Joe Pugliese/Harpo Productions
Joe Pugliese/Harpo Productions

Roupa escolhida por Adele para entrevista com Oprah é cheia de significado político

O vestido que Adele usou para o show de “One Night Only” era perfeito para uma diva, mas o terninho branco que ela usou para a entrevista com Oprah fez uma afirmação ainda mais forte

Vanessa Friedman, The New York Times - Life/Style, O Estado de S.Paulo

19 de novembro de 2021 | 05h00

Enquanto o ressurgimento de Adele continua com o golpe duplo de uma entrevista com Oprah Winfrey e o show One Night Only no Observatório Griffith em Los Angeles na frente de uma multidão realmente estrelada - tudo como prelúdio para o lançamento de um álbum nesta sexta-feira, 19, - o mesmo acontece com seu domínio da arte da imagem; sua mensagem de força e liberdade pós-divórcio contada por meio de todas as ferramentas performáticas à sua disposição. Incluindo suas letras, sua entrevista e (sim) suas roupas.

Não tanto o vestido preto de tafetá Schiaparelli estilo sereia que ela usou para subir ao palco para seu show, mas o terninho branco que ela usou para a sua entrevista com Oprah.

O terninho branco que ela vestiu, por exemplo, enquanto falava sobre terminar seu casamento “e encontrar minha própria felicidade”, sobre a alegria de levantar peso, sobre parar de beber, sobre se sentir segura em seu novo eu, sobre ter domínio de sua própria imagem corporal sem se preocupar com o que as outras pessoas pensavam.

Um terninho branco: é a peça cada vez mais associada à liberação e ao empoderamento das mulheres no palco público. Neste ponto, é tanto um símbolo quanto uma roupa.

Adele simplesmente lembrou ao mundo que o político também é pessoal.

Se alguém pensava que a peça de roupa era uma relíquia rebelde da era Trump, isso apenas ampliou sua ressonância.

O surgimento do terninho branco como uma marca cultural começou na eleição de 2016, quando Hillary Clinton subiu ao palco na Convenção Nacional Democrata para aceitar a nomeação de seu partido para presidente em um Ralph Lauren branco, traçando uma conexão direta de sua posição com a história das sufragistas (uma de suas cores oficiais era o branco) e da luta das mulheres para que suas vozes sejam ouvidas.

Ele foi então adotado como uniforme durante a própria eleição por mulheres que foram encorajadas a #wearwhitetovote. Em seguida, tornou-se um sinal de oposição às ideias mais retrógradas do presidente Donald Trump sobre gênero durante o primeiro Discurso sobre o Estado da União (até mesmo Melania Trump usou um terninho branco em sua primeira aparição depois que o público soube do caso Stormy Daniels, e muitos especularam que foi uma evidente repreensão ao marido). Nancy Pelosi usou um terninho branco nos corredores do Congresso para anunciar que a Câmara começaria a redigir artigos de impeachment contra Trump; Alexandria Ocasio-Cortez também usou em sua capa da Vanity Fair; e Kamala Harris quando se tornou vice-presidente eleita.

 (Os ternos brancos também fizeram uma aparição muito aclamada no final do filme O Clube das Desquitadas, de 1996, no qual Diane Keaton, Goldie Hawn e Bette Midler interpretam mulheres que se unem para se vingar de seus ex e fazem uma versão empolgante de You Don't Own Me vestindo, sim, ternos brancos.)

É possível que Adele simplesmente tenha gostado da ideia de usar branco, com sua simbologia de recomeçar e virar a página, ou pensou que ficaria bem contra as folhas do jardim onde sua entrevista com Oprah aconteceu - ou talvez não estivesse pensando em fazer história. Mas também é verdade que o look que ela escolheu, do jovem designer negro Christopher John Rogers, que poucos dias antes do show havia sido eleito o designer de moda feminina do ano pelo Conselho de Designers de Moda da América, era originalmente… um terninho com saia. Era o Look 39 de sua coleção resort 2022, também conhecida como Coleção 008, e o único branco em uma coleção notável pelo uso de cores brilhantes.

Adele o personalizou para usá-lo com calça. Considerando o tema de seu álbum, chamado 30, e a conversa com Oprah, parecia incisivamente apropriado. (Tanto é verdade que a própria Oprah decidiu, no último minuto, mudar seu terno Sally LaPointe cor de damasco brilhante para um Brunello Cucinelli neutro.)

Especialmente porque, como Adele disse a Oprah, ela “nunca havia usado branco antes. Estou usando para você."

E, como resultado, este símbolo de solidariedade saltou de Washington para o mundo todo. /TRADUÇÃO LÍVIA BUELONI GONÇALVES

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