Zhang Zongtang/Xinhua, via Associated Press
Zhang Zongtang/Xinhua, via Associated Press

Pinguins-imperadores, os maiores do mundo, estão sob ameaça de extinção

Histórico do El Niño tem influência na perda de mais de 25 mil ovos ou filhotes da espécie 

Karen Weintraub, The New York Times

03 de junho de 2019 | 06h00

A segunda maior colônia de pinguins-imperadores da Antártica desapareceu em 2016, com a perda de mais de 10 mil filhotes, e a população não se recuperou, de acordo com estudo recente. As imagens de satélite mostram que muitos dos adultos se mudaram para as imediações, mas o fato de os pinguins-imperadores estarem vulneráveis naquela que era considerada a parte mais segura do seu hábitat traz preocupações para o longo prazo, disse Phil Trathan, coautor do estudo e diretor de biologia da preservação do British Antarctic Survey.

Os pinguins-imperadores (os maiores do mundo) se reproduzem e trocam a plumagem sobre o gelo oceânico, o que os deixa vulneráveis ao clima mais quente e ao vento. Sob a influência do El Niño mais forte dos 60 anos mais recentes, setembro de 2015 foi um mês particularmente chuvoso na região da Baía de Halley, na Antártida, com ventos pesados e pouquíssimo gelo oceânico.

De acordo com Trathan, essas condições parecem ter provocado a perda de algo entre 14.500 e 25 mil ovos ou filhotes naquele primeiro ano, e a colônia não se recuperou. A equipe de pesquisas descobriu que, como resultado, a colônia da Baía de Halley praticamente desapareceu. O estudo descreveu o declínio dos três anos mais recentes como sem precedentes: “três anos de fracasso quase total na reprodução".

Pesquisadores britânicos estudam os pinguins da região desde 1956 e nunca viram um declínio dessas proporções, lembra Trathan. Outros cientistas projetaram declínios drásticos na população de pinguins-imperadores até o fim do século por causa da mudança climática. A pesquisadora-assistente Stephanie Jenouvrier, da Instituição Oceanográfica Woods Hole, de Massachusetts, previu uma queda global de 30% na população deste animal nas próximas décadas. Mas seu modelo não inclui eventos significativos como a chuvosa temporada de 2015, que só deve agravar a situação.

Mas vários pesquisadores se disseram estimulados por evidências de satélite indicando que muitos dos animais conseguiram se mudar para uma colônia chamada Dawson-Lambton, a cerca de 56 quilômetros ao sul, onde o número de pinguins aumentou em mais de dez vezes nos anos mais recentes. “É um grande movimento e um imenso número de pássaros que conseguiram se mudar de uma colônia para a outra após um evento extremo", explicou Jenouvrier. “Acho ótimo podermos mostrar isso”.

Heather Lynch, professora-assistente de ecologia e evolução da Universidade Stony Brook, em Nova York, enxergou o deslocamento como “motivo de grande esperança", indicando que os animais seriam capazes de se adaptar à mudança climática, ao menos no curto prazo. Ela disse que, nos modelos anteriores, os pesquisadores frequentemente supunham que os pinguins não seriam capazes de encontrar outro lar.

Ainda assim, o declínio da população na Baía de Halley é preocupante porque as mortes em larga escala ocorreram em um intervalo curto, e não como um declínio gradual em função da mudança climática. “Não sabemos o quão perto estamos do precipício até ser tarde demais, e não devemos supor que será possível nos afastarmos no precipício quando chegarmos a ele", afirmou Lynch./ TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL

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