Elizabeth Weinberg para The New York Times
Elizabeth Weinberg para The New York Times

Smashing Pumpkins está de volta em busca do sucesso dos anos 1990

Banda planeja uma nova turnê e o lançamento de canções inéditas

Joe Coscarelli, The New York Times

08 Abril 2018 | 10h45

LOS ANGELES - Em quase vinte anos, desde que a formação original da banda de rock alternativo Smashing Pumpkins sucumbiu aos clichês dos astros do rock, o líder do grupo, o cantor, compositor e guitarrista Billy Corgan, teve muito trabalho.

Corgan, 51, tornou-se um poeta com obras publicadas, executivo no campo da luta profissional, proprietário de uma casa de chá em Chicago e astro da capa de uma revista de gatos. Além disso, fez dois álbuns solo, um com a banda Zwan, e novas versões dos Smashing Pumpkins, grupo que ele manteve vivo desde que declarou em um anúncio de jornal de página inteira: "Eu quero de volta a minha banda, as minhas músicas e os meus sonhos".

Entretanto, embora tenha revivido a marca dos Pumpkins com novos álbuns e diversas turnês ao longo dos anos, Corgan nunca repetiu os sucessos dos melhores dias da banda.

Entre quatro álbuns de platina consecutivos nos anos 1990, a banda chegou a vender mais de 10 milhões de cópias de "Mellon Collie and the Infinite Sadness", com 28 faixas e sucessos que definiram toda uma época, como "Tonight, Tonight" e "Bullet with Butterfly Wings". Corgan se deu conta de que os Pumpkins não eram os mesmos sem o guitarrista James Iha, que ajudara a fundar o grupo quando adolescente, em Chicago, em 1988; Jimmy Chamberlin, o baterista que foi o mais frequente colaborador de Corgan; e a baixista D'Arcy Wretzky. Depois de e-mails e longas discussões, Corgan finalmente conseguiu sua banda de volta. Ou quase.

No início de julho, o grupo original - menos Wretzky - viajará em turnê com um show intitulado "Shiny and Oh So Bright". E embora os espetáculos devam coincidir com o 30º aniversário dos Pumpkins e apresentar canções de seus primeiros cinco álbuns, a banda esteve reunida no estúdio com o produtor Rick Rubin trabalhando em novas músicas, que provavelmente serão lançadas como dois Extended Plays (produto longo demais para ser um single, mas sem ser um álbum) antes do final do ano.

"Eu diria que este é o momento mais feliz da banda", disse Corgan. A questão agora é se os fãs que aguentaram anos de suas brincadeiras ligarão. E se ligarem, esta estranha família musical se manterá unida?

"Podemos contar nos dedos de uma mão as bandas que realmente definiram a cena dos anos 1990, e entre eles eu incluiria os Pumpkins com os maiores daquela época", disse Kevin Weatherly, diretor de programação da estação alternativa KROQ de Los Angeles.

Hoje em dia, os três membros originais são todos pais e expressaram sua gratidão pela oportunidade de demonstrarem a maturidade que acabam de encontrar. Mas com exceção de Chamberlin, 53, que parece ter evoluído consideravelmente da caricatura de baterista de rock viciado em drogas, para um papai sóbrio que toca jazz e trabalha com tecnologia ao mesmo tempo, os Pumpkins continuaram em seus papéis clássicos. Iha, 49, fica em geral calado, enquanto é Corgan que não aguenta e fala 90% das vezes.

"É um pouco como tentar reviver um romance de quase 20 anos", falou. "O amor está ali, mas, sabe como é, a linguagem estará lá? E a magia?".

No estúdio, decidiram que ela estava. Colocaram uma fita demo com 15 canções com a esperança de aperfeiçoar um single com Rubin; ele acabou escolhendo oito para gravar. Chamberlin disse que as desavenças do grupo nunca foram musicais, por isso, quando se reunirem, as novas canções "simplesmente brotaram".

Nunca tão reverenciados quanto Nirvana, calmamente descontentes como Sonic Youth ou tão exagerados quanto Guns N' Roses, os Smashing Pumpkins criaram fama com suas enormes ambições musicais e com o caos total do rock 'n' roll. Foram uma banda melancólica com canções voláteis que se alternavam entre desancar a obstinação do hard rock e a vaga serenidade do rock alternativo, instantaneamente reconhecível pelos sombrios gritos nasais de Corgan. Mas, a certa altura, o caos eclipsou até singles monumentais como "1979".

"Se eu ficasse de boca fechada, e se mantivesse minha banda unida", disse Corgan, "estaríamos tocando em eventos maiores e teríamos muito mais sucesso". Mas ele adotou um papel que descreveu como o de "um amargo sujeito do contra" e um "camelô berrante de carnaval", afastando até os colaboradores.

Entretanto, os Pumpkins entenderam que tocando somente suas canções mais amadas na turnê, pelo menos, poderiam agradar ao público. "Nós todos precisamos reconquistar a confiança do público na nossa marca", disse Corgan. E acrescentou que provavelmente ela é uma coisa única.

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