Agustin Nieto para The New York Times
Agustin Nieto para The New York Times

Procurando o drinque perfeito nos bares de Buenos Aires

Os portenhos levam suas tradições de bebida muito a sério

Robert Simonson, The New York Times

29 de novembro de 2018 | 06h00

Para se ter uma ideia de como as pessoas bebem em Buenos Aires, basta visitar qualquer mercado. Não demora até chegarmos a uma prateleira cheia de Campari, Fernet Branca, Cynar, vermute Cinzano ou Gancia, um aperitivo. Todos são produtos italianos, mas os porteños (como chamamos os locais), muitos dos quais são de ascendência italiana ou espanhola, adotaram como seus.

Os Cynar Juleps são mais comuns que os Mint Juleps. Negronis e suas variações estão por toda parte. E a bebida nacional deve ser o Fernet com Coca-Cola.

Essas antigas tradições foram incorporadas à robusta cena da coquetelaria de Buenos Aires.

O Doppelgänger deve ser o melhor lugar da cidade para se pedir coquetéis clássicos. É claro que o significado de “clássico" pode ser um pouco diferente aqui. Tomemos como exemplo o Old-Fashioned, o drinque mais pedido do bar. Uma fatia de laranja se mistura ao açúcar e Angostura no fundo do copo. Tudo é coberto com gelo e, em seguida, bourbon. O resultado é basicamente um Old-Fashioned crusta, um antigo gênero de coquetéis que têm açúcar na borda do copo.

No Verne Cocktail Club, o proprietário, Federico Cuco, pode servir um dos originais da casa ou contar um pouco a respeito da história da coquetelaria em Buenos Aires. Esteve por trás de uma campanha para “Salvar o Clarito", uma antiga variação do dry Martini. Funcionou. Hoje é possível pedir um Clarito em qualquer lugar da cidade.

Cuco também é um grande defensor de marcas locais tradicionais como Amargo Obrero, um amaro leve da região, e o Hesperidina, um licor de laranja que se tornou o primeiro produto patenteado da Argentina, em 1876.

A Florería Atlántico é o bar de coquetéis mais famoso de Buenos Aires. O carismático proprietário, Tato Giovannoni, descreve seu bar como uma homenagem à história multiétnica da população da cidade.

O principal drinque do bar é uma variação do Negroni, naturalmente, mas a profunda complexidade do Balestrini Negroni narra uma história tipicamente argentina. O Campari é destilado no país. O gin, Principe de los Apóstoles, é criação de Giovannoni. O amaro Averna substitui o vermute habitual. E uma pitada de água salgada do Atlântico traz um aroma salgado. Tudo isso recebe fumaça de eucalipto e decoração com pinhões.

O Presidente tem decoração extravagante, com candelabros, teto alto e funcionários que parecem modelos. Um contador luminoso acima do balcão indica o número de Negronis pedidos; quando estive lá, a contagem estava em 10.912.

A tradição dos aperitivos em Buenos Aires vai além do vermute. O La Fuerza é uma vermutería que produz sua própria bebida, usando vinhos feitos em Mendoza com toques de plantas colhidas nos Andes.

Os proprietários anunciam a bebida como o primeiro vermute produzido na região dos Andes. Temos o vermelho e o branco, ambos servidos na casa. Prove-os puros ou com gelo e algum toque diferente; como fazem os porteños, prove o vermelho com fernet, e o branco com Campari.

O uísque americano representa um desafio particular. 

Poucos bourbons são exportados para cá, mas o bar dos fundos do The Bourbon Brunch & Beer, boteco no estilo americano, oferece várias marcas de bourbon que o proprietário contrabandeou em viagens aos EUA, e serve por dose.

Quando indagado a respeito de como conseguiu trazê-los, ele deu de ombros. “Estamos em Buenos Aires", disse ele.

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