Leon Neal/Getty Images
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O que há por trás dos 'ladrões de valores'

Muitos roubos que ocorrem hoje em dia ainda são realizados da maneira antiga, e não exigem muito mais do que coragem

Robb Todd, The New York Times

27 de outubro de 2019 | 06h00

Uma profissão que aparentemente independe da automação é a do ladrão de valores, mais interessado em joias ou obras de arte. Muitos roubos que ocorrem hoje em dia ainda são realizados da maneira antiga, e não exigem muito mais do que coragem. Foi o que bastou praticamente, há 55 anos, segundo um artigo do Times sobre o maior roubo de joias da história de Nova York. Em 1964, alguns jovens ladrões bem vestidos, que eram também surfistas, roubaram o Salão das Gemas do Museu de História Natural.

“Os três – Jack Murphy, Allan Kuhn e Roger Clark – eram jovens de praia, bronzeados, 20 anos aproximadamente, chiques, arrogantes, do tipo dos Rat Pack daquela época”, escreveu o autor da matéria, Corey Kilgannon.

Um dos itens surrupiados foi A Estrela da Índia, uma das maiores safiras do mundo de 563 quilates, e o museu estimou o seu valor total em US$ 410 mil, cerca de US$ 3,3 milhões em dólares atuais. “Na realidade, não foi tanto assim – algo deste gênero a gente podia levar em qualquer momento”, disse Murphy. “Foi como convidar os colegas para jogar bola”.

Eles foram apanhados em Miami dois dias mais tarde e, em troca de uma pena mais branda, cooperaram na recuperação das gemas, que já haviam sido vendidas. Hoje com 82 anos, Murphy vive na Florida e dá assistência religiosa a presos, atividade que começou quando ele estava na cadeia. Mas Floridian, também de 82 anos, contaram os investigadores, estava longe de se aposentar da sua vida de crimes – até ser preso recentemente em Nova York.

A polícia informou que um suspeito chamado Samuel Sabatini ficou foragido por dez anos, e tinha uma técnica de baixa tecnologia, por assim dizer. Ele usava óculos enormes, roupas simples e fingia morar no edifício que pretendia roubar. Ele se introduzia no prédio debaixo do nariz dos porteiros, noticiou o jornal, “conversando com os moradores ou fazendo gracinhas para os seus cachorros, e entrava com eles”.

A estratégia era tão eficiente, segundo os investigadores, que Sabatino roubou cerca de US$ 400 mil em joias e relógios em suas façanhas mais recentes. “Não era o típico ladrão mascarado”, disse o tenente Kevin Blake, que dirigiu a investigação. “Estávamos ficando decepcionados por não conseguir pegar o sujeito. Quero dizer, afinal ele tem 82 anos, mas é muito escorregadio, para dizer o mínimo”.

Em San Francisco, um ladrão fez as suas artimanhas parecerem até mais simples. Entrou tranquilamente em uma galeria de arte, pegou uma gravura de Salvador Dali e segundos mais tarde, saiu com toda a calma. “Eu estava sozinho na galeria, virei as costas por um minuto; quando olhei de novo, tinha desaparecido”, contou Rasjad Hopkins, diretor assistente da galeria. “Não vi quem foi”.

Mais difícil, mas potencialmente mais lucrativo para um grupo de ladrões retirar um vaso sanitário de ouro da residência da família de Winston Churchill em Oxfordshire, Inglaterra. O vaso, funcional e valioso, uma obra intitulada America por seu criador, Maurizio Cattelan, fazia parte de uma mostra de arte que se realizava no local, depois de ter sido exposto no Guggenheim, em 2016. O valor do ouro, se chegasse a ser fundido, foi estimado em US$ 4 milhões.

Inicialmente, Cattelan disse que pensou que se tratasse de uma brincadeira. “Quem seria tão idiota a ponto de roubar uma privada?”,  questionou. “Por um segundo, esqueci de que o objeto era de ouro”. Provavelmente ele foi o último a usar o vaso, mas acrescentou: “Prometo que vou ter um álibi para a noite”. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

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