Kimimasa Mayama/EPA, via Shutterstock
Kimimasa Mayama/EPA, via Shutterstock

Robôs ainda não estão prontos para uso doméstico

Muitos tecnólogos continuam otimistas de que o robô doméstico esteja próximo

John Markoff, The New York Times

02 Novembro 2018 | 06h00

SAN FRANCISCO - Faz 16 anos que o aspirador de pó automatizado Roomba foi lançado pela iRobot. Em se tratando de robôs, o Roomba não era grande coisa. O aparelho simplesmente vagava pelos cômodos recolhendo poeira e migalhas. Na sua encarnação seguinte, o robô era capaz de voltar até uma base de recarga da bateria.

Mas, diferentemente de robôs como o cãozinho da Sony, Aibo, seu preço é muito mais acessível. O produto foi um sucesso para a iRobot, empresa nascida do Massachusetts Institute of Technology.

Desde então, tivemos ondas de tentativas fracassadas de criar produtos robóticos mais sofisticados para o lar por parte de empresas nos Estados Unidos, Japão, Coreia do Sul e Europa. Os esforços buscaram construir robôs humanóides, robôs de companhia, robôs cozinheiros, robôs que cuidam da roupa suja, robôs que dobram as roupas e robôs que trocam a areia do gato.

Mas ainda não surgiu outra categoria bem sucedida de robô doméstico além do simplório aspirador de pó.

Apesar do otimismo persistente, os pesquisadores das áreas de robótica e inteligência artificial aprenderam que as coisas que os humanos fazem sem pensar são as tarefas mais difíceis para as máquinas. John McCarthy, pioneiro do segmento de inteligência artificial, colocou a mão no bolso para tirar dali uma moeda, como exemplo de um tarefa extremamente desafiadora para um robô.

Muitos pesquisadores passaram a acreditar que as recentes revoluções no aprendizado de máquina não serão suficientes para a construção de robôs mais habilidosos nos movimentos e na realização de tarefas domésticas. Para tanto, é provável que sejam necessárias sucessivas revoluções tecnológicas.

Apesar dos repetidos fracassos, muitos tecnólogos continuam otimistas na crença de que o robô doméstico esteja próximo.

Na Universidade Stanford, Califórnia, o especialista em robótica Kenneth Salisbury desenvolveu o protótipo de robô doméstico PR1 dez anos atrás.

O PR1 foi a inspiração para a Willow Garage, uma startup fundada por Scott Hassan, um dos programadores originais do Google. A Willow Garage produziu outro protótipo de robô doméstico, o PR2, que teve uma série de versões, mas nenhuma aplicação doméstica comercial resultou dessas pesquisas.

Tanto o PR1 quanto o PR2 foram explorações iniciais da ideia de autômatos capazes de desempenhar tarefas caseiras comuns, como preparar um café, colocar e tirar as roupas na máquina de lavar, e buscar uma cerveja na geladeira. Os protótipos de robôs só foram capazes de realizar essas tarefas em experimentos altamente controlados.

Agora, especialistas em robótica de Stanford estão trabalhando num robô que poderia funcionar em casa. Silvio Savarese comanda uma equipe encarregada do desenvolvimento de um robô chamado JackRabbot, pensado para uso doméstico e no campus, desempenhando também algumas tarefas do lar. Mas localizar-se numa habitação ainda é difícil, disse ele.

Para a pilotagem, os engenheiros dos carros sem motorista usam uma tecnologia chamada “localização e mapeamento simultâneos" (SLAM, em inglês). Com ela, é possível criar um mapa de um ambiente desconhecido e conduzir o carro com precisão. Mas, num lar, repleto de objetos - e também de humanos, que se movimentam com frequência - a SLAM não é suficiente, disse Savarese.

Em parceria com um grupo de pesquisadores da Universidade da Califórnia, em Berkeley, os especialistas em robótica de Stanford desenvolveram um novo simulador de navegação. O sistema, conhecido como Gibson Environment, reúne mapas tridimensionais de milhares de ambientes do mundo real para possibilitar que os robôs regras gerais de deslocamento.

Assim, será que estamos chegando perto do dia em que um robô ajudará a arrumar a casa?

“Apanhar objetos no chão é algo que está ao alcance, se conseguirmos reduzir o preço do braço", disse o especialista em robótica Ken Goldberg, de Berkeley.

O grupo dele também faz experimentos com um robô capaz de fazer a cama - devagar, é verdade, mas ele argumenta que tal tarefa não precisa ser realizada com a mesma velocidade que os humanos.

Os pesquisadores de Berkeley estão fazendo experimentos usando um robô fornecido pelo Instituto de Pesquisas da Toyota.

Apesar dos novos investimentos, os pesquisadores têm consciência do fato de os robôs domésticos já 

parecerem estar ao alcance há décadas.

Para Kai-Fu Lee, um dos principais pesquisadores chineses de inteligência artificial e agora investidor de tecnologia, “O problema é que a combinação entre baixo custo, alta expectativa e nenhuma paciência dificulta a tarefa de se criar um grande produto".

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