Bryan Denton para The New York Times
Bryan Denton para The New York Times
Hannah Beech e Muktita Suhartono, The New York Times

01 de junho de 2019 | 06h00

MANDALIKA, INDONÉSIA - A mulher se jogou na estrada em frente à carreata, forçando o veículo com a placa “Indonésia 1” a pisar no freio. "Jokowi, eu te amo", ela gritou, quando o presidente Joko Widodo, da Indonésia, reeleito em 21 de maio, abaixou a janela para apertar as mãos da fã em uma estrada na ilha de Lombok.

 

Comumente conhecido pelo apelido de Jokowi, Joko parece uma figura improvável para receber essa reverência de estrela do rock. Sua oratória depende menos da visão grandiosa ou da retórica populista e mais das estatísticas sobre construção de estradas ou financiamento de aldeias.

Ele fala de maneira suave. No entanto, a reeleição de Joko para um segundo e último mandato como presidente da quarta nação mais populosa do mundo é um contrapeso ao enfraquecimento democrático e à política de homens fortes que dominaram o cenário eleitoral global.

"Sou presidente de toda a Indonésia e a democracia protege o pluralismo", disse Joko em uma entrevista. "Meu governo é sobre harmonia e oposição ao extremismo." A Indonésia é uma nação de superlativos políticos. O país tem a maior população muçulmana do mundo, mas também é um estado secular com minorias religiosas consideráveis. É a terceira maior democracia do planeta.

 

E é a maior nação insular do mundo, composta por 17 mil ilhas, onde mais de 300 idiomas são falados. "Para a existência continuada de nosso país", disse Joko, "temos que confiar na cultura da Indonésia, que é diversa e tolerante". No entanto, os desafios de unir uma nação tão vasta significam que a Indonésia parece voltar-se para si mesma em vez de projetar seu peso no cenário global.

 

Joko, 57 anos, argumentou quando perguntado se a Indonésia, que derrubou uma ditadura duas décadas atrás, poderia servir como modelo para nações de maioria muçulmana governadas por ditames familiares. "O Islã e a democracia são compatíveis", disse Joko. “Mas deixe os outros virem e verem com seus próprios olhos. Eu não posso contar a eles.”

 

Em vez disso, ele começou a listar os pontos mais sutis da redução da burocracia para obter autorizações de negócios. Com foco em uma infraestrutura atrasada que prejudicou o crescimento econômico do país, ele falou sobre os mais de 1.770 quilômetros de estradas construídas durante seu primeiro mandato de cinco anos.

 

Então ele passou para os méritos do transporte de massa. A capital do país, Jacarta, bloqueada pelo trânsito, lutou durante anos para construir um metrô, e seu primeiro trecho começou a funcionar recentemente. "Se não tivermos boa infraestrutura, não podemos ser um país desenvolvido", disse ele.

“Estamos atrasados na construção de estradas e aeroportos.” Ex-fabricante de móveis, Joko é o primeiro plebeu a ser eleito presidente da Indonésia. Ele assumiu o poder em 2014, prometendo defender os direitos das minorias e das mulheres. Além de melhorar a infraestrutura deplorável da Indonésia, ele se comprometeu a combater a corrupção profunda.

 

Seu adversário nas eleições de abril, Prabowo Subianto, era o mesmo adversário da velha guarda que enfrentou em 2014. Um ex-general do Exército, Prabowo disse que desafiaria os resultados. Andando por um mercado de alimentos em Bali, em meados de maio, Joko posou para selfies.

 

Às vezes, seus admiradores estavam tão nervosos que seus dedos suados não podiam acionar suas câmeras telefônicas. Joko assumiu o controle. "Eu sou seu presidente, então eu trabalho para você", brincou ele enquanto um fã entregava o celular. "Esse é o meu trabalho." / TRADUÇÃO DE ROMINA CÁCIA

Tudo o que sabemos sobre:
Indonésia [Ásia]

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.