ouvir o som. Os patos teriam de aprender a responder a uma luz mergulhando e bicando um alvo e, depois, se ouvissem um som enquanto estavam em baixo da água, subir à superfície e bicar outro alvo. Em dois anos de pesquisas, somente nove de 29 patos chegaram aos estágios finais do teste de audição.

“Os patos de cauda comprida são os mais inteligentes”, afirmou quanto às diferenças encontradas nas diversas espécies. Porém, eles também tentam trapacear. Eles procuravam conseguir o prêmio sem se comportarem de maneira correta.

Os patos comuns eram muito condicionados ao comportamento do grupo para realizarem testes sozinhos. “Na realidade, só consegui treinar um indivíduo”, contou Kate, entre 11 patos. “Mas ele foi provavelmente o mais confiável”.

Os patos-caretos não eram os mais inteligentes, ela disse, mas quando aprendiam o exercício, o realizavam com habilidade.

No final, ela concluiu que os patos ouvem bem embaixo d'água a uma frequência de um a três quilohertz. Por outro lado, as companhias pesqueiras não querem espantar os patos. Os mamíferos marinhos ouvem frequências muito mais elevadas, o que fará com que as operações comerciais usem, provavelmente, dispositivos de alerta para estes animais.

Entretanto, a pesquisa é apenas um primeiro passo para estabelecer uma compreensão básica das frequências de audição dos patos, de maneira que as aplicações práticas para a criação de ruídos de alerta ainda estão distantes no futuro.

Kate McGrew treina outra espécie, embora não para fins experimentais. Este trabalho sofreu porque foi realizado o tempo todo no laboratório, ela disse. “Eu brinco que os meus patos são melhor treinados do que o meu cachorro”.

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