Elizabeth Bick/The New York Times
Elizabeth Bick/The New York Times
Vincent K. Mallozzi, The New York Times – Life/Style

18 de dezembro de 2020 | 05h00

Inesquecível. É a palavra que trouxe os mundos de Kaitlyn Folmer e Jonathan Morris para a mesma órbita após um breve, mas indelével encontro mais de sete anos antes. “Quando conheci Kaytlin, eu a achei uma mulher super-inteligente, muito eficiente e cheia de energia”, disse Morris, de 48 anos. “Era uma pessoa realmente difícil de esquecer”.

Os dois se conheceram em março de 2013, quando ambos estavam em Roma para a reportagem da renúncia do papa Bento XVI e o conclave que elegeu o papa Francisco. Kaitlyn Folmer, de 37 anos, produtora investigativa de Nova York para a ABC News na época, estava agendando os convidados para o programa Good Morning America. Um deles era o Cardeal Timothy Dolan, arcebispo de Nova York, cujo braço direito era Morris.

Morris era então sacerdote católico e um assessor de imprensa, além de analista da Fox News. Durante o processo de agendamento, ela disse, ficou “incrivelmente impressionada” com Morris. “Ele era muito gentil e agradável, e gostei do fato de que também falava italiano”, disse Kaitlyn, que naquele tempo morava no Upper West Side de Manhattan. Depois da viagem a Roma, contou: “De vez em quando eu o via na TV”.

Um dia, em junho de 2019, Kaitlyn viu novamente Morris na TV, desta vez discutindo sua decisão de deixar o sacerdócio para uma nova vida que poderia incluir o casamento e uma família. Quatro meses antes, em fevereiro de 2019, Morris havia recebido de Dolan um ano sabático para refletir sobre uma decisão que mudaria a sua vida. “Eu buscava uma dispensa especial para deixar o sacerdócio”, disse Morris.

“Nos dois dias que se seguiram ao anúncio que fiz naquela entrevista, recebi cerca de 25 mil e-mails”. Um deles era de Kaitlyn, embora Morris não o tenha visto por causa do enorme volume de mensagens na sua caixa de entrada. Uma semana mais tarde, Morris notou um post de Kaitlyn na sua rede  social e pensou que seria um bom momento para procurá-la e lhe enviou uma mensagem direta no Twitter.

“Kaitlyn, não sei se você se lembra de mim, nós nos conhecemos em Roma quando eu era sacerdote católico”, escreveu. “Pedi a dispensa ao Papa Francisco para a possibilidade de eu deixar o sacerdócio. Imagino que você esteja ainda em Nova York, poderíamos almoçar juntos?”

Kaitlyn disse que, quando viu a mensagem, ficou ”curiosa e também entusiasmada”. “Eu sabia o que ele havia dito em sua solicitação, e queria compreender melhor o motivo do abandono do sacerdócio. Sou uma produtora investigativa, portanto ser curiosa faz parte da minha natureza”.

Eles se encontraram para almoçar no Match 65, um restaurante de Manhattan, no dia 13 de junho de 2019, que por acaso era o do aniversário de Kaitlyn. “Tomamos vinho rosé e conversamos por cerca de duas horas. Nós nos entendemos muito bem. Foi um momento extremamente agradável".

Em seguida, cada um foi cuidar dos próprios compromissos e Kaitlyn ficou esperando um telefonema de Morris que demorou três semanas. Ele encontrou Kaitlyn mais uma vez durante o fim de semana do feriado da independência de 2019. Kaitlyn estava em um tribunal federal de Nova York, trabalhando para a rede de televisão ABC na história de Jeffrey Epstein, que explodiu depois da prisão de Epstein, acusado de tráfico sexual.

“No meio de toda aquela loucura, recebi uma mensagem e era de Jonathan”, contou Kaytlin. “Eu disse: ‘Olá, o que está acontecendo? Faz algum tempo que não recebo notícias suas’”. “Ele explicou que andara ocupado com o novo emprego e várias outras coisas, e perguntou se eu gostaria de jantar com ele”.

No dia 21 de julho, eles tiveram o seu primeiro jantar juntos no Shalel Lounge, outro restaurante de Manhattan. Morris afirmou que embora se sentisse “muito atraído por Kaytlin, ela sabia perfeitamente que não estávamos entrando em um relacionamento exclusivo”.

Embora ela admitisse que “na época, tinha sentimentos por ele”, também observou que “estaria muito ocupada com o trabalho”. Entretanto, na noite seguinte, jantaram juntos novamente – “os padres também precisam comer”, observou Morris, rindo – antes de voltar para a sua nova vida em Akron. Mesmo que nenhum deles se preocupasse em admiti-lo, estava nascendo um relacionamento de fato. “Depois do nosso segundo jantar, ele passou a me ligar pelo menos uma vez por dia”, disse Kaytlin. Nos meses seguintes, Kaytlin e Jonathan tornaram-se amigos muito próximos.

Em outubro, ele tomaram uma decisão importante, e foi Morris que sugeriu que deveriam levar o seu relacionamento para o patamar seguinte. “Ele virou para mim um dia, enquanto assistíamos a um jogo na TV e disse: 'Quero ficar com você – só você, mais ninguém'”, ela contou. Eles casaram no dia 17 de outubro em um dos lugares preferidos de Morris, a Catedral de São Patrício, em Nova York.

Monsenhor Robert T. Ritchie, reitor da catedral, oficiou a cerimônia diante de 200 convidados entre familiares e amigos, mantendo o distanciamento obrigatório e sentados a cada três bancos, marcados com arranjos de flores. (Uma recepção rápida no Skytop de Hudson Yards Fifteen, seguiu-se à cerimônia, e mais tarde um jantar para 50 pessoas no terraço externo do Winged Foot Golf Club em Mamaronek em Nova York).

Dezesseis meses depois do primeiro almoço até a primeira dança, ao som de Bless the Broken Road, com a banda Rascal Flatts, perguntaram à noiva se ela definiria o seu relacionamento com o noivo um verdadeiro redemoinho. “Quando você sabe, você sabe”, ela respondeu. “Com Jonathan, eu soube. Ele era realmente inesquecível”. /  TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

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