Chip Litherland para The New York Times
Chip Litherland para The New York Times

Protetores solares químicos prejudicam recifes de corais

Estudos associam ingredientes que protegem a pele à descoloração dos corais

Elaine Glusac, The New York Times

27 Fevereiro 2018 | 15h59

Os recifes de coral perto das Ilhas Turcas e Caicos são uma importante atração turística, e Mark Parrish tenta garantir que os visitantes que ele traz até o local não acabem com o coral por causa de seus cosméticos.

Ele é coproprietário da empresa de viagens Big Blue Unlimited, que oferece passeios de mergulho caiaque e outras aventuras pelas ilhas. O site da empresa afirma que "A Big Blue SÓ PERMITE o uso de filtro solar 100% biodegradável em nossas viagens. Protetores solares que não sejam biodegradáveis NÃO PODEM SER USADOS nas viagens da Big Blue".

"Nós optamos pela obrigatoriedade, mas isso é mais fácil de anunciar do que cumprir", disse Parrish. "O fundamental é avisar as pessoas com bastante antecedência, deixando a mensagem no site e esclarecendo qual é nossa política, dando a eles a chance de fazer as compras antes de virem".

Estudos recentes que associam os ingredientes ativos que protegem a pele do estrago causado pelos raios UV à descoloração dos corais levaram a uma campanha global por protetores solares menos nocivos para os recifes.

Os produtos químicos dos protetores solares, que se desprendem do corpo ao nadar ou chegam ao mar pelo saneamento depois do banho, são um problema "maior que a mudança climática" para os corais, de acordo com Craig Downs, diretor-executivo do Laboratório Ambiental Haereticus, em Clifford, Virgínia.

Em 2015, Downs comandou uma equipe que descobriu que a oxibenzona, um elemento químico comumente encontrado nos protetores solares, é tóxica para as algas simbióticas que vivem dentro dos corais, que lhes conferem a coloração e desempenham outras funções vitais, e também inibe o crescimento dos corais.

Um estudo europeu de 2008 publicado na Environmental Health Perspectives concluiu que os protetores solares promovem infecções virais nos corais que podem levar à descoloração. Estima-se que até 14 mil toneladas de protetor solar sejam depositadas nos oceanos do mundo a cada ano.

No ano passado, legisladores havaianos dos níveis local e estadual propuseram sem sucesso medidas para proibir os protetores solares contendo oxibenzona.

Enquanto os defensores do meio ambiente continuam a pressionar por nova legislação, a indústria do turismo, tanto no Havaí quanto em outros lugares, respondeu com campanhas comunitárias destinadas a educar os turistas e ensiná-los a proteger-se do sol sem levar produtos químicos para os recifes.

Os pesquisadores concordam que os protetores solares não são os únicos responsáveis pela descoloração dos corais, apontando também para a alta da temperatura dos oceanos, decorrente do aquecimento global, entre outras ameaças. Mas este é o fator que pode ser alterado pelo comportamento dos turistas.

"Esse é o fator de impacto que podemos controlar", disse R. Scott Winters, diretor-executivo da Fundação pelo Restauro dos Corais, organização sem fins lucrativos com sede em Tavernier, Flórida. "Se queremos trazer os recifes de coral de volta a um estado saudável, é muito importante que as pessoas que desejam visitá-los optem por protetores solares que não contenham oxibenzona. Mais importante, proteger-se com roupas de tecidos adequados, chapéus e outros pode ajudar a reduzir a quantidade de protetor solar necessária".

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.