Elliott Verdier para The New York Times
Elliott Verdier para The New York Times

Reformada, Marrakesh passa a atrair turistas estrangeiros

Melhorias na segurança e maior número de voos aumentam movimento na 'Cidade Vermelha' do Marrocos

Aili McConnon, The New York Times

09 Setembro 2018 | 11h00

MARRAKESH, MARROCOS - Uma das primeiras paradas dos visitantes dessa cidade é a medina, o labiríntico bairro árabe da cidade, cheio de encantadores de serpentes, artistas que trabalham com henna e lojistas vendendo temperos, cerâmicas e tecidos.

Recentemente, Marrakesh ecoa também ruídos mais modernos: o zumbido da construção de resorts de luxo para acomodar uma crescente onda de turistas. Faz tempo que Marrakesh é um refúgio procurado pelos marroquinos mais ricos, mas o aumento no número de visitantes estrangeiros abastados está chamando a atenção do mundo para a chamada Cidade Vermelha, apelidada assim por causa de seus edifícios cor de rosa.

Mais de 11 milhões de pessoas visitaram o Marrocos em 2017, um aumento de 10% em relação ao ano anterior, de acordo com o ministério do turismo do país. Mais voos, o relaxamento das regras para a obtenção de vistos e um esforço coordenado do Marrocos para modernizar a infraestrutura e melhorar a segurança desempenharam um papel importante. Conforme aumenta o número de visitantes no Marrocos, Marrakesh está se reinventando para atrair sua fatia deste público.

“Novos resorts e hotéis de alto padrão estão começando a oferecer muito mais do que acomodações de luxo para incentivar as pessoas a permanecer por mais tempo", disse Alexis Reynaud, da firma de pesquisas Oxford Business Group.

A M Avenue está à frente do grupo, um projeto multiuso de US$ 100 milhões conhecido como Avenida dos Jardins, pois deve incluir cerca de 10 mil metros quadrados de jardins e áreas de paisagismo em meio a lojas, restaurantes, cafés, galerias e pousadas.

“Tentamos criar um novo centro da cidade", disse Nabil Slitine, diretor executivo da M Avenue Development, que em 2011 ajudou a inaugurar aqui o Four Seasons Resort, um dos primeiros hotéis internacionais da cidade.

Ali perto, um hotel W está em construção, e um hotel Ritz-Carlton deve ser inaugurado em 2022. Um hotel Park Hyatt está em construção em meio a um complexo urbano de golfe e comércio de US$ 450 milhões conhecido como Marrakech Golf City, que deve ser inaugurado em 2024.

O governo promoveu o país. O relaxamento das regras para a obtenção de visto relacionadas a países específicos também incentivou o turismo. Em junho de 2016, o Marrocos aboliu a exigência de visto para os chineses. Em 2017, 118 mil visitantes vieram da China, uma alta de 1.022% em relação a 2015.

Os visitantes já procuram Marrakesh em grandes números para visitar jardins secretos, relaxar nas saunas marroquinas chamadas hammams e caminhar pelos souks. Esses mercados vendem tapetes berberes, tagines típicos pintados à mão, tâmaras e nozes. Mas Marrakesh também está se apresentando como um destino do mapa da arte contemporânea.

No final de 2017, um museu Yves Saint Laurent foi inaugurado na região de uma das antigas residências do estilista francês perto do Jardim Majorelle. Projetado pelo pintor francês Jacques Majorelle, os jardins contêm centenas de espécies de plantas, córregos e lagos, e edifícios de um azul claro, fazendo do espaço um grande atrativo.

“Os museus de alto padrão e a arte ajudam a atrair viajantes mais ricos”, disse Reynaud. “Os turistas podem visitar as galerias e também comprar obras de arte a preços relativamente baixos se comparados aos de Londres, Nova York e Paris.”

A M Avenue também terá novas galerias mostrando o trabalho de artistas iniciantes. Também está nos planos um espaço chamado M Bab, um imersivo centro cultural multimídia de 3 mil metros com cinemas. O hotel Pestana CR7, planejado pela M Avenue, também trará a influência de Portugal. Esta parceria entre a maior rede de hotéis portuguesa e Cristiano Ronaldo, o craque do futebol, é voltada para o público millennial.

Tantas construções novas mudaram a cidade, disse Reynaud. “Marrakesh está muito diferente do que era há cinco anos", disse ele. “Não somos mais um destino procurado apenas pelos mochileiros.”

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