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Reality show sobre relacionamentos divide opinião de ingleses

Com grande audiência, “Love Island” virou fenômeno no país

Alex Marshall, The New York Times

29 Julho 2018 | 10h45

LONDRES - Recentemente, Scott Bell e Jamie Murray Pullan estavam sentados na sala da TV do seu dormitório de estudantes, assistindo a um dos programas de maior sucesso de público da Inglaterra e analisando uma questão muito debatida neste momento.

“Não é possível que ele tenha 22 anos!” disse Bell falando de Adam Collard, um participante de “Love Island”, que na tela conversava com algumas mulheres. “Não sei por que não estão olhando para ele de boca aberta, falando: ‘Como é que você tem 22 anos? Parece ter 30’”, acrescentou Pullan.

Foi preciso a petulante matéria do “The Daily Mail” para calar o debate nacional, com a certidão de nascimento de Collard na qual constava que ele tinha realmente 22 anos.

“Love Island”, agora em sua quarta temporada, à primeira vista é apenas mais um reality show romântico. Um grupo de jovens com pouco mais de 20 anos, da Grã-Bretanha, é confinado em uma vila na ilha de Majorca, na Espanha, por oito semanas. Imediatamente eles são forçados a formar pares, então seis noites por semana, o programa documenta os altos e baixos do seu relacionamento.

Mas “Love Island” se transformou em um fenômeno no país, onde um canal menor da TV atrai milhões de telespectadores. A série fornece assunto de conversas nos pubs e até no Parlamento, e tornou-se o programa preferido das pessoas que gostam de analisar a vida dos ingleses.

No ano passado, o excesso de cenas em que os atores aparecem fumando provocou um debate na Câmara dos Lordes em torno da necessidade de endurecer as normas sobre o tabagismo nas emissoras. (Atualmente, estas cenas já não aparecem.)

Alguns dos maiores debates a respeito do programa trataram, muitas vezes com certo desagrado, do quociente de inteligência dos participantes. Em junho, os jornais intensificaram a cobertura de uma das concorrentes, Hayley Hughes, uma modelo de 21 anos de Liverpool que não tinha noção do que fosse o Brexit, a saída da Grã-Bretanha da União Europeia.

Pouco depois, uma votação do público excluiu Hayley do programa, e Piers Morgan, um apresentador de “Good Morning Britain”, perguntou se ela sabia o que era o teorema de Pitágoras - entretanto, foi possível constatar que ele próprio não sabia do que se tratava.

Mas as reações mais enérgicas foram provocadas talvez por um artigo que dizia que o número de pessoas que se candidataram a participar do programa “Love Island” superou o número das que tentaram ingressar em Oxford e Cambridge. Giles Coren, um colunista do “The Times de Londres”, chamou o show  “uma abominação ignóbil, sexista, de um mau gosto apocalíptico, imoral, doentia, de dar náuseas, feita por idiotas para idiotas”.

Deixando de lado as objeções, o programa é um autêntico sucesso da propaganda de boca em boca para a sua emissora, a ITV2, e sua audiência cresce a cada temporada desde que estreou, em 2015. Todas as noites, é sintonizado por cerca de três milhões de telespectadores, um numero enorme para uma rede pouco conhecida.

Uma versão australiana está sendo gravada em outra villa de Majorca. Uma segunda série da Alemanha (que tem como subtítulo: “Namoros quente, amor real”) estreará em setembro. As versões sueca, norueguesa, finlandesa e dinamarquesa começarão perto do fim do ano.

Assim que os casais se formam, os produtores usam todos os truques possíveis à sua disposição para “testar” as relações bem-sucedidas - de jogos a encontros de modo a render boas brigas entre os ex. 

O público decide qual é o casal vencedor, que recebe dois envelopes, um deles com 50 mil libras esterlinas (66 mil dólares aproximadamente). Quem o abrir, poderá ficar com ele, ou dividi-lo com o seu “amor”.

Se alguns desprezam o programa como uma celebração de mau gosto da cultura do sexo sem compromisso, Richard Cowles, um dos seus criadores, observa que dois ex-concorrentes estão se casando agora, e que outro casal já teve um filho. Ele disse que o programa está “tentando escolher de maneira honesta e autêntica pessoas em busca de amor”.

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