Eden Weingart
Eden Weingart

Redes sociais preparam lançamento de criptomoedas

Empresas como Facebook e Telegram devem lançar moedas de troca que permite envio de dinheiro para contatos por sistemas como PayPal

Nathaniel Popper e Mike Isaac, The New York Times

16 de março de 2019 | 06h00

SAN FRANCISCO - Algumas das maiores empresas de mensagens instantâneas da internet esperam ter sucesso onde as startups de criptomoedas fracassaram ao oferecer ao grande público o universo alternativo das moedas digitais. Facebook, Telegram e Signal planejam lançar criptomoedas no próximo ano, permitindo que usuários enviem dinheiro para contatos de seus sistemas de mensagens, como as plataformas Venmo ou PayPal, que fazem transferências internacionais.

O Facebook está trabalhando numa moeda que os usuários do WhatsApp, pertencente ao Facebook, poderiam enviar para amigos e parentes instantaneamente, de acordo com pessoas informadas a respeito do projeto. O Facebook esteve em negociações com bolsas de criptomoedas para definir a venda da moeda da rede social aos consumidores, disseram quatro pessoas informadas a respeito das conversas.

O Telegram, que conta com cerca de 300 milhões de usuários em todo o mundo, também está trabalhando numa moeda digital. Há uma moeda sendo desenvolvida para funcionar com o Signal, um serviços de mensagens criptografadas. Os maiores aplicativos de mensagens da Coreia do Sul de do Japão, Kakao e Line, também têm projetos semelhantes em desenvolvimento.

Facebook e Telegram podem tornar carteiras usadas com criptomoedas disponíveis quase instantaneamente a centenas de milhões de usuários. “É provavelmente a novidade mais fascinante do universo das criptomoedas hoje", disse Eric Meltzer, cofundador da Primitive Ventures, uma empresa voltada para criptomoedas. 

Como o Bitcoin, as novas criptomoedas facilitariam a transferência de dinheiro entre países, especialmente nos países em desenvolvimento, onde pessoas comuns têm dificuldade em abrir contas bancárias e fazer compras na internet. Os projetos em debate não incluem o processo de mineração do qual o Bitcoin depende.

Mas as empresas de serviços de mensagens devem enfrentar muitos dos mesmos obstáculos regulatórios e tecnológicos que impediram o Bitcoin de chegar ao grande público. A ausência de uma autoridade central para regulamentar as criptomoedas - na forma de um governo ou banco - fez delas ferramentas úteis para criminosos e golpistas, e o desenho das redes de computador que as administram não facilitam a realização de um número mais elevado de transferências.

As empresas investiram recursos significativos no projeto, mesmo com a queda acentuada no valor das criptomoedas ao longo dos 12 meses mais recentes. O Facebook, que conta com mais de 50 engenheiros trabalhando na iniciativa, começou no ano passado depois que o Telegram captou US$ 1,7 bilhão para financiar seu projeto de criptomoeda.

As cinco pessoas informadas a respeito do projeto do Facebook disseram que seu produto mais imediato deve ser uma moeda atrelada ao valor de moedas tradicionais. As moedas das outras empresas devem ser criptomoedas mais tradicionais, de câmbio flutuante. O Telegram, fundado por exilados russos, se orgulha de desafiar a autoridade dos governos. Isso pode ajudar o Telegram no Irã e Rússia, onde muitas pessoas (principalmente os dissidentes) têm dificuldade para usar o sistema financeiro. O Telegram enviou uma carta aos seus investidores no mês passado anunciando que o Gram (nome do seu token) já estava 90% pronto.

Outra equipe está construindo um token digital chamado Mobilecoin, desenvolvido para funcionar dentro do aplicativo de mensagens Signal, cujo foco é a privacidade. Ainda que o fundador da Signal, Moxie Marlinspike, participe da divulgação dessa iniciativa, ela é administrada independentemente da Signal.    

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