Stephen Bradley / BBC América / BBC Studios
Stephen Bradley / BBC América / BBC Studios

Programas de TV sobre a natureza voltam a fazer sucesso

Cerca de 130 séries sobre a natureza foram ao ar no ano passado, mais do que o total dos três anos anteriores

John Koblin, The New York Times

15 de fevereiro de 2020 | 06h00

Numa época em que milhões de espécies correm risco de extinção e os serviços de streaming gastam bilhões em conteúdo, um velho gênero de televisão, programas sobre a natureza, está ganhando cada vez mais força. Em 18 de janeiro, a mais recente série de documentários de orçamento milionário da BBC Studios, Seven Worlds, One Planet, estreou nos Estados Unidos em vários canais da rede de TV a cabo AMC, como BBC América e SundanceTV.

Netflix, Disney e Apple estão investindo pesadamente em programas de vida selvagem, como parte de seus esforços para atrair assinantes para seus serviços de streaming. E os programas sobre a natureza estão prosperando nas redes de TV aberta e por assinatura, com cerca de 130 séries originais sobre o tema exibidas em 2019, mais do que nos três anos anteriores juntos, de acordo com a Nielsen, que compila dados de audiência.

O gênero não é novidade e remonta a programas de mais de 50 anos atrás, O mundo submarino de Jacques Cousteau e Zoo Quest, uma produção da BBC. O interesse foi renovado à medida que a cobertura ambiental migrou de periódicos científicos para os principais meios de comunicação, uma mudança que coincidiu com o aumento da alta definição dos televisores e dos serviços de streaming. A Netflix e seus rivais consideram a esse gênero uma aposta inteligente porque é apropriada para todas as idades e funciona bem internacionalmente.

"É bem aceito ao redor do globo, pois é educativo e os animais não falam em nenhum idioma específico", disse Michael Gunton, diretor criativo da BBC Studios. Em outubro, a BBC América dedicou sua programação de sábado às atrações sobre a vida selvagem. O resultado foi um ganho de 35% na audiência durante o horário nobre de sábado.

O programa que iniciou o boom foi Planet Earth II, uma série da BBC de 2016 narrada pelo naturalista David Attenborough, estrela de Zoo Quest. Ele alcançou recordes de audiência na Grã-Bretanha e foi um sucesso inesperado nos Estados Unidos. Os executivos da televisão teorizaram que o programa, com suas imagens exuberantes, era popular porque dava um descanso ao Brexit e à ascensão de Donald Trump. Desde então, houve uma debandada.

Nosso Planeta, um documentário de oito partes que a Netflix começou a transmitir em abril, foi um dos programas originais mais vistos de 2019. Em janeiro, a Netflix estreou A Terra à noite, uma série de seis partes sobre animais noturnos. Quando a Apple lançou seu serviço de streaming, o Apple TV Plus, em novembro, incluiu o documentário de 96 minutos Elephant Queen entre suas primeiras ofertas. A empresa está retornando ao gênero com Tiny World, uma série sobre criaturas pequeninas e sua própria visão de criaturas noturnas, em Earth at Night.

A Walt Disney Company foi pioneira em filmes sobre a natureza - o curta-metragem Seal Island ganhou um Oscar em 1949 - e se tornou uma peça importante com sua aquisição por US$ 71,3 bilhões por grande parte do império de Rupert Murdoch no ano passado, incluindo a National Geographic. Agora, centenas de horas de conteúdo da vida selvagem estão disponíveis no serviço de streaming Disney Plus.

Pode haver outra razão para o boom. "Descobrimos que uma das razões pelas quais esse conteúdo ressoa no momento, uma das muitas forças, é a legalização da maconha", disse Courtney Thomasma, diretora-executiva da BBC América. A rede ofereceu uma maratona de programas sobre a natureza em 20 de abril, uma espécie de "feriado chapado", e funcionou. "Digamos que houve alguns comentários no Twitter como ‘A pessoa que programou para hoje a exibição de Planet Earth é um gênio’". / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

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