Hiroko Masuike/The New York Times
Hiroko Masuike/The New York Times

Com modelo sintético, empresa comercializa rinques de patinação sem gelo

Modalidade pode trazer o passatempo da patinação e do hóquei no gelo para regiões de clima ameno

Alyson Krueger, The New York Times

21 de fevereiro de 2020 | 06h00

Era um encantador cartão-postal de inverno. No teto do hotel William Vale, em Nova York, pessoas devidamente equipadas estavam patinando em um rinque. Algumas caíram; outras patinavam em alta velocidade. Mas ninguém estava deslizando no gelo de verdade; a superfície era formada por painéis de polímeros que simulam as propriedades do gelo.

Desenvolvido pela Glice, empresa de Lucerna, Suíça, esse rinque dispensa o frio, as lâminas especiais, a eletricidade e a água (a não ser na hora da limpeza). Quando chega ao fim a temporada de patinação, os painéis podem ser empilhados e armazenados. Com a Glice, a temporada de patinação pode durar o ano inteiro.

Fundada na Europa oito anos atrás, a Glice tem 1,8 mil rinques espalhados pelo mundo. A oferta da Glice é mais sustentável do ponto de vista ecológico - e certamente mais conveniente - que os rinques de gelo tradicionais. Um rinque tradicional exige um tanque de água, tubulação refrigerada, um compressor funcionando 24 horas e o zamboni, que refaz a superfície depois que esta fica marcada, despejando uma nova camada de água para ser congelada. 

Os rinques sintéticos podem trazer o passatempo da patinação e do hóquei no gelo para regiões de clima ameno. Faz anos que empresas como Xtraice e PolyGlide desenvolvem rinques sintéticos. Dez anos atrás, o jogador de hóquei profissional Toni Vera, da Espanha, formado como engenheiro, estava insatisfeito com o estado do gelo sintético da época, e passou oito anos desenvolvendo seu produto.

Viktor Meier, diretor da Glice, convenceu Vera a entrar para a empresa. O primeiro cliente deles, em 2012, foi uma empresa canadense que opera centros de treinamento de hóquei. Meier mantém segredo a respeito da fórmula da Glice. “Trazemos os ingredientes da Alemanha, onde são produzidos em um processo especial de alta pressão e calor", disse ele. “Então os painéis são recortados numericamente por máquinas computadorizadas para criar um encaixe fácil, resistente e invisível.” Na limpeza, o maior desafio está em chegar a esse encaixe com um pressurizador.

O governo da Cidade do México diz ter poupado 185,5 mil litros de água e 85 toneladas de dióxido de carbono com um rinque instalado em dezembro no Zócalo, praça principal da cidade. Para os críticos, a solução da Glice ainda agride o meio-ambiente, pois os rinques são feitos de plástico. Mas a empresa disse que seu plástico é durável, com uma vida útil de 12 anos para os painéis, que podem então ser virados de ponta cabeça e usados por mais 12 anos.

A relativa acessibilidade da Glice também torna a ideia atraente. A Central Park Conservancy, em Nova York, disse que teria de gastar US$ 110 milhões no conserto do Lasker Rink, que consiste na verdade em dois rinques de 60 por 20 metros, entre outras reformas necessárias. Em comparação, os rinques da Glice custam entre US$ 80 mil e US$ 150 mil (rinques de 185 a 371 metros quadrados).

Em dezembro, a engenheira Kimberly Clavin, de Columbus, Ohio, tinha uma surpresa de Natal para os filhos de 9 e 12 anos: um rinque da Glice de três por quatro metros no porão. “Quando conto isso para as pessoas, recebo olhares desconfiados, mas digo que o rinque não é mais caro que uma mesa de sinuca, e muito mais barato que uma banheira quente", disse Kimberly. “Logo as pessoas se darão conta que isso é apenas outra alternativa de recreação.” / TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL

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