JSC/NASA
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Por que a Apollo 10 parou a poucos quilômetros da Lua?

Antes do 50.º aniversário de uma das maiores conquistas da humanidade, é preciso celebrar os pioneiros que possibilitaram o sucesso da Apollo 11

Jim Bell, The New York Times

21 de maio de 2019 | 06h00

Logo estaremos celebrando o 50.º aniversário dos primeiros passos humanos na Lua. Lembramos e comemoramos o heroísmo da tripulação da nave Apollo 11: a humildade de Neil Armstrong; a coragem inabalável de Buzz Aldrin; e a vigília solitária de Michael Collins em órbita acima dos companheiros, esperando para trazê-los para casa. 

Mas precisamos também celebrar os pioneiros que tornaram possível essa missão histórica. Entre os mais importantes deles está a tripulação da Apollo 10, incumbida de realizar um ensaio completo da missão Apollo 11 dois meses antes do seu início. Thomas P. Stafford, comandante da missão; John W. Young, piloto do módulo de comando; e Eugene A. Cernan, piloto do módulo lunar, fizeram praticamente tudo que Aldrin, Armstrong e Collins fariam, mas não chegaram a realizar um pouso.

Parece impensável ir tão longe, correr todos os riscos e então voltar. Mas essas eram as instruções, e esse foi o fardo que coube à tripulação da Apollo 10, cujo lançamento completa 50 anos esse mês. Estimulada pelo discurso do presidente John F. Kennedy, que em 1961 desafiou os Estados Unidos a levarem um homem à Lua, a Nasa embarcou em uma corrida de oito anos que mobilizaria quase meio milhão de engenheiros, técnicos e cientistas. Custaria também as vidas de três astronautas: Gus Grissom, Ed White e Roger Chaffee - mortos no incêndio da Apollo 1 em 1967.

Sucessivos voos do programa Apollo tiveram que se tornar, ao mesmo tempo, mais seguros e ousados para cumprir o cronograma de Kennedy. Atrasos na conclusão do módulo lunar de pouso significaram que a Apollo 8 seria a primeira missão lunar tripulada para voo apenas do módulo de comando.

Coube à tripulação da Apollo 9, em março de 1969, operar a primeira missão do módulo de pouso no espaço, passando 10 dias na órbita da Terra. O palco foi preparado para um ensaio completo a ser realizado pela tripulação seguinte. A missão dos astronautas da Apollo 10 era simples: treinar, identificar os problemas e preparar um pouso bem sucedido na Lua (e um retorno seguro).

Todos os riscos enfrentados por eles no teste dos equipamentos e procedimentos - lançamento; atracamento orbital na Terra; os três dias de viagem até a Lua; liberação orbital do módulo lunar; descida do módulo, apelidado de Snoopy, quase até a superfície; nova decolagem e atracamento; mais três dias de viagem de volta à Terra; e reentrada com mergulho no Oceano Pacífico - foram iguais aos riscos que a tripulação da Apollo 11, com uma diferença. O pouso na Lua ficaria para outro dia.

Enquanto Young circulava acima deles no módulo de comando e serviço apelidado de Charlie Brown, Stafford e Cernan soltaram o módulo lunar para um pouso no local designado, em meio às planícies vulcânicas do Mare Tranquillitatis. Eles manobraram o módulo de pouso até uma altitude de aproximadamente 14 mil metros - perto o bastante para testar o radar de pouso. 

O que passou pela cabeça deles quando veio de Houston a ordem de ligar os motores e começar o retorno? Cernan lamentou: “A aeronave está se comportando bem e não há sinal de problemas, Charlie, mas seria bom vir até aqui com mais frequência…” Dois meses mais tarde, sob os olhares de todo o mundo, passos humanos transformaram para sempre a superfície da Lua, marcada por Armstrong e Aldrin.

Nos anais da história, a missão Apollo 10 foi eclipsada por jornadas posteriores à superfície lunar. Mas os astronautas da Apollo 10 foram os pioneiros, e a história deles torna mais rica e humana a narrativa da corrida até a Lua. Seus feitos, e os riscos que correram para ajudar os Estados Unidos a serem os primeiros, merecem ser lembrados e celebrados. / TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL

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