Pierson Hill
Pierson Hill

Salamandra lendária emerge dos pântanos dos Estados Unidos

A espécie foi descoberta nas florestas do norte da Flórida e sul do Alabama, e é o mais novo membro da família desde 1944

Asher Elbein, The New York Times

05 de janeiro de 2019 | 06h00

O animal tem a forma de uma enguia e o corpo coberto por manchas, como um leopardo. Não possui membros anteriores. Alcança meio metro de comprimento. E, até recentemente, quase ninguém o tinha visto. Os pesquisadores descobriram uma nova espécie de salamandra nas florestas de pinheiros do norte da Flórida e sul do Alabama. A enguia-leopardo é o maior vertebrado descoberto nos Estados Unidos em décadas, e o primeiro novo membro de sua família desde 1944.

O chamativo padrão visual na pele da salamandra “chama a atenção imediatamente", disse David Steen, do Centro de Tartarugas Marinhas da Geórgia e autor de uma análise publicada na PLOS One. As enguias são comuns nos pântanos e esgotos do sudeste dos Estados Unidos. Anteriormente, o gênero parecia incluir duas espécies: a enguia menor e a enguia maior, que pode chegar a quase um metro de comprimento.

Faz tempo que circulam rumores de um terceiro tipo. Chamada informalmente de enguia-leopardo, um espécime foi parar na Universidade de Auburn, no Alabama, em 1970, identificada equivocadamente como uma enguia maior. Em 1975, o livro “Répteis e Anfíbios do Alabama”, de Robert Mount, descrevia uma estranha salamandra que não era semelhante à enguia maior. Então, numa noite chuvosa de 1994, John Jensen, do Departamento de Recursos Naturais da Geórgia, chegou a uma estrada inundada no Alabama onde centenas de enguias-leopardo se agitavam.

Quando Sean Graham, da Universidade Estadual Sul Ross, no Texas, e o Dr. Steen se conheceram em 2008, eles decidiram tentar descrever a espécie. Embora tenham encontrado alguns espécimes em museus regionais, precisavam de tecido fresco para uma análise de DNA, que pode ajudar a revelar diferenças entre espécies que não detectamos a olho nu.

Para isso, foi necessário capturar enguias-leopardo. Apesar de muitas tentativas de capturar o animal, os dois nunca tiveram sorte. Então, em 2009, o Dr. Steen encontrou uma enguia do tipo presa numa armadilha para tartarugas. Sem financiamento, eles estudaram o espécime no seu tempo livre com a ajuda de outros especialistas.

Revelou-se que o genoma da enguia é imenso, registrado em quatro conjuntos de cromossomos, e com isso a análise demorou muito mais do que o esperado. Embora a enguia-leopardo seja geneticamente distinta das outras duas espécies, seu lugar na árvore genealógica é incerto.

Sabemos pouco a respeito desse tipo de enguia. Elas gostam da lama espessa no fundo dos pântanos e charcos, o que faz delas difíceis de estudar. Sua dieta parece consistir em crustáceos e pequenos insetos, embora possam ocasionalmente comer plantas (são a única enguia a fazê-lo). Até 2013, os pesquisadores não sabiam nem mesmo como era a sua reprodução: diferentemente de outras enguias, os machos da enguia-leopardo fertilizam os ovos externamente, como fazem os peixes.

Sem saber mais a respeito da sua população e alcance, disse o Dr. Steen, é difícil avaliar se a espécie está ameaçada. “Esperamos que um dos resultados da divulgação deste estudo seja fazer a espécie ser notada pelas pessoas - agências com recursos para a preservação e agências do governo", disse o Dr. Steen, “e tomara que elas tratem como prioridade o trabalho necessário para compreender inteiramente a biologia e a situação de preservação deste animal".

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.