Jeenah Moon para The New York Times
Jeenah Moon para The New York Times

Relógios são negociados como ações de grande liquidez

Durante décadas, relógios foram símbolos de luxo, riqueza e gosto pessoal. Agora, são um investimento em potencial

Paul Sullivan, The New York Times

08 Junho 2018 | 15h15

Como outros homens que têm paixão por relógios, Cade Mlodinoff começou sua obsessão cobiçando um modelo, o Tag Heuer. Quando o adquiriu, aos dez anos, custou US$ 400.

“Na época, era todo o dinheiro que eu tinha”, contou Mlodinoff, 33.

Há dezenas de anos, os relógios são símbolos de luxo. Mas hoje, seu potencial como investimento pode ser monitorado mais facilmente graças à tecnologia.

Um leilão realizado recentemente pela Sotheby’s rendeu mais de US$ 9 milhões. No ano passado, o Rolex Daytona de Paul Newman foi vendido por US$ 15,5 milhões. Mas neste patamar, o ar é rarefeito.

“Relógios clássicos de qualidade podem ser adquiridos por alguns milhares de dólares”, disse John Reardon, diretor internacional do setor de relógios da Christie’s. O mercado de relógios que custam menos de US$ 10 mil “é uma das áreas de crescimento mais agressivo neste momento”.

Até pouco tempo atrás, os relógios dignos de fazer parte de coleções, ou da moda, eram geralmente adquiridos em lojas especializadas ou por meio de casas de leilões. Hoje, sites como WatchBox e Hodinkee tentam criar uma maior transparência para as pessoas que compram itens por milhares de dólares, não milhões. O objetivo é aumentar a visibilidade desse mercado.

“Estamos transformando em dinheiro um relógio de pulso como se fosse um ativo”, explicou Danny Govberg, diretor-executivo do WatchBox. “Os relógios têm um valor inegável, assim como um diamante. Podemos levar um diamante para qualquer lugar do mundo e vendê-lo. Nós estamos criando um mercado mundial para relógios”.

Segundo Govberg, certos relógios são negociados como as ações de grande liquidez. Um Rolex Submariner é conhecido em estilos novos e da moda, por isso a variação de seu preço é limitada. Recentemente, o WatchBox tinha nove à venda, de US$ 9 mil a US$ 13 mil.

Quanto aos relógios como investimento, seu mercado é dominado por duas marcas: Rolex e Patek Philippe.

Os relógios conhecidos além do círculo dos aficionados tendem a aumentar de valor, disse Benjamin Clymer, fundador e diretor-executivo do Hodinkee. O Rolex Daytona de Paul Newman pertence a esta categoria. O Omega Speedmaster, que os astronautas usaram na missão à Lua da Apollo 11, é outro. Distinguir o investimento potencial de certos relógios pode ser tão complexo quanto o maquinário que os faz funcionar.

“As coisas podem mudar muito rapidamente no mundo dos relógios, assim como acontece com outros investimentos relatou Daryn Schnipper, presidente da divisão internacional de relógios da Sotheby’s. “Uma das coisas em que acho que as pessoas deveriam estar sintonizadas é a quantidade produzida e as tendências de uma companhia - seja ela sólida ou recém-criada”.

Mlodinoff, que comprava e vendia relógios, experimentava os altos e baixos dos investimentos. No lado positivo, ele tem um Audermars Piguet Royal Oak que adquiriu há três anos por US$ 23 mil, mas acredita que, agora, seu valor seja US$ 30 mil. Entretanto, há sete anos, ele comprou um IWC Big Pilot’s Watch de uma edição limitada por US$ 40 mil, que hoje vale a metade deste preço.

“Eles continuaram produzindo diferentes edições limitadas, mas afetaram o mercado deste nicho”, afirmou.

Mais conteúdo sobre:
relógio leilão investimento

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.