Richard Drew/Associated Press
Richard Drew/Associated Press
Christine Hauser, The New York Times

20 de outubro de 2018 | 06h00

Na última vez em que Anthony Aiello falou com sua enteada, levou pizza feita em casa e biscotti até a casa dela em San José, na Califórnia, para uma breve visita. Aiello, 90 anos, contou aos investigadores que, no fim da visita, ela o levou até a porta e lhe entregou duas rosas como agradecimento.

Mas mais tarde, um observador que estava na casa sem ser percebido revelou que o encontro acabou em assassinato, diz um relatório policial.

Cinco dias depois, a enteada de Aiello, Karen Navarra, 67, foi encontrada por uma colaboradora em sua casa com cortes fatais na cabeça e no pescoço. Ela estava usando um aparelho Fitbit, que, segundo os investigadores, mostrou que os seus batimentos cardíacos chegaram ao pico por volta das 15h20 de 8 de setembro, quando Aiello estava lá. Depois registrou que o seu coração reduziu o ritmo lentamente, até parar às 15h28, cerca de cinco minutos antes de Aiello deixar a casa.

Aiello foi preso mais tarde, acusado de assassinato.

Embora a finalidade destes monitores de atividade física seja motivar as pessoas a controlarem seu estado de saúde, eles se tornaram instrumentos tecnológicos que os especialistas em segurança utilizam para solucionar crimes, como vídeos, aparelhos GPS e celulares.

Presos ao corpo do indivíduo, são de fundamental importância na vida dos seus hospedeiros, documentando ao mesmo tempo encontros normais e perigosos porque gravam os batimentos cardíacos, padrões de sono e esforços físicos da pessoa.

Os dados colhidos pelo Fitbit no local foram usados na solução de um caso de assédio sexual na Pensilvânia, em 2015, e de outro de lesão corporal no Canadá, em 2014. Um GPS Gamin Vivosmart gravou a luta de uma mulher com um assaltante em Seattle, em 2017. No mesmo ano, os investigadores usaram dados do Fitbit de uma mulher de Connecticut por meio dos quais puderam acusar o marido de assassinato.

“Desde as imagens da câmera de segurança perto da campainha da porta aos dados do Fitbit, a tecnologia projetada para solucionar algumas questões vitais ajuda a resolver graves crimes”, afirmou Jeff Rosen, procurador do Condado de Santa Clara, na Califórnia.

No caso de San José, a polícia informou que usou na investigação o material da câmera de segurança e dados do Fitbit de Karen Navarra, que ela prendera no pulso esquerdo e sincronizara com o seu computador na casa onde morava sozinha.

Quando os dados do Fitbit de Karen foram comparados aos das imagens da câmera de segurança da casa, a polícia descobriu que o carro dirigido por Aiello ainda estava lá quando o batimento do seu coração cessou de ser registrado.

Aiello foi “confrontado” com a informação durante o interrogatório, afirmou Brian Meeker, um detetive policial. “Depois de explicar a capacidade do Fitbit para gravar o tempo, a atividade física e os dados referentes aos batimentos cardíacos, ele foi informado de que a vítima morrera antes de ele sair da casa”, afirmou o detetive Meeker no relatório.

Aiello retrucou que talvez isto não correspondesse à verdade, insistindo que Karen o levara até a porta.

“Eu expliquei que os dois sistemas marcavam o tempo da internet, e que não havia nenhuma discrepância”, afirmou Meeker.

Os detetives deixaram Aiello na sala de entrevistas. Então começou a falar sozinho, segundo o relatório, dizendo repetidamente: “Estou perdido”.

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