Edward Caruso para The New York Times
Edward Caruso para The New York Times

Por que o nome de Trump pode estar prejudicando seus negócios em Nova York

Cai o número de visitantes em lugares que têm o nome do presidente dos Estados Unidos

Sarah Maslin Nir, The New York Times

03 Outubro 2018 | 10h15

Quando a Central Park Tours leva os grupos a um rinque de patinação no gelo, a certa altura, se defrontam com um grande letreiro em tinta vermelha, com o nome da operadora da instalação “Trump”.

“Nós perguntamos: ‘Pessoal, vocês querem parar para tirar fotos?’ Eles respondem: Não, não, vamos em frente”, contou Teodor Panterov, o presidente da companhia de tours.

O número de visitantes em Nova York bateu recordes todos os anos desde 2010. Mas os negócios não estão indo bem nas quatro concessões de propriedade da prefeitura operadas pela Trump Organization. 

Em cada uma delas, as vendas caíram ou estão estagnadas desde a ascensão política do presidente Donald J. Trump.

A Trump Organization atribuiu a queda ao mau tempo. “Não há nenhuma relação entre a política e a frequência nas nossas instalações aqui em Nova York”, disse Ronald C. Lieberman, vice-presidente executivo da organização.

Mas outros que trabalham nestas concessões sugeriram que a queda da popularidade de Trump está influindo. O governo do prefeito Bill de Blasio estuda se os problemas legais do ex-advogado de Trump, Michael Cohen, poderiam justificar o cancelamento dos contratos.

Christopher Brown, jogador de golfe que trabalha no Golf Club de Chelsea Piers em Manhattan, não põe os pés no Trump Golf Links em Ferry Point, o campo da prefeitura que a Trump Organization gere no Bronx. “Sendo ele quem é, para que daria o meu dinheiro para ele?” perguntou Brown.

De abril a junho de 2018, aproximadamente, o campo de golfe de Trump só ganhou brutos 2,3 milhões de dólares, segundo dados da prefeitura. Há três anos, no mesmo período, o campo rendeu 1 milhão de dólares a mais. No ano passado, nesse local foi realizado um protesto contra a política de imigração. Um vândalo escreveu sobre a grama com tinta alguns versos do poema de Emma Lazarus sobre a imigração, que estão inscritos na base da Estátua da Liberdade.

A organização disse que embora a afluência tenha diminuído, os passeios reservados pelos moradores subiram este ano menos de 2%.

Os dois rinques de patinação da prefeitura administrados pela Trump Organization - Wollman Rink e Lasker Rink, ambos no Central Park - pareciam prosperar no inverno de 2015-2016. Mas no ano seguinte, o faturamento caiu 5%, depois da campanha de Trump. O carrossel do Central Park é operado pela Trump Organization desde 2011, quando “implementou importantes mudanças e foi muito elogiada por devolver ao famoso carrossel sua grandeza original”, segundo o site da organização.

Para o exercício iniciado em 1º de maio de 2017, a Trump Organization registrou um lucro de pouco mais de 30 mil dólares com o carrossel, um declínio considerável em comparação aos 188 mil dólares de dois anos antes, segundo os dados da prefeitura. Durante algum tempo, o nome “Trump Carousel” ficou no letreiro. Em maio deste ano, a palavra “Trump” foi trocada pela imagem de um cavalo. A organização disse que as mudanças não foram uma resposta aos problemas por causa do nome.

Entidades privadas eliminaram o nome Trump, inclusive o Trump SoHo Hotel, que passou a se chamar The Dominik. Mas alguns especialistas em direito afirmam que será difícil que a prefeitura tenha sucesso.

“A prefeitura tem normas que permitem que ela decida não fazer contratos com pessoas que não pagam os seus impostos ou que são consideradas culpadas por licitações fraudulentas ou coisas do tipo”, afirmou Ross Sandler da New York Law School. “Parece que o fato não está relacionado a outra coisa senão: ‘Não gostamos de Donald Trump’”.

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