Mike Blake/Reuters
Mike Blake/Reuters

Escolha a solidão, evite o isolamento

Encontre uma solução para o isolamento e valorize a solidão

Alan Mattingly, The New York Times

17 de novembro de 2019 | 01h00

Detestamos estar sós. Salvo quando queremos nos afastar do outros. E, tornarmos esta situação uma coisa boa ou má, depende se queremos realmente estar apenas sós, ou se cruzamos a linha do isolamento.

A nossa cultura, escreveu Micaela Marini Higgs no The Times, muitas vezes confunde as duas coisas. Mas a distinção é importante, afirmam os especialistas em saúde. Estar sozinhos pode nos ajudar mentalmente, emocionalmente, e até mesmo socialmente. Entretanto, o isolamento pode ter efeitos extremamente negativos, dando origem a doenças como cardiopatias e demência. A Grã-Bretanha reconheceu o problema a ponto de o governo criar o cargo de ministro da solidão e do isolamento para saná-lo.

“Ele afeta quase todos nós, a alguma altura da vida”, disse a Nicholas Kristof, do jornal The Times, a baronesa Diana Barran, a nova ministra. “E pode ter consequências muito graves para a saúde do indivíduo, provocando ainda a erosão da sociedade em que as pessoas acabam se isolando e se desconectando.”

O dr. Vivek Murthy, ex-cirurgião geral das forças armadas dos Estados Unidos, formado em medicina interna, afirmou: “Eu esperava dedicar a maior parte do meu tempo ao diabete, a doenças cardíacas ou ao câncer. O que não esperava era que tantas pessoas que examinei sofressem por causa do isolamento”.

É mais difícil detectar os efeitos físicos do isolamento do que o dano emocional, mas ele produz hormônios do estresse que podem causar inflamações e outros problemas. Além disso, as pessoas que vivem persistentemente isoladas em geral procuram menos um médico, tomam menos médios, fazem menos exercícios físicos, comem de maneira pouco saudável.

“Podemos sentir falta da presença incômoda dos nossos entes queridos”, escreveu Kristof, “mas é isto que nos mantém vivos”.

Uma importante diferença entre manter-se isolados e simplesmente preferir ficar sozinhos, segundo os especialistas, é que isto depende de uma escolha pessoal.

“Não que a solidão seja sempre boa, mas tem aspectos positivos” para quem compreende o seu valor, afirmou Thuy-vy Nguyen da Durham University, na Grã-Bretanha. “Há evidências que mostram que valorizar a solidão, na realidade, não afeta a nossa vida social, mas pode até aumentá-la”, porque a solidão ajuda a nos acalmar e a regular as nossas emoções.

Além disso, acrescentou Angela Grice que pesquisa na área de neurociências em duas universidades americanas: “Cultivar a sensação de estar sozinhos e optar por estarmos sós pode nos ajudar a aprimorar o nosso conhecimento interior, a nossa identidade, e a identificar os nossos verdadeiros interesses”.

A terapeuta Megan Bruneau escreveu sobre a solidão, e disse que algumas pessoas se sentem muito bem sozinhas. “Elas conseguem conviver com o desconforto de emoções passageiras, e portanto, não as temem tanto”.

Contudo, isto não ocorre com todos os indivíduos. À pessoa que se sente menos confortável sozinha, o dr. Nguyen recomenda que comece com “algo que ela sabe que gostará de fazer, talvez algo que a ajude a sentir-se mais produtiva, ou a sentir-se mais relaxada”.

Lynn Rossy recomenda uma boa refeição. Lynn é presidente do Centro da Alimentação Consciente, e acredita que uma mesa para uma pessoa só seria maravilhosa.

“Ter atenção, aquele ato simples de fazer com que a sua se concentre em uma coisa seguidamente - e apenas comer”, afirmou ao The Times. “Isto nos treina a ter mais atenção e a nos concentrarmos. Todos nós podemos ter um pouco mais de atenção e nos concentrarmos neste mundo em que vivemos”.

E apesar do estigma da pessoa que bebe sozinha, Victoria James, uma sommelier de Nova York, sugere um belo copo de vinho.

“A melhor maneira de saborear uma bebida quando você está sozinho é admitir isto: brinde a você mesmo”, ela disse. “Acho que esta é uma coisa realmente maravilhosa”. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

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