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Para mulheres na faixa dos 40 anos, a hipertensão pode acarretar mais riscos

Mulheres nos seus 40 anos de idade, mas não homens, com pressão alta, mesmo moderada, têm um risco aumentado de doenças cardíacas e até de morte prematura

Nicholas Bakalar, The New York Times - Life/Style, O Estado de S.Paulo

18 de julho de 2021 | 05h00

A hipertensão em pessoas mais jovens pode ser particularmente perigosa para as mulheres, de acordo com um novo estudo, que concluiu que mulheres – mas não homens – com pressão alta, mesmo que moderada, em torno dos 40 anos, têm um risco bastante elevado de, no futuro, serem acometidas de doença coronária e morte.

Em 1992, pesquisadores noruegueses começaram um estudo com 12.329 homens e mulheres com idade média de 41 anos. Eles monitoraram a pressão sanguínea e saúde cardiovascular dos participantes durante 16 anos.

No início, a pressão alta era muito menos comum em mulheres do que em homens: 25% das mulheres e 35% dos homens, que participaram do estudo, tinham hipertensão no estágio 1, que a American Heart Association (Associação Americana do Coração) define como uma pressão sanguínea de 130/80 e 139/89 (120/80 é considerada normal). E 14% das mulheres e 31% dos homens registravam uma hipertensão no estágio 2, ou seja 140/90 ou mais alta. As mulheres também apresentavam fatores de risco menores para doenças cardíacas: tinham tendência a ter níveis de colesterol e IMC mais baixos e poucas eram fumantes.

Durante o período de acompanhamento, 1,4% das mulheres e 5,7% dos homens foram hospitalizados ou morreram em decorrência de doença cardiovascular.

Comparadas com mulheres que tinham uma pressão sanguínea normal no início do estudo, aquelas com hipertensão no estágio 1 mais do que dobraram o risco de uma doença cardíaca. No caso dos homens, essa associação era estatisticamente insignificante. O estudo, publicado no European Journal of Preventive Cardiology, examinou a diabetes, o Índice de Massa Corporal (IMC), colesterol, tabagismo e atividade física dos voluntários.

Os autores admitem que esse estudo tem limitações. Foi feito numa pequena área geográfica na Noruega e os voluntários eram principalmente brancos. Além disso, os pesquisadores não tiveram nenhuma informação sobre tratamentos para hipertensão ou uso de medicamentos para baixar o colesterol durante o período de acompanhamento.

Mas “a evidência que emergiu do trabalho é que a hipertensão é pior para o coração feminino do que o masculino”, disse Ester Kringeland, que liderou o estudo, e é especialista na área de clínica médica da Universidade de Bergen. “O risco começa num nível de pressão sanguínea mais baixo nas mulheres”.

Para Joyce M. Oen-Hsiao, professora assistente de medicina em Yale, que não participou do trabalho, o estudo foi bem desenhado. “Muitos de nós, médicos, examinamos apenas os fatores de risco e nunca fazemos uma separação por gênero. O estudo inova nesse aspecto, no sentido de que existe uma diferença estatística entre homens e mulheres. Se conseguirmos repetir essa descoberta na nossa população mais diversa, isso mudará a prevenção primária”.

As atuais diretrizes da American Heart Association estabelecem que, em pessoas saudáveis, uma pressão sanguínea de até 130/80 normalmente pode ser conseguida com mudanças no estilo de vida. No caso de medições de 130/80 a 139/89, a associação recomenda medicamentos para controlar a pressão, mas apenas para pessoas com outros fatores de risco de doença cardiovascular. Mas, se a pressão for de 140/90 ou mais alta, a medicação é indicada em quase todos os casos. Mas essas diretrizes não fazem distinção entre homens e mulheres.

Para Kringeland, uma única medição ou monitoramento da pressão com um aparelho doméstico não basta para fazer um diagnóstico. “Um médico tem de fazer três leituras e depois tirar uma média das duas últimas. E para diagnosticar a hipertensão você precisa visitar o médico pelo menos duas vezes”.

Quanto a se uma mulher saudável em torno dos 40 anos com uma pressão de 130/80 deve ser tratadas com medicamentos, esta é uma questão que ainda não está bem estabelecida.

“No caso de algumas mulheres – aquelas com diabete, por exemplo – o tratamento é indicado mesmo nesse nível”, disse Kringeland. “Mas, e quanto às mulheres saudáveis? Não temos resposta ainda. Remédios para pressão têm efeitos colaterais, é preciso ver a relação risco-benefício. Precisamos de mais pesquisas relacionadas a doenças cardíacas no caso das mulheres”. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

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