Elliott Verdier para The New York Times
Elliott Verdier para The New York Times

Projeto promete grande reformulação na Champs Elysées

Obras na principal avenida de Paris prepara uma das regiões mais visitadas da cidade para os Jogos Olímpicos de 2024

Tiffany Hsu, The New York Times

11 de março de 2019 | 06h00

PARIS - As calçadas estão rachadas ao longo da plus belle avenue du monde, a mais linda avenida do mundo, como a definem os franceses. Diariamente, 60 mil veículos transitam por suas faixas. As passagens para os pedestres costumam estar lotadas de motonetas abandonadas.

A avenida Champs Élysées foi construída para a realeza e recebeu o nome do paraíso dos mortos. Mas a sua última reforma data de mais de 20 anos. Os novos ocupantes comerciais têm sido intermitentes. Os parisienses evitam esta área. Agora, enquanto Paris se prepara para hospedar as Olimpíadas de 2024, centenas de milhões de dólares estão sendo gastos em obras na Champs Elysées, uma das regiões mais visitadas da cidade.

O novo projeto é um empreendimento complexo. Os aluguéis comerciais ao longo da avenida são alguns dos mais caros do mundo. As intervenções nos edifícios em estilo Beaux Arts que a ladeiam obedecem a uma rigorosa regulamentação, e qualquer mudança ameaça afastar a população local. Sem a reforma, a avenida corre o risco de perder o seu prestígio como um dos mais belos destinos turísticos do mundo, afirmou Jean-Louis Missika, vice-prefeito da cidade.

A avenida, que se estende por quase dois quilômetros, da Place de la Concorde até o Arco de Triunfo, foi encomendada em meados do século 16 para a família real francesa. Napoleão III acrescentou fontes e calçadas em meados do século 19. Posteriormente, no mesmo século, um projeto de urbanização em toda a região uniformizou a construção de imponentes edifícios.

Mas o glamour se foi. Os cinemas perderam milhões de frequentadores, e os shoppings frequentemente estão desertos. Em 2007, a prefeitura da cidade, querendo resistir à “banalização” da área, tentou impedir a inauguração da H & M. Mas a cadeia de moda rapidamente descartável veio para ficar, juntamente com duas lojas Zara e uma Abercombie & Fitch.

“Ter sempre as mesmas grifes não é bom para a região, porque as pessoas acabam não reconhecendo onde estão”, disse Missika. “Poderiam estar em Londres ou em Tóquio”. Teoricamente, ele disse, a avenida deveria hospedar uma mescla equilibrada de lojas de fast-food, restaurantes tradicionais, lojas de varejo globais e designers locais. Mas a cidade tem poucos instrumentos legais para determinar a sua composição comercial.

“É preciso que haja um correto equilíbrio das atividades comerciais”, afirmou Missika. “Quando um lugar é totalmente abandonado pelos moradores locais, é um grave problema; a alma da cidade desaparece”. A avenida Champs Elysées está sendo repovoada por marcas que esperam atrair tanto os parisienses quanto os turistas.

Com 6.500 metros quadrados de superfície, será inaugurada no final de março a cadeia das Galeries Lafayette, tornando-se o maior espaço varejista da área. Em novembro do ano passado, a Apple abriu uma loja em um edifício de apartamentos do século 19. Os arquitetos restauraram a escadaria original de madeira e mármore e acrescentaram um brilhante teto caleidoscópico sobre um pátio interno. E em junho do ano passado, a WeWork abriu um espaço de 4.500 metros quadrados.

Pierre Hermé, conhecido como o “Picasso da confeitaria”, associou-se à marca de produtos de higiene e beleza L’Occitane en Provence, e inaugurou uma loja de bem-estar pessoal de 900 metros quadrados no início de 2018. Novas boutiques, de Dior à Nike, estão em obras.

Mas embora as lojas ocupem a maior parte do espaço na Champs Élysées, apenas 23% dos visitantes frequentam a avenida para consumir, segundo o comitê do bairro. Muitos buscam a cultura e o divertimento, como uma visita a uma galeria ou uma subida de elevador para desfrutar de uma visão panorâmica da cidade. As normas da prefeitura, que foram flexibilizadas nos últimos anos, permitirão uma maior ocupação das coberturas dos edifícios da avenida, com bares, restaurantes e até uma dezena de piscinas, como a projetada para o hotel SO Sofitel.

As iniciativas para a ampliação do espaço verde já começaram. Desde 2016, a Champs Elysées fecha para os automóveis um domingo em cada mês. No ano passado, a cidade começou a construção de uma ciclovia. Uma iniciativa da prefeitura - com a participação de Chanel - destinada a melhorar e ampliar os espaços para exposições e eventos no Grand Palais, começará no próximo ano. Os projetistas franceses Ronan e Erwan Bouroullec, financiados por recursos privados, estão reestruturando várias fontes ao longo da avenida. “Tudo isto faz parte de uma transformação global da cidade”, disse Missika.

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