Jenn Ackerman for The New York Times
Jenn Ackerman for The New York Times

Quando armas de fogo voltam a ser sucata

Processamento inclui armas de fogo confiscadas entregues pelos proprietários e armas de serviço da polícia desativadas

Tiffany HSU, The New York Times

22 Agosto 2018 | 10h15

O que deveriam fazer os EUA com suas armas indesejadas? Nas siderúrgicas do país, a resposta é simples: jogá-las em um caldeirão gigante, submetê-las a um calor de 1.650º Celsius, e elas voltarão a se tornar metal liquefeito.

Há anos, as armas de fogo  nestas fundições servem como sucata de metal, barata, que pode ser transformada em barras de aço de alta qualidade.

E como as recentes chacinas levaram para as manchetes o controle de armas, o interesse nas fundições de metal está aumentando. Mais de mil armas foram levadas em junho para a siderúrgica de St. Paul, em Minnesota, da Gerdau Long Steel North America, subsidiária da companhia brasileira que processa sucata de metal. A usina produziu o aço usado nas fundações das turbinas eólicas, nas motocicletas Harley-Davidson e em equipamentos da Caterpillar.

As armas de fogo são fuzis confiscados pela polícia, espingardas entregues pelos respectivos donos, revólveres usados como evidências em casos encerrados e armas de serviço desativadas pela polícia. 

Pelo hashtag #OneLess, alguns proprietários se comprometeram a destruir suas armas de assalto depois de uma série recente de assassinatos em massa.

Alguns artistas criaram utensílios para jardinagem e joias com antigos fuzis e pistolas. Uma linha de relógios feitos com armas de fogo confiscadas em regiões divididas pelos conflitos rendeu 400 mil dólares em cauções a Kickstarters - mais de 10 vezes a meta estabelecida.

Há anos, as delegacias de polícia e grupos comunitários realizam recompras de armas em todo o país, trocando dinheiro vivo, cartões de presentes e vouchers para compra de alimentos por armas de fogo. 

Ao que tudo indica, este ano houve um aumento da participação do público.

Antes de cada derretimento semestral na siderúrgica de St. Paul, uma caravana de viaturas policiais, caminhões e reboques descarrega sua mercadoria. As pilhas em geral contêm facas e ocasionalmente granadas, mas o grosso consiste de armas sem munição.

Um guindaste magnético iça então as armas de fogo e joga elas em um balde capaz de conter mais de 40 toneladas, que é levado para um depósito. Lá, é posicionado sobre um forno, e o seu fundo se abre como uma concha. As armas mergulham em um recipiente de metal fundido, provocando uma pequena bola de fogo, explicou John Skelley, um gerente da Gerdau. “Enquanto está fundindo e queimando, o fogo é forte, como o rugido do motor de uma turbina em um aeroporto”, acrescentou. 

No fim, as armas fundidas são enviadas para uma estação de refino, e depois solidificadas em longos blocos chamados tarugos. Posteriormente, os tarugos serão aquecidos e amolecidos para serem novamente enrolados, “como massinha de criança”, em diferentes produtos, disse Skelley.

As distribuidoras vendem o aço. O produto da siderúrgica da Gerdau foi usado na Torre World Trade Center 1, na torre Burj Khalifa nos Emirados Árabes Unidos, e na torre de 101 andares de Taipé, em Taiwan. Elas poderão vender para fabricantes de armas?

“Sem dúvida”, respondeu Skelley. “Esta é uma coisa sobre a qual não temos nenhum controle”.

Mais conteúdo sobre:
desarmamento

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.