Laura Muckman / The New York Times
Laura Muckman / The New York Times
Dave Montgomery, Rick Rojas, Mitch Smith e Anemona Hartocollis, The New York Times

08 de janeiro de 2020 | 06h00

WHITE SETTLEMENT, TEXAS – Em pleno serviço religioso no domingo, um sujeito de sobretudo saiu do meio dos bancos, puxou uma arma e abriu fogo. Este é o Texas, onde algumas leis estaduais em vigor desde 2017 não só autorizam a segurança armada nas casas de adoração, como também permitem que os paroquianos carreguem suas próprias armas nas igrejas.

Em questão de segundos, um guarda de segurança voluntário da Igreja de Cristo West Freeway puxou sua pistola e revidou. Pelo menos dez outros paroquianos puxaram as respectivas armas. No fim, dois paroquianos e o primeiro atirador estavam mortos. “Quantos outros iriam perder a vida se nós não tivéssemos um sujeito de boa vontade com uma arma?”, indagou Jonathan Stickland, deputado do estado do Texas, em um manifesto no qual pedia a redução das restrições ao porte de armas.

O tiroteio ocorrido na igreja no dia 29 de dezembro foi usado por alguns parlamentares para justificar que outras leis favoráveis ao porte de armas podem salvar vidas. “Não podemos impedir uma doença mental, e nem que todos os doidos puxem uma arma”, afirmou Ken Paxton, procurador geral do estado do Texas. “Mas podemos estar preparados, como estava esta igreja."

Entretanto, este argumento costuma ser ridicularizado pelos defensores do controle de armas, para quem tirar armas potentes das mãos de indivíduos perigosos pode salvar mais vidas ainda. A criação de guardas de segurança voluntários é uma das medidas adotadas por algumas igrejas, sinagogas e mesquitas em todo o país porque o número de fiéis atingidos por armas de fogo nas casas de oração não para de crescer.

“Quando comecei, muitas igrejas relutavam até em falar a respeito disso”, contou Steven Padin, policial aposentado e principal consultor da Watchman’s Academy, que cuida da segurança nas igrejas. “Considerando a situação na sociedade hoje, é muito triste que cada vez mais as igrejas tenham de se convencer disto."

Legislação

A legislação que permitiria que os fiéis  levassem armas para as igrejas tem sido debatida em todo o país, inclusive no Missouri, onde a proposta de retirar as igrejas da lista de zonas em que o porte de armas é livre no estado encontrou a oposição de grupos religiosos, como líderes da Igreja católica.

As pressões  para a aprovação da legislação no Texas aumentaram depois que um indivíduo abriu fogo na Primeira Igreja Batista de Sutherland Springs, em 2017, e matou 26 pessoas. O pastor, Frank Pomeroy, cuja filha foi morta nesse dia, disse que a resposta dos congregados de White Settlment mostrou que as armas de fogo devem ser usadas para salvar vidas. “É por isso que este último tiroteio parou em poucos segundos”, justificou Pomeroy, hoje candidato republicano ao Senado estadual. “Louvado seja Deus!”, continuou. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

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