Tony Luong para The New York Times
Tony Luong para The New York Times
George Gene Gustines, The New York Times

14 de outubro de 2018 | 06h00

Com seu último livro, uma história em quadrinhos autobiográfica, Jarrett J. Krosoczka garimpou sua infância para contar uma história relevante em relação à atual epidemia de opioides nos Estados Unidos.

"Hey, Kiddo" conta como foi ter sido criado pelos avós em Massachussetts. Krosoczka, hoje com 40 anos, não conhecia o pai, e a mãe travou uma batalha contra o vício em heroína que acabou lhe custando a vida.

"Há tantas crianças por aí cujos pais fazem coisas terríveis", disse Krosoczka. "É importante que as crianças saibam que isso não faz delas pessoas ruins."

O livro tem como público-alvo jovens adultos. O prelúdio nos apresenta a Joseph (Joe), seu avô, que instrui o jovem Jarrett durante um ritual de amadurecimento. "Você sabe por que estou te ensinando a dirigir em um cemitério, né?", ele pergunta. "Porque todos aqui já estão mortos", ambos respondem juntos (Joe com um sorriso; Jarrett, levantando as sobrancelhas levemente).

Os balões com as falas dos personagens não são delineados nas páginas, e as cenas são retratadas em tons de cinza e laranja (uma homenagem aos lenços de bolso que o avô usava para conferir à vestimenta algo de cor).

Quando sua mãe, Leslie, se vê grávida e sem marido, a avó dele, Shirley (Shirl), despeja uma torrente de terríveis adjetivos contra ela - mas isso dá lugar à doce conversa de bebê quando Jarrett nasce.

Krosoczka viveu com sua mãe por cerca de dois anos, mas as boas lembranças - os brinquedos de banheira do Charlie Brown, o cereal do café da manhã, as fantasias de dia das bruxas - são sobrepujadas por duras realidades. Vemos o começo do seu uso de heroína, uma onda de furtos em lojas e homens desconhecidos - ela ajuda dois deles a ocultar evidências de um assassinato. Este foi o incidente final que permitiu a Joe obter a custódia legal de Jarrett.

Ao longo dos anos, toda vez que Krosoczka se empenhava em trabalhar na sua história pessoal, ele hesitava, preocupado com "o que as pessoas diriam". A preocupação envolvia potenciais reações por parte dos parentes representados e dos fãs que o conheciam por trabalhos como "Lunch Lady", no qual a moça que serve os sanduíches de carne moída na escola também faz justiça.

David Levithan, o editor do livro, pressionou Krosoczka, seu amigo de longa data. “Entendi que você estava desviando do assunto'", disse ele. "Você chama a personagem de Leslie, mas é sua mãe. Esse livro é a respeito da sua mãe. Esse é o coração da história."

O encontro dele com o pai, Richard Henessy, ocorre aos poucos. Ele descobre o nome e o sobrenome do pai, e eles trocam cartas. Uma foto permite que ele veja o pai pela primeira vez, assim como um irmão e uma irmã.

A mãe de Krosoczka morreu de overdose em 23 de março de 2017, enquanto ele revisava o livro. Na funerária, ele se deu conta que havia cinco exemplares de "Lunch Lady” perto da caixa com as cinzas dela. O filho de um funcionário era seu fã e queria autógrafos.

No princípio, Krosoczka ficou surpreso. "Meu segundo pensamento foi: 'Bom, pelo menos minha mãe conseguiu vir a uma última sessão de autógrafos'. Ela sempre esteve presente. Mesmo que nosso relacionamento não fosse bom, ela estava sempre nos meus pensamentos."

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