Daniel Rodrigues para The New York Times
Daniel Rodrigues para The New York Times

Prefeitura de Barcelona e templo turístico entram em disputa sobre alvará de construção

Pagamento de 41 milhões de dólares encerrará uma disputa a respeito da basílica de Gaudí

Raphael Minder, The New York Times

03 Novembro 2018 | 06h00

A Basílica da Sagrada Família em Barcelona, conhecida internacionalmente como um tesouro da arquitetura, fabulosa obra-prima do arquiteto catalão Antoni Gaudí, que atrai milhões de visitantes ao ano, ainda está em construção, 136 anos depois do início das obras.

O que ela não tem há mais de um século, segundo a prefeitura, é um alvará de construção válido.

A basílica da Sagrada Família concordou em pagar às autoridades 36 milhões de euros, ou cerca de 41 milhões de dólares ao longo de dez anos para encerrar a disputa sobre a legalização da obra e ajudar a pagar a melhoria dos transportes ao redor do monumento.

Usando o alvará como elemento de barganha, a administração da prefeita de extrema esquerda de Barcelona, Ada Colau, tomou a si a questão da Sagrada Família. O conselho da basílica afirmou que tinha um alvará de construção - emitido em 1885 por Sant Martí de Provençals, que na época era uma cidade independente. As autoridades de Barcelona argumentam que, depois que Sant Martí foi absorvida pela cidade, vários anos mais tarde, a construção exigiu um alvará de Barcelona, o conselho afirma que há mais de um século, nunca mais tal coisa foi pedida.

As obras da Sagrada Família começaram em 1882, e o seu projeto radical, que incorpora elementos do renascimento gótico, Art Nouveau, modernismo e arte asiática, foi comparado às coisas mais disparatadas, desde um desenho do cartunista americano Dr. Seuss a uma floresta submarina de algas e corais.

Quando Gaudí morreu em 1926, só estava concluído cerca de um quarto do projeto, e décadas após a sua morte, os avanços se mantiveram lentos, esporádicos e muitas vezes intensamente controvertidos. Mas o rimo das obras acelerou nos últimos anos. A Sagrada Família já está concluída em dois terços, e segundo o planejamento, prevê-se que esteja concluída em 2016, no centenário da morte de Gaudí.

Os críticos afirmam que a Sagrada Família se afastou demais da visão de Gaudí - alguns dos seus projetos foram destruídos há muito tempo - ou que é muito mais fascinante como um dos maiores 

monumentos inacabados do mundo.

Mesmo incompleta e cercada de tapumes e guindastes, a Sagrada Família é o monumento mais famoso de Barcelona, visitado por mais de 10 mil pessoas todos os dias.

Ada Colau e sua administração acusaram a basílica de trabalhar sem um alvará de construção, de não apresentar os planos exigidos para derrubar as construções atuais a fim de concluir uma esplanada, e de não pagar as taxas de evolução da obra.

As queixas da prefeitura tocam um ponto particularmente sensível em um país em que a Igreja registrou milhares de imóveis como isentos de impostos, sendo acusada de sonegação e levando a um debate sobre como a Igreja gasta a receita do turismo.

O acordo prevê que a prefeitura siga em frente com as obras de infraestrutura dos transportes ao redor da Sagrada Família, inclusive um estudo de viabilidade para a construção de uma passagem que uniria a basílica diretamente à estação de metrô mais próxima. O acordo não pôs fim à disputa a respeito do confisco das residências próximas.

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