Alexander Coggin para The New York Times
Alexander Coggin para The New York Times

Roger Federer vira investidor de empresa de calçados

A On está ganhando mercado como rival discreta de gigantes como Nike e Adidas na categoria de calçados para esportes de resistência.

Elizabeth Paton, The New York Times

03 de dezembro de 2019 | 06h00

Se você encontrar Roger Federer no aeroporto, não se surpreenda se ele o olhar de cima abaixo, abaixo principalmente. É que Federer tem a fixação típica de um aficionado dos tênis. O campeão suíço afirmou que não é “obcecado”, mas está “sempre olhando para os pés das pessoas nos aeroportos”.

Federer contou que tem pelo menos 250 pares de tênis, mas acrescentou que provavelmente esta é uma estimativa conservadora. Nos últimos tempos, Federer começou a falar abertamente em aposentadoria. É aí que entra a empresa suíça On. O tenista se tornou um investidor na marca, e contribui também como designer de produtos e representante.

Talvez a gente não reconheça o nome, mas pode reconhecer as dimensões do seu culto pelos calçados Cloud, que têm no logotipo um interruptor “On”, uma pequena bandeira da Suíça e uma sola de borracha com amortecedores multiglobulares. (A tecnologia patenteada, chamada CloudTec, proporciona aos corredores um pouso suave, e uma arrancada super rápida.)

A On, que cresceu inicialmente graças à propaganda de boca em boca entre os atletas olímpicos e dos esportes de resistência e, nas lojas especializadas em artigos para corredores, está ganhando mercado como rival discreta de gigantes como Nike e Adidas na categoria de calçados para esportes de resistência.

Quando o seu patrocínio com a Nike, iniciado há dezenas de anos, terminou em 2018, Federer assinou um contrato para o fornecimento de calçados com a Uniqlo, ao que dizem, de US$ 300 milhões. E também parcerias com outras marcas, como Rolex, Moët & Chandon e Mercedes Benz.

Federer começou a usar tênis On para os seus treinos de sprint, e desde então criou um relacionamento com a marca. Produtos desenhados por ele já estão sendo fabricados para o próximo ano, e ele representará a marca publicamente. Nem Federer, que é o tenista mais bem pago do mundo, com um faturamento líquido calculado em US$ 450 milhões, nem a On, especificaram os termos financeiros do acordo.

A On afirma que é lucrativa desde 2014 (foi fundada em 2010). Os tênis da companhia são vendidos em 55 países; ela tem cerca de 500 funcionários, e começou a produzir calçados também para uso diário, caminhada e corrida em trilha, além de outros artigos esportivos.

A popularidade dos tênis de resistência diminuiu. No seu lugar, há calçados lifestyle esportivos, que deverão tornar-se a maior categoria de calçados dos Estados Unidos, segundo a empresa de pesquisa NPD. Matt Powell, assessor da NPD, disse que a On parece contrariar esta tendência.

“As pessoas não precisam mais de tênis caros e tecnicamente perfeitos - eles precisam apenas ser de boa qualidade”, afirmou. “Mas há ainda dezenas de milhões de pessoas que praticam a corrida e querem este tipo de calçado”. “Às vezes, por ser um atleta de uma certa idade, eu me sento um astro no crepúsculo”, afirmou. Ele disse que nunca ficou pensando na vida depois do tênis. “Agora,” afirmou, “é bom eu me preocupar com o que virá a seguir”. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

Tudo o que sabemos sobre:
Roger Federertênis

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.