Karsten Moran para The New York Times
Karsten Moran para The New York Times

Prefeitura de Nova York limita emissão de gases de edifícios

Objetivo do prefeito Bill de Blasio é que, até 2030, a redução na emissão de gases do efeito estufa chegue a 40%

William Neuman, The New York Times

04 de maio de 2019 | 06h00

A prefeitura de Nova York acaba de adotar um plano ambicioso que obrigará milhares de grandes edifícios, como o Empire State Building e o Trump Tower, a reduzir drasticamente suas emissões de gases causadoras do efeito estufa. A legislação, aprovada recentemente, e a ser sancionada dentro em breve pelo prefeito Bill de Blasio, estabelece limites para as emissões de diferentes tipos de edifícios, com o objetivo de chegar a uma redução de 40% no total até o ano 2030. Os edifícios que não cumprirem a determinação poderão ser multados.

Estas construções são algumas das maiores fontes de emissão de gases do efeito estufa porque utilizam enormes quantidades de energia para calefação, refrigeração e iluminação, e tendem a ser ineficientes, vazando calor no inverno e ar frio no verão através de janelas antigas ou isolamento inadequado. Um inventário das emissões destes gases divulgado em 2017 verificou que os edifícios produzem 67% das emissões da cidade.

Mark Chambers, o diretor do Departamento de Sustentabilidade da prefeitura, disse que a adequação às reduções terá um custo cumulativo superior a US$ 4 bilhões. E acrescentou que os proprietários recuperarão estes custos graças à redução das despesas operacionais.

Vários tipos de edifícios foram isentos da redução, como templos religiosos, prédios de apartamentos cujos aluguéis são controlados, e outros imóveis habitacionais de aluguel acessível. Essas construções serão obrigadas a implementar vários outros tipos de medidas com o intuito de economizar energia. Executivos do setor imobiliário afirmam que, embora apoiem a redução das emissões, acreditam que têm sido concedidas excessivas isenções, colocando um ônus indevido sobre os edifícios restantes.

Ed Ermler é o presidente do conselho de direção de quatro edifícios de apartamentos em sistema de cooperativa na cidade por um total de 437 unidades. Ele afirma que investiu centenas de milhares de dólares na instalação de controles computadorizados das caldeiras e em outros sistemas para tornar edifícios dos anos 1950 mais eficientes em matéria de energia, e que a meta estabelecida pela prefeitura é “totalmente inatingível”.

“Para baixar até 20% do patamar onde nos encontramos hoje, com a tecnologia existente, não há mais nada que eu possa fazer”, afirmou Ermler. “Não há nenhuma varinha mágica”. Carl Hum, consultor jurídico geral do Registro de Imóveis da cidade de Nova York, comentou a mudança. “Como resultado, agora um proprietário refletirá duas vezes antes de alugar qualquer espaço: ‘Será que o próximo inquilino vai gastar muita energia ou não?’ pensará ”.

Segundo Chambers, uma nova agência da prefeitura terá de levar em conta os recursos que os proprietários dos imóveis apresentarão e ter o poder de conceder limites diferentes a arrendatários com grandes necessidades de energia. As reduções preveem limites para diferentes tipos de edifícios, como prédios de apartamentos ou de escritório. As multas poderão chegar à casa dos milhões de dólares ao ano, dependendo de quanto um edifício ultrapassará o limite.

“A cidade de Nova York é um lugar complicado, dinâmico, com inúmeros edifícios antigos e edifícios novos, hospitais, templos religiosos e apartamentos a preços subsidiados”, afirmou Corey Johnson, presidente da Câmara Municipal. “Por isso, foi um desafio elaborar um projeto de lei que fizesse uma grande diferença e, ao mesmo tempo, levasse em conta as variações de um edifício para outro”. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

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