Jupiter Intel via The New York Times
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Startup prevê efeitos do aquecimento global

Empresas americanas estão contratando cientistas para avaliar os ricos das mudanças climáticas para seus negócios

Jupiter Intel via The New York Times
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Brad Plumer, The New York Times

05 Março 2018 | 10h00

Em Charleston, Carolina do Sul, onde os portos estão se expandindo para acomodar navios maiores que passam pelo recém-ampliado canal do Panamá, uma construtora chamada Xebec Realty começou a procurar terrenos para a construção de novos armazéns e centros de logística.

Mas, primeiro, a Xebec tinha uma pergunta: qual era a probabilidade de os terrenos considerados estarem submersos em questão de 10 ou 20 anos?

Afinal, Charleston sofreu repetidas enchentes de grandes proporções, capazes de paralisar as operações de carga. E os cientistas alertam que o problema vai se agravar com a elevação dos oceanos e o fortalecimento das tempestades, decorrentes da mudança climática.

Mas foi difícil encontrar informações detalhadas a respeito do risco climático ao qual a cidade está exposta. Os mapas federais de enchentes têm como base dados históricos e não informam como a elevação do nível do mar pode exacerbar as enchentes nos próximos anos. Relatos científicos do aquecimento indicam que as tempestades pesadas devem aumentar no sudeste dos Estados Unidos, mas não especificam quais estradas e ruas podem ficar intransponíveis durante essas tempestades.

Assim, a Xebec procurou uma startup do Vale do Silício, Jupiter, que se ofereceu para analisar os dados climáticos e hidrológicos locais, combinando-os a projeções de modelos climáticos para avaliar o risco potencial enfrentado pela Xebec em Charleston nas próximas décadas em decorrência de fatores como chuvas mais fortes, elevação dos oceanos e áreas inundadas pela baixa pressão das tempestades.

Embora as previsões da Jupiter ainda não tenham se confirmado, a Xebec ficou interessada em participar de um projeto piloto. "Se conseguirmos fazer uma análise preditiva confiável da região, isto terá um imenso impacto para os nossos negócios", disse Scott Hodgkins, vice-presidente executivo da Xebec.

Fundada em 2017 por Rich Sorkin, que há muito investe em tecnologia, a Jupiter quer dar um passo além. A startup recebeu US$ 10 milhões em capital de investimento até o momento e está contratando cientistas climáticos, criadores de modelos e especialistas em dados.

A empresa está desenvolvendo uma série de ferramentas preditivas, algumas delas parecidas com o Google Maps, na esperança de permitir aos clientes pagadores que se aproximem de quarteirões de uma cidade para ter uma ideia melhor dos potenciais riscos trazidos por tempestades, ondas de calor, incêndios florestais e outros efeitos da mudança climática nas próximas décadas.

"Sabemos que o planeta está ficando mais quente e o nível do mar está se elevando, mas, do ponto de vista hiperlocal, a qualidade dessas previsões pode ser muito melhor que a atual", disse Sorkin.

Os cientistas da Jupiter terão de enfrentar uma série de desafios. Embora os modelos climáticos possam projetar o quanto as temperaturas médias e padrões de precipitação devem mudar nas regiões ao longo do próximo século, ainda é difícil prever como essa mudança vai ocorrer em intervalos de tempo mais curtos.

"As previsões para períodos de 10 a 20 anos são, talvez, as mais difíceis", disse Simon Mason, cientista climático da Universidade Columbia, de Nova York, que não está envolvido com a Jupiter. "Se isso não fosse o bastante, prever eventos climáticos extremos é ainda mais difícil do que prever as médias no longo prazo!".

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