Joshua Bright para The New York Times
Joshua Bright para The New York Times

Realidade virtual é a nova ferramenta para atrair compradores de veículos

As fabricantes estão investindo em simuladores que colocam o motorista em diferentes veículos e ambientes a fim de atrair seu público-alvo

Paul Stenquist, The New York Times

10 Abril 2018 | 10h15

Os avanços da tecnologia de microprocessadores e sensores eletrônicos permitem que o carro de hoje proporcione uma envolvente experiência multimídia multiplicada nas telas de alta definição. Mas as fabricantes de automóveis não limitam a tecnologia flash ao interior do veículo. Para atrair os compradores, as indústrias já oferecem experiências de realidade aumentada, exibições de vídeo que envolvem o espectador e simulações semelhantes à realidade virtual.

É preciso mais do que um carro luxuoso para destacar-se nas feiras de automóveis, hoje em dia. Os visitantes podem se informar a respeito dos planos de um fabricante quanto à mobilidade urbana enquanto sobrevoam uma paisagem de sonho, dão uma volta por um circuito de teste ou gritam em uma pista de corrida

O Dodge Drag Strip Simulator se encontra no ponto em que o faz de conta se funde com a realidade, e onde a engenharia automotiva transborda para a ciência do vídeo game. A simulação coloca dois autênticos Dodge Demons - com uma quantidade de dispositivos eletrônicos e hidráulicos instalados por baixo de suas capotas onde antes estavam os motores - lado a lado em uma disputa em uma pista de corrida de vídeo vista através dos para-brisas dos veículos.

Impulsionados pelas poderosas forças G da aceleração permitida pela potência de 808 cavalos do Demon, os carros disparam ao sinal na linha de largada virtual levantando as rodas dianteiras. Controlada eletronicamente, a estrutura impelida pela força hidráulica, simula  eventos dinâmicos - como por exemplo empinando as rodas. A vibração do motor e das imperfeições da superfície  da pista são transmitidas ao assento do motorista e sincronizadas com o vídeo. O feedback realista é comunicado por meio da barra da direção, e por um som ensurdecedor que sai dos alto-falantes  dentro e fora do carro.

O motorista precisa usar o acelerador com precisão, esterçar cuidadosamente e virar a intervalos corretos para registrar um bom tempo e a velocidade mais alta que consegue alcançar.

Enquanto as simulações colocam os visitantes das feiras do automóvel no assento do condutor de um equipamento que funciona e parece um veículo real, as execuções da realidade virtual podem  embutir um ambiente de vídeo em 3 dimensões e 360 graus - como o interior de um automóvel e a paisagem vista através das janelas do veículo - em um fone de ouvido.

A experiência frequentemente é aprimorada pela manipulação eletrônica do assento do espectador. A tecnologia já está sendo usada em algumas concessionárias.

A Ford desenvolveu uma visão da Cidade de Amanhã na realidade virtual. A experiência inclui um sobrevoo em uma máquina que sobe acima da paisagem urbana  e mostra algumas das conquistas tecnológicas da companhia na área dos transportes. 

O controle dinâmico do assento simula a aceleração. Ele fez parte da mostra da Ford nas feiras do automóvel de Detroit e de Nova York.

Depois do sucesso de uma experiência de RV desenvolvida para o showroom de uma concessionária de Connecticut, a Cadillac decidiu adotá-la em outras concessionárias.

Como a Cadillac, a Lexus criou uma experiência com RV para concessionárias e outros locais de exposição que não as feiras do automóvel. Ela leva os espectadores a um espaço virtual no qual podem andar ao redor dos veículos, abrir a porta para olhar no seu interior e configurar um carro próprio, antes mesmo que ele esteja disponível para a compra.

Muitas concessionárias da Mercedes-Benz que vendem os modelos AMG de alto desempenho usam um sistema chamado Power Wall para demonstrar a tecnologia destes veículos de alto preço. Os veículos AMG e os seus componentes podem ser vistos em telas de vídeo de 560 centímetros, e com um controle da tela sensível ao toque, os usuários veem as peças internas, entrar para analisar uma delas, e selecionar vídeos ou demonstrações que fornecem informações detalhadas.

A Fiat Chrysler criou uma ferramenta de dimensões mais modestas que utiliza para comercializar as adaptações - modificações que preparam o veículo para determinadas tarefas, como rebocar - para os seus caminhões Ram. Segurando um iPad no alto para os pontos chave de um Ram, os consumidores visualizam uma variedade de opções em matéria de adaptações.

Mas a maneira mais impressionante de que as companhias dispõem para mostrar a nova tecnologia é a das experiências difíceis de imitar, como o simulador de disputa entre dois Dodge Demons ou a experiência da realidade virtual da Chevrolet, que coloca os usuários em uma versão digital da pista de prova da General Motors em Milford, Michigan, e no seu terreno de teste no deserto do Arizona.

Paul Edwards, executivo da Chevrolet, disse: “Queremos levar os consumidores atrás das telas e demonstrar o que fazemos para garantir a qualidade dos veículos. O nível tecnológico da experiência se imprime na marca”.

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