Natahn Bajar para The New York Times
Natahn Bajar para The New York Times
Shivani Vora, The New York Times

28 de fevereiro de 2019 | 06h00

Rondel Holder, criador de conteúdo de uma revista, vive em Nova York, mas tinha curiosidade de conhecer suas origens étnicas. Então utilizou um teste de DNA doméstico que adquiriu da Ancestry. "Sempre pensei que eu fosse originário do Brooklyn, com ancestrais de Granada e da Jamaica", disse.

Mas os resultados do teste revelaram que grande parte de sua etnia remontava dois países africanos, Togo e Benin. Poucos dias depois, fez uma reserva online para uma viagem à África por cerca de US$ 3.500. Holder pertence ao grupo cada vez maior de viajantes que começam a viajar em busca das próprias raízes, pautando-se pelos resultados de testes de DNA feitos em casa.

Brooklyn.com, um dos maiores sites de reservas de hospedagem do mundo, ouviu 21.500 viajantes no verão passado e constatou que 40% deles queriam fazer ou já haviam feito uma viagem até suas origens, de acordo com o que sugeriam os resultados destes testes.

Allegra Lynch, que faz parte da Travel Leaders Networks e mora na Califórnia disse que em 2018 vendeu viagens para esta finalidade por um total de US$ 1,5 milhão, principalmente para a Europa, em comparação a US$ 800 mil em 2017.

Embora alguns questionem a precisão dos testes, a especialista em genealogia molecular Diahan Southard afirmou que os resultados são, em geral corretos, com algumas exceções.

"A análise da etnia que as pessoas pedem a uma companhia de testes baseia-se fundamentalmente em indivíduos com os quais a empresa vai compará-los", explicou. "Se você vem da França, mas a companhia não testou muitos franceses, a análise que ela apresentará não será muito cuidadosa no seu caso".

Embora as viagens baseadas em DNA possam ser muito emocionantes para qualquer pessoa, talvez o sejam ainda mais para os afro-americanos, de acordo com Gina Paige, fundadora da AfricanAncestry.com. 

"Os negros foram tirados da África Ocidental e Central e mandados para as Américas e o Caribe. Consequentemente, nossa identidade se perdeu", afirmou. "Não há praticamente registros escritos a nosso respeito até 1870, quando o governo dos EUA começou a colher informações sobre nosso grupo para o censo, por isso, as viagens à África a fim de saber mais sobre nossas raízes são, em geral, uma experiência muito reveladora e profunda".

A busca pela ancestralidade está motivando a criação de uma divisão de viagens para excursões em grupo a países como Itália, Escócia, Irlanda e Alemanha, a partir de US$ 3.500 por 11 dias. Os viajantes consultam um especialista em genealogia que utiliza os resultados de seus testes, juntamente com registros históricos com as informações sobre suas origens. Então, eles percorrem um itinerário que inclui visitas a lugares muito importantes, como museus da emigração e portos de onde os emigrantes partiram.

As viagens particulares destinadas a conhecer a ancestralidade custam a partir de US$ 2 mil por dia e se baseiam no DNA e na pesquisa da história da família do cliente. 

"Nós levamos em conta uma variedade de dados, como arquivos de jornais, de igrejas, militares, casamentos e óbitos", informou Kyle Betit, que dirige a divisão de viagens da companhia. "Os itinerários que criamos levam as pessoas às aldeias onde seus ancestrais viveram e às igrejas onde se casaram".

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