Jason Henry para The New York Times
Jason Henry para The New York Times

Start-up americana cria moradias no estilo dormitório para a classe média

O experimento da Starcity, empresa de San Francisco, tem como foco jovens adultos que não se importam em dividir o banheiro e a cozinha

Nellie Bowles, The New York Times

12 Março 2018 | 10h00

SAN FRANCISCO - À procura de um aluguel razoável, a classe média de San Francisco - maîtres, professores, gerentes de livrarias, músicos de restaurantes, redatores publicitários e organizadores de mercadorias - tenta um experimento inusitado de vida em comum: está se mudando para dormitórios de estudantes.

Compartilhar banheiros comunitários no final do corredor e não ter mais cozinhas ou salas de estar individuais está se tornando algo menos estranho para alguns que trabalham na cidade graças à Starcity, uma nova companhia de urbanização que cria dormitórios expressamente para a população que não está ligada à área tecnológica.

A Starcity inaugurou três imóveis com 36 unidades e mais nove estão sendo construídos com uma lista de espera de 8 mil pessoas. A companhia, que está adquirindo mais dez edifícios (inclusive hotéis de uma estrela, garagens de estacionamento, prédios de escritórios e antigas lojas varejistas), captou US$ 18,9 milhões em capital de investimento e contratou uma equipe de 26 pessoas. A Starcity informou que deverá dispor de centenas de unidades ao redor da Bay Area de San Francisco ainda este ano, e milhares em 2019.

Os residentes da Starcity podem ocupar um quarto de 10 a 20 metros quadrados. Muitos edifícios terão algumas unidades com banheiro privativo por um aluguel mais alto. Mas Jon Dishotsky, um dos fundadores e principal executivo da Starcity, disse que um banheiro para cada dois ou três quartos faz mais sentido em termos de acessibilidade de preços em larga escala.

O aluguel de um apartamento médio de um quarto em San Francisco é de US$ 3.300 por mês, mas a Starcity oferece quartos por US$ 1.400 a US$ 2.400 por mês, totalmente mobiliados, com todos os serviços, incluindo Wi-Fi.

“As coisas mais íntimas de que necessitamos estão relacionada em grande parte ao banheiro”, disse Dishotsky, 34. “Por isso, provavelmente esta é a parte mais difícil”.

O público-alvo da Starcity ganha de US$ 40 mil a US$ 90 mil ao ano. A maioria dos habitantes está na faixa etária de pouco mais de 20 a pouco mais de 50 anos. Mudar para esta nova modalidade é uma decisão prática que estas pessoas podem tomar. Mas depois de chegar, elas ficam surpresas com a mudança que estes edifícios produzem em sua vida.

Recentemente, a casa da Mission Street se reuniu para festejar vários aniversários, entre eles o de Carla Shiver, 38.

No ano passado, a Verizon eliminou o emprego de Carla em Albany, Georgia, mas lhe ofereceu uma transferência para San Francisco para trabalhar em uma loja. Carla, que ganha cerca de US$ 85 mil ao ano, jamais poderia alugar uma casa aqui, mas se mudou mesmo assim. “As pessoas falam o tempo todo de seus sonhos, e eu decidi parar da falar sobre isso e tratar de agir”, afirmou. “Comecei a procurar algo que fizesse mais sentido”.

Divorciou-se do marido, pôs seu cachorrinho mestiço de Yorkshire e Lulu da Pomerânia no carro e partiu rumo ao oeste.

Inicialmente, a ideia de compartilhar um banheiro foi alarmante, mas as fotos da casa pareciam muito interessantes, e Carla queria conhecer novos amigos. Por US$ 2.200 ao mês, ela agora aluga um quarto com uma cama "queen size", uma mesinha e uma cadeira. Os inquilinos podem solicitar à Starcity o uso da lavanderia por US$ 40 por mês, a limpeza dos quartos por US$ 130 por semana, e há até quem cuide do cachorro durante o dia.

Carla disse que não imagina outra vida. “Quanto mais moro aqui, mais livre eu me sinto”.

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