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De que maneira exercícios com pesos podem ajudar a controlar o peso corporal

Pessoas que fazem regularmente exercícios para fortalecer músculos têm cerca de 20% a 30% menos probabilidade de se tornarem obesas do que as que não fazem

Gretchen Reynolds, The New York Times - Life/Style, O Estado de S.Paulo

06 de agosto de 2021 | 05h00

Exercitar-se com pesos algumas vezes por semana pode ajudar a evitar a obesidade, segundo um interessante estudo sobre os exercícios de resistência e gordura corporal divulgado recentemente. Ele mostra que as pessoas que completam regularmente exercícios de qualquer tipo para o fortalecimento dos músculos têm de 20% a 30% menos probabilidade de se tornarem obesas do que as que não fazem, quer trabalhem também com exercícios aeróbicos ou não.

A pesquisa indica que o treinamento com pesos poderia ser mais importante para o controle do peso corporal do que muitos esperariam, e um pequeno exercício agora poderá manter-nos mais leves, mais tarde.

A incidência da obesidade nos Estados Unidos está aumentando: cerca de 40% dos adultos atualmente correspondem aos critérios básicos da obesidade. Até o final da década, esta proporção deverá aumentar para mais de 50%.

Infelizmente, poucas pessoas perderão os pesos adquiridos a longo prazo uma vez que a ganhemos. A maioria das pessoas que perdem mais de cerca de 5% do seu peso corporal, o recupera em cinco anos.

A maneira mais eficaz de combater a obesidade, então, provavelmente é preveni-la. E o exercício regular pode ajudar nisso. Vários estudos mostram que as pessoas que com frequência caminham, correm, pedalam, nadam ou fazem outro trabalho aeróbico qualquer tendem a ganhar menos peso com a idade do que as sedentárias e correm menos o risco de se tornarem obesas.

No entanto, bem menos se conhece quanto à possibilidade de os exercícios com pesos também influírem no resultado. Pesquisas passadas sugerem que o treinamento de resistência ajuda as pessoas a manter a massa muscular enquanto tentam perder peso. Entretanto, não está bem claro se também ajuda a controlar o ganho de peso a longo prazo e a evitar a obesidade.

Portanto, para o novo estudo, publicado em junho na revista PLOS Medicine, os pesquisadores da Iowa State University em Ames, e de outras instituições decidiram verificar a relação, se é que existe alguma, entre pesos e a circunferência da barriga. Para isso, recorreram ao enorme e fundamental banco de dados compilado para o Estudo Longitudinal do Centro Aeróbico, uma façanha famosa que acompanhou a situação médica, de saúde e a forma física de dezenas de milhares de pacientes que visitaram a Cooper Clinic em Dallas, entre 1987 e 2005. Estes, homens e mulheres, haviam  se submetido a testes abrangentes durante as suas repetidas visitas à clínica ao longo dos anos.

Agora, os pesquisadores de Iowa pinçaram os dados de quase 12 mil participantes, na maioria de meia idade. Nenhum deles era obeso quando ingressaram no estudo do Centro Aeróbico de acordo com o seu IMC, ou índice da massa corporal (que estima a gordura do corpo, com base na altura e peso).

Estas pessoas haviam completado a série necessária de medições, sobre saúde e forma física, nas suas visitas à Clínica e tiveram de preencher um questionário sobre exercícios físicos que perguntava, entre outras coisas, a respeito do treinamento com pesos. Por exemplo, já fizeram “exercícios de fortalecimento muscular?" Se sim, “quantas vezes e quantos minutos cada semana”?

Os pesquisadores começaram então a cruzar as informações, acompanhando os pesos e outras medidas das pessoas, de uma visita à clínica à seguinte. De acordo com o IMC, cerca de 7%  dos homens e mulheres  ficaram obesos no prazo de seis anos desde a sua primeira visita à clínica.

Mas o IMC é um valor vago, aproximado, da composição corporal e nem sempre uma medida precisa da obesidade. Portanto, os pesquisadores também verificaram as mudanças da circunferência da cintura das pessoas e a porcentagem de sua gordura corporal para determinar se haviam se tornado obesos. De acordo com a medida da circunferência da cintura superior a 101,6 centímetros para os homens e 88,9 centímetros para as mulheres, ou uma porcentagem de gordura corporal acima de 25% para os homens e 30% para as mulheres, cerca de 19% dos participantes se tornaram obesos ao longo dos anos.

Entretanto, constataram os pesquisadores, exercitar-se com pesos alterou estes resultados, baixando consideravelmente o risco de uma pessoa tornar-se obesa, de acordo com qualquer avaliação. Homens e mulheres que referiram ter-se exercitado para fortalecer os músculos algumas vezes por semana, por um total semanal de uma a duas horas, tinham cerca de 20% a menos de probabilidades de se tornarem obesos ao longo dos anos, baseados no IMC, e cerca de 30% menos probabilidade, com base na circunferência da cintura ou porcentagem da gordura corporal.

Os benefícios permaneceram quando os pesquisadores controlaram idade, sexo, tabagismo, saúde em geral e exercícios aeróbicos. As pessoas que praticavam exercícios aeróbicos e se exercitaram com pesos apresentaram uma probabilidade muito menor de se tornarem obesas. Mas também as que se exercitavam quase exclusivamente com pesos e informaram ter feito poucos ou nenhum exercício aeróbico.

Os resultados sugerem que “pode-se conseguir grande benefício com o treinamento com pesos, mesmo que reduzido”, afirma Angelique Brellenthin, professora de cinesiologia da Universidade Estadual de Iowa, que liderou o novo estudo.

Evidentemente, o estudo se baseou na observação e não prova que o treinamento da resistência previna o ganho de peso, apenas que estão relacionados. Tampouco levou em conta a dieta, a genética ou as atitudes das pessoas em relação à saúde, que poderiam influir no risco de obesidade.

Talvez o mais importante seja o fato de que não diz de que maneira o fortalecimento dos músculos influencia no peso, embora provavelmente o treinamento de resistência ajude a construir e a manter a massa muscular, afirma a dra. Brellenthin. O músculo, um tecido metabolicamente ativo, queima calorias e aumenta ligeiramente a nossa taxa metabólica. O interessante é que o efeito desejável de aumentar a massa muscular pode explicar também o motivo pelo qual é menor o número de praticantes dos exercícios com pesos que evitaram a obesidade quando os pesquisadores usaram o IMC como parâmetro. O IMC não diferencia o músculo da gordura, destaca a dra. Brellenthin. Se somarmos treinamento muscular e de peso, o nosso IMC pode aumentar.

Entretanto, a mensagem fundamental do estudo é que alguns exercícios com os pesos provavelmente ajudam, ao longo do tempo, a controlar o peso. “Por isso, o meu conselho seria estabelecer alguns destes exercícios antes ou depois da caminhada diária”, sugere a doutora. Ou entrar em uma academia ou fazendo aulas on-line. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

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