Loic Venance/Agence France-Presse-Getty Images
Loic Venance/Agence France-Presse-Getty Images

Pesquisando a pré-histórica jornada dos megálitos

Estudo analisa sobre onde e quando os monumentos foram construídos pela primeira vez

James Gorman, The New York Times

18 de fevereiro de 2019 | 05h00

Há milhares de anos, os megálitos, as enormes pedras tumulares verticais, começaram a aparecer na Europa. Eles variam desde pedras isoladas a complexos como o de Stonehenge. Na Europa, existem cerca de 35 mil destes monumentos, muitos ao longo da costa atlântica da França e da Espanha, Inglaterra, Irlanda, Escandinávia e em todo o Mediterrâneo. Eles atraem turistas e os arqueólogos, que debatem há um século de que maneira pode ter-se espalhado o conhecimento necessário para a construção destes monumentos.

Uma cientista que analisou 2.410 datações por radiocarbono de megálitos informou, este mês, que a primeira destas tumbas apareceu na França há cerca de 6500 mil anos; dali se espalhou ao longo da costa do Atlântico e do Mediterrâneo por um período de 200 a 300 anos, e então até a Inglaterra, Irlanda e Escandinávia.

“Dediquei 10 anos da minha vida a esta pesquisa”, disse a cientista, Bettina Schculz Paulsson, uma arqueóloga da pré-história da Universidade de Gotemburgo, na Suécia. Ela vasculhou a literatura em 11 línguas, verificou a validade dos testes de datação, e usou um método estatístico chamado análise bayesiana para precisar ainda mais as datas.

Kristian Kristiansen, também da Universidade de Gotemburgo, mas não envolvido no estudo de Schulz Paulsson, afirmou que foi “realmente uma pesquisa pioneira”, e forneceu pela primeira vez a origem e a evidência da difusão desta técnica por mar e pela costa. O que sugere que, naquela época, o homem dispunha de embarcações e tinha a capacidade de se deslocar pela costa, espalhando rapidamente o método megalítico.

Schulz Paulsson concluiu que os túmulos megalíticos mais antigos datam de cerca de 4800 mil e 4 mil anos A.C., no noroeste da França e em outras áreas, como as Ilhas do Canal, Córsega e Sardenha. Mas o noroeste da França é a única área que mostrou a evidência de monumentos tumulares de terracota anteriores aos primeiros megálitos, datados de cerca de 5 mil anos A.C. Estes túmulos indicam o início da construção de monumentos inexistentes em outras áreas.

Alguns dos primeiros monumentos foram os dolmens, estruturas semelhantes a mesas com o formato da letra grega Pi. Por volta de 4300 A.C., ela escreveu, os construtores faziam dolmens que poderiam ser abertos para novos sepultamentos. O primeiro encontra-se em Prisse-la-Charrière no centro-oeste da França, e foi construído entre 4371 e 4263 A.C.

Houve também ondas posteriores de construções de megálitos, ela disse. Uma delas, entre 4000 e 3500 A.C., apresenta túmulos de passagem, que permitem sepultamentos múltiplos. Ela descobriu também um “renascimento dos megálitos” na Sicília, Puglia e nas Ilhas Baleares, que incluem Mallorca e Ibiza, em 2000 e 1000 A.C.

Megálitos mais famosos e elaborados, como Stonehenge, foram erguidos por volta do final da época da construção destes monumentos megalíticos, cerca de 2500 A.C. Kristiansen afirmou que “uma recompensa adicional” deste trabalho é o fato de que “coincide com as provas genéticas mais recentes de que dispomos. Resultados referentes a DNAs antigos mostram que os habitantes da Irlanda e da Inglaterra eram originários da Ibéria”.

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