Ramin Rahimian / The New York Times
Ramin Rahimian / The New York Times

Sobe número de idosos que morrem em decorrência de quedas

Cerca de 646 mil pessoas morrem todos os anos por conta de quedas, segunda principal causa de mortes acidentais de acordo com a OMS

Katie Hafner, The New York Times

23 de junho de 2019 | 06h00

Conforme a população envelhece, o número de americanos que morrem em decorrência de uma queda está aumentando. Um estudo publicado recentemente na revista de medicina JAMA revelou que, para as pessoas com mais de 75 anos, a mortalidade em decorrência de quedas aumentou mais de 100% entre 2000 e 2016.  Pesquisadores analisaram a informação das certidões de óbito mantidas pelo governo dos Estados Unidos. 

Em 2016, a proporção de mortes decorrentes que quedas entre pessoas com 75 anos ou mais foi de 111 para cada 100 mil pessoas. Em 2000, essa proporção era de 52 para cada 100 mil pessoas. A cientista da área de saúde Elizabeth Burns, do Centro para a Prevenção e Controle de Doenças, uma das autoras do estudo, disse que a razão para tal aumento ainda não estava clara.

“O motivo mais provável é o fato de as pessoas viverem mais tempo com condições que, no passado, teriam resultado na sua morte", explicou. Além disso, prosseguiu a especialista, adultos mais velhos tomam remédios que aumentam seu risco de queda. As mulheres têm probabilidade um pouco maior de sofrerem uma queda do que os homens, mas esses correm mais risco de morrerem em decorrência de um tombo.

Em todo o mundo, as quedas são a segunda principal causa de mortes acidentais ou não intencionais, de acordo com dados da Organização Mundial da Saúde. Estima-se que aproximadamente 646 mil morram todos os anos como consequência das quedas.

“A grande mensagem do estudo é que as quedas matam", avaliou Lewis Lipsitz, professor da Faculdade de Medicina de Harvard, que não participou da pesquisa. “No caso das quedas, o principal fator de risco que não podemos alterar é a idade", disse a Elizabeth Eckstrom, geriatra da Universidade Oregon Health & Science. “A maioria dos demais riscos pode ser reduzida”.

Lipsitz enfatizou a importância dos exercícios incorporados a uma rotina diária. Ele recomendou pelo menos 20 minutos de atividade diária, combinando exercícios aeróbicos e anaeróbicos. O levantamento de pesos para fortalecer as pernas é uma boa ideia, sugeriu.

A arte marcial chinesa do tai chi parece ser uma forma eficaz de melhorar o equilíbrio. Envolve movimentos lentos e deliberados, coordenados com a respiração e a atividade muscular. Um estudo de 2018 revelou que, entre os adultos com mais de 70 anos que praticavam uma hora de tai chi duas vezes por semana, a incidência de quedas foi reduzida em 58%.

“Quando caímos, nosso corpo não conseguiu manter um equilíbrio postural, e o tai chi ajuda a desenvolver isso", afirmou Eckstrom. “Em muitos dos movimentos clássicos do tai chi, estamos essencialmente dando passos largos para frente ou para o lado, ou inclinando o tronco. Assumimos uma posição de quase queda”. Ela acrescentou que tudo isso treina o corpo para manter a estabilidade em uma posição de desequilíbrio. Os medicamentos, principalmente aqueles que combatem a insônia, podem prejudicar o equilíbrio. “Se todos abandonassem os remédios para dormir, a situação melhoraria muito", indicou Eckstrom.

A visão é outro componente crucial. Evite lentes bifocais ou progressivas ao andar por áreas externas. “Se usamos lentes bifocais para atravessar a rua, elas alteram nossa percepção de profundidade do meio-fio", disse Elizabeth, que recomenda lentes de foco único para as caminhadas externas. Há também a questão dos calçados. De acordo com Lipsitz, a moda deve ceder lugar à funcionalidade. “Nada de saltos altos", pontuou.

Os calçados sem amarras, como pantufas, são má ideia. Todos os calçados devem ser fechados na parte de trás, com solas ásperas. Chinelos podem ser um problema. “Apesar de confortáveis, prejudicam a estabilidade", comparou Eckstrom. Orgulhoso demais para usar uma bengala ou andador? Supere. “Se o médico recomendou o uso de um andador, aceite", continuou. “Isso vai lhe garantir mais independência por mais tempo”.

O acúmulo de objetos reunidos ao longo de uma vida inteira pode ser mortal. Livre-se dos tapetinhos da casa, e cuidado com fios e extensões no chão. Bichos de estimação podem ser um risco. Os pequenos desníveis entre os cômodos merecem atenção - bastam dois centímetros para produzir um tropeço grave. Mantenha uma luz acesa à noite para facilitar a ida ao banheiro.

A hidratação pode combater a tontura que às vezes provoca quedas, e a recomendação é beber muita água, disse Dorothy Baker, especialista em geriatria da Faculdade de Medicina de Yale. “Não espere até ficar desesperado para ir ao banheiro". Há um benefício nas viagens frequentes ao banheiro, acrescentou Baker. “O movimento de agachamento é um ótimo exercício e ajuda a desenvolver o equilíbrio. Aproveite a ida ao banheiro para fazer mais repetições do movimento”./ TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.