Karsten Moran para o New York Times
Karsten Moran para o New York Times

Fazer sua primeira maratona pode deixar artérias quatro anos mais novas

Estudo aponta que terminar maratona pode ter como resultado artérias mais flexíveis, saudáveis e biologicamente mais jovens que antes

Gretchen Reynolds, The New York Times

14 de fevereiro de 2020 | 06h00

Complete sua primeira maratona e rejuvenesça as artérias, diz um novo estudo sobre corredores principiantes e suas aortas. A pesquisa concluiu que treinar para uma maratona, e terminá-la, pode deixar as artérias mais flexíveis, saudáveis e biologicamente mais jovens que antes. Mas, ao mesmo tempo, o estudo não afirma que uma maratona seja a meta ideal para pessoas que esperam melhorar sua saúde arterial no longo prazo. As artérias levam sangue oxigenado para o coração. 

Quando saudáveis e flexíveis, se expandem e se contraem enquanto o sangue pulsa através delas, mantendo o fluxo suave e firme. Mas, com a idade, as artérias endurecem. Com suas paredes ficando menos flexíves, o sangue flui mais devagar, a pressão arterial sobe e órgãos que precisam de um fornecimento mais constante e regular, como rins e coração, podem ser afetados.

Algumas pesquisas antigas já sugeriam que exercícios físicos podem retardar o enrijecimento das artérias em decorrência da idade. Idosos que sempre foram atletas, por exemplo, tendem a ter artérias relativamente mais flexíveis. Mas não estava claro se pessoas sedentárias poderiam começar a se exercitar tardiamente, melhorando o estado de suas artérias. 

Assim, para esse novo estudo, publicado em janeiro no Journal of the American College of Cardiology, pesquisadores da University College London e de outras instituições acompanharam o estado das artérias de corredores novatos. Os pesquisadores focaram-se em pessoas que participariam pela primeira vez de uma maratona, em Londres. Escolheram mais de 200 homens e mulheres nessa condição, a maioria de meia-idade e todos sedentários, e os contataram seis meses antes da corrida.  

Os que se dispuseram a participar do programa fizeram exames de saúde e aptidão física e tiveram a aorta escaneada. Ninguém do grupo mostrou sinais de problemas cardíacos ou outras complicações sérias de saúde. Cada corredor escolheu seu programa de treinamento, com a maioria correndo umas poucas vezes por semana. Alguns sofreram lesões ou tiveram outros problemas e desistiram. No fim, 136 homes e mulheres completaram o percurso, com uma média de 4,5 horas para homens e 5,5 para mulheres. Uma ou duas semanas mais tarde, eles voltaram ao laboratório para repetir os testes.

Suas aortas estavam mais flexíves. Suas artérias em geral recuaram ao que eram quatro anos antes em termos funcionais. As melhoras foram mais acentuadas em corredores homens mais idosos e naqueles que demoraram mais a fazer o percurso. Elas não dependeram de mudanças no treinamento ou no peso dos corredores -  o que, maioria dos casos, revelou-se de pouca significância. Tudo que importava era que essas pessoas se mantivessem treinando e corressem a maratona.  

“Quase todos os participantes se beneficiaram”, disse Charlotte Manisty, cardiologista da University College London e do Barts Heart Center, que supervisionou o estudo. “Aqueles cujas artérias exigiam mais cuidados foram os mais beneficiados.” Não se sabe ainda se o rejuvenescimento das artérias dos corredores vai durar ou se os benefícios continuarão se eles pararem de correr.

Também não é certo que seja preciso correr o total de 42,2 quilômetros para melhorar a saúde arterial, disse Julio Chirinos, da Universidade da Pensilvânia, que escreveu um artigo comentando o estudo. “Será essa a melhor dosagem de exercícios? Talvez menos treinamento bastasse,  ou exercícios mais variados, ou mudança de intensidade, ou qualquer rotina que as pessoas se disponham a manter no longo prazo.” / TRADUÇÃO DE ROBERTO MUNIZ

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