Dave Sanders para The New York Times
Dave Sanders para The New York Times

Prova final para cães-guia é enfrentar o fervor de Manhattan

Guias para deficientes visuais são treinados em meio ao barulho e ao trânsito

Corey Kilgannon, The New York Times

25 de novembro de 2018 | 06h00

O jovem pastor-alemão Innes tentava atravessar um frenético cruzamento de Manhattan e viu-se diante de táxis, ciclistas, entregadores e outros enquanto um caminhão buzinava e o sinal de pedestres se fechava para ele. Innes estava guiando sua nova dona, Kathy Faul, 73 anos, uma deficiente visual de Swarthmore, Pensilvânia.

Eles vieram a Manhattan especificamente em busca de momentos desse tipo, funcionando como um exame final do treinamento oferecido pela Seeing Eye, escola de cães-guia de Nova Jersey. O treinamento é realizado num ambiente muito mais calmo que Manhattan, à distância de uma hora de carro. Mas, para avaliar a capacidade de concentração de um cão, os treinadores levam os pares de guias e guiados para Manhattan.

“Não há lugar mais intenso que Nova York para o treinamento recebido pelos cães", disse o treinador Brian O’Neal. “No fim do processo, a ideia é imaginar que eles já entendem o básico, mas será que são capazes de enfrentar o agito da cidade?” Para descobrir isso, Kathy e outra deficiente visual, Val Gee, 26 anos, chegaram numa van para vivenciar essas condições urbanas extremas com seus cães.

“Estou metade assustada, metade animada", disse Kathy, segurando firme na coleira de Innes. “Mas imagino que é como na canção: se der certo aqui, dará certo em qualquer lugar.” Elas começaram num estacionamento acima do terminal de ônibus da autoridade portuária, ponto de partida de um circuito pensado para “oferecer aos cães as melhores distrações", disse Kristen DeMarco, a treinadora de Kathy.

Depois de entrarem num elevador apertado, elas logo passaram por catracas do metrô, levadas pelos cães-guia em meio às multidões do transporte público. Enfrentaram uma escada lotada até a plataforma de embarque. Os cães mantiveram a calma na plataforma, apesar do barulho dos outros trens e dos anúncios no sistema de som.

“Ela se mantém muito concentrada", disse Val, fazendo um carinho em Ozma, uma mestiça de retriever. Representantes da Seeing Eye dizem formar cerca de 260 pares de cães-guia e deficientes visuais nos Estados Unidos e Canadá. A maioria vive em ambientes urbanos - principalmente por questões de transporte, acessibilidade e outros serviços.

Os cães que não gostam do ambiente urbano podem ser treinados para donos que não costumam frequentar a cidade. Os donos treinam com os cães, ficando hospedados na escola de treinamento por semanas. A estadia é concluída com uma visita a Manhattan. As condições de Manhattan podem ajudar a revelar aspectos do treinamento que ainda precisam de trabalho.

Os cães-guia que acompanhavam Kathy e Val lidaram bem com a situação toda. Passaram entre os pedestres como se fosse uma competição de esqui. Parecendo nova-iorquinos experientes, os cães pareceram frustrados com a lentidão dos turistas. Chegaram perto deles e aproveitaram a primeira brecha para passarem com seus donos.

Kathy disse ter ficado contente com a confiança demonstrada por Innes. “É preciso ter alguma malandragem", disse Kathy. “Quando o senti passando entre as pessoas, percebi que já se sentia um legítimo morador local.” 

Val elogiou o fato de sua guia, Ozma, ter ignorado as sirenes, mantendo-a longe de ônibus de turistas e caminhões de lixo. “Ela parece se concentrar ainda melhor em meio a um ambiente caótico", disse ela, acrescentando que havia apenas um problema. “Ela ficará desapontada quando chegarmos em casa.”

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