David Appleby/Paramount Pictures, via Associated Press
David Appleby/Paramount Pictures, via Associated Press

‘Rocketman’ é a mais nova aposta ambiciosa de Hollywood

Filme retrata dependência de álcool, cocaína e sexo de Elton John; se bilheteria alcançar até metade dos ingressos de 'Bohemian Rhapsody', Paramount deve considerar a produção um sucesso

Brooks Barnes, The New York Times

30 de maio de 2019 | 06h00

LOS ANGELES - Diversos estúdios de cinema recusaram a oportunidade de fazer Rocketman, um musical sobre os anos de hedonismo de Elton John. Muito gay. Muito caro. Muito dependente de uma estrela não comprovada. Mas uma empresa cinematográfica, a Paramount Pictures, viu o projeto audacioso como uma chance de provar algo para Hollywood e Wall Street - ou seja, para usar uma referência de Elton John, e mostrar que ainda está de pé.

 

Agora é o momento da verdade. Rocketman, atualmente em lançamento global, chegou como talvez o filme mais ambicioso da temporada de verão de Hollywood, um período de quatro meses que normalmente representa 40% das vendas anuais de ingressos e depende esmagadoramente de franquias.

Estrelado por Taron Egerton e custando cerca de US$ 120 milhões para ser feito e comercializado em todo o mundo, Rocketman tem brilho - um milhão de cristais Swarovski adornam os trajes e os óculos - e retrata o sexo gay, pela primeira vez por um grande estúdio. Egerton, de 29 anos, conhecido pela comédia de ação Kingsman, cantou todas as músicas do filme. Há uma complexa coreografia e um número musical de orgia definido como Bennie e the Jets.

 

Dependendo do desempenho de bilheteria, Rocketman pode gerar um grande efeito cascata. A Paramount entregou nove trimestres consecutivos de melhores resultados financeiros para a Viacom, sua proprietária, mas uma reviravolta ainda é infundada. Um grande sucesso enviaria uma mensagem à comunidade criativa de Hollywood e aos investidores da Viacom: mesmo na era da Netflix e da Marvel, a Paramount pode dar lucro.

 

As apostas também são altas para Egerton. Seu filme anterior, Robin Hood, da produtora Lionsgate, foi uma bomba para crítica e comercialmente. Se este fracassar, as oportunidades de protagonismo para Egerton podem desaparecer. Dexter Fletcher, que dirigiu Rocketman, também está esperando por um momento definidor de carreira. Fletcher, que também atua, nunca teve sucesso como cineasta, apesar de ter ganho pontos em Hollywood por terminar Bohemian Rhapsody depois que o diretor creditado, Bryan Singer, foi demitido.

 

De certa forma, quase todos os grandes estúdios têm algo relacionado a Rocketman. Filmes criados em torno de catálogos de músicas se tornaram populares em Hollywood. A bilheteria de Rocketman pode aquecer ou arrefecer o interesse dos estúdios. Executivos de cinema sonham em encontrar outro Bohemian Rhapsody, a cinebiografia musical do Queen que arrecadou US$ 908 milhões em todo o mundo no ano passado e ganhou quatro Oscars.

 

Há sinais de que a aposta da Paramount em Rocketman valerá a pena. O filme teve sua estreia mundial em 16 de maio no Festival de Cannes, onde os participantes livremente vaiam se não gostam do que veem. Rocketman recebeu uma ovação prolongada de pé e críticas positivas.

 

Doug Creutz, analista da Cowen and Company, espera que Rocketman arrecade cerca de US$ 120 milhões nos Estados Unidos e no Canadá, e seja um dos 12 maiores filmes do verão. Ainda assim, o sucesso de Rocketman está longe de ser garantido.

Elton John

 

Quanto clamor há pela música de Elton John? Pode haver muita coisa: John passou a última década realizando shows com ingressos esgotados em Las Vegas e viajando pelo mundo com resultados semelhantes. Por outro lado, ele passou a última década se apresentando. Bohemian Rhapsody se beneficiou da demanda reprimida por Freddie Mercury, que morreu em 1991 devido às complicações da aids.

 

Um dos maiores desafios da Paramount envolve a percepção de sucesso. Se Rocketman vender até metade do número de ingressos alcançados por Bohemian Rhapsody, será um grande sucesso. Mas tente dizer isso para aqueles que escrevem sobre as manchetes de bilheteria.

 

Não há como a Paramount evitar comparações com Bohemian Rhapsody, apesar de Rocketman ser um filme nitidamente com maior sensibilidade autoral. O filme de Fletcher começa e termina com Elton John na reabilitação, onde ele se identifica como alcoólatra, viciado em cocaína e em sexo. As imagens gays foram amplamente menosprezadas em Bohemian Rhapsody. Mas a representação de relacionamentos entre pessoas do mesmo sexo em Rocketman poderia limitar o interesse em lugares mais conservadores.

 

Espera-se que Rocketman gere enormes vendas de ingressos em países como a Inglaterra, mas o filme não passará pelos censores chineses sem uma severa “limpeza”, algo que Elton John provavelmente proibirá. "Mesmo que o filme não ganhe um centavo nas bilheterias - o que matará Jim Gianopulos - é o filme que eu queria fazer", disse Elton John após a estreia em Cannes, referindo-se ao presidente da Paramount.

 

Para superar as dificuldades de bilheteria, a Paramount investiu com força no marketing do filme. Gianopulos até comparou Rocketman a um filme de super-herói na última CinemaCon, uma convenção em Las Vegas para donos de cinemas. "Se músicos fossem super-heróis, Elton John seria Rocketman - capaz de escapar da gravidade do comum, do medo e do preconceito”, disse. / TRADUÇÃO DE ROMINA CÁCIA 

 

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