Kirsten Luce / The New York Times
Kirsten Luce / The New York Times

Substâncias químicas danosas à saúde devem ser evitadas no cotidiano

Uso exagerado de químicos pode interferir no processo de maturidade sexual e na fertilidade, e até na forma como lidamos com o apetite e o armazenamento de gorduras

Perri Klass, The New York Times

26 de abril de 2019 | 06h00

“Tendemos a achar que os disruptores endócrinos são uma questão de mãe e filho”, disse Leonardo Trasande, diretor de pediatria ambiental na Faculdade de Medicina da New York University. “Mas  pode ser literalmente uma questão de vida ou morte para pessoas que sequer tentam ter filhos”.

Existem provas significativas de que vários tipos de substâncias químicas podem interferir de diferentes maneiras com os hormônios que nossos corpos usam como mensageiros de tudo o que acontece, desde maturidade sexual e fertilidade a como lidamos com o apetite e o armazenamento de gorduras.

Tem havido um acúmulo de evidências de que estas substancias podem mudar o desenvolvimento de corpos, desde muito cedo. “Também procuramos cada vez mais evitar riscos na gravidez, mas também antes da concepção, o que é muito interessante”, explicou Trasande. “Talvez os riscos iniciais estejam determinando como os gametas se desenvolvem”.

Mas o que podemos fazer de fato para nos protegermos? As quatro categorias de substâncias químicas particularmente preocupantes são pesticidas, que podem contaminar nossos produtos; os ftalatos, usados em produtos de cuidado pessoal e nas embalagens de alimentos; os bisfenóis, que estão  nos revestimentos de latas de alumínio; e os retardantes de chamas.

Trasande, autor do livro Sicker, Fatter, Poorer: the  Urgent Threat of Hormone-Disrupting Chemicals to Our Health and Future ... and What We Can Do About It, sugeriu evitar alimentos embalados, enlatados ou processados, e recipientes de plástico marcados no fundo com os números 3, 6 ou 7. Os plásticos marcados com 3, explicou, são preocupantes por causa dos ftalatos, que inibem os hormônios sexuais masculinos e afetam o metabolismo. O número 6 denota a presença de estireno, um carcinógeno conhecido. Os plásticos com um 7 contêm bisfenol, que estaria relacionado à obesidade.

Comer menos alimentos processados, segundo Manish Arora, professor  de medicina ambiental na Icahn School of Medicine do Mt. Sinai, em Nova York, é bom para o nosso organismo. "É bom para o meio ambiente, menos processamento, menor pegada de carbono, menos substâncias químicas no meio ambiente voltando para nós”, acrescentou.

Arora disse ainda que "é quase como se os produtos fossem liberados e em seguida ocorresse um processo lento e complexo para ver se são perigosos”. Dezenas de anos poderão se passar antes que o processo se conclua. Segundo ele, neste meio tampo, “uma geração inteira foi exposta nos anos da sua formação”.

Foi o eu aconteceu com o chumbo, que estava em tantos lugares nos ambientes das crianças, desde a tinta até nas emissões dos automóveis, e aos poucos fomos compreendendo o perigo que ele representa, mesmo a níveis considerados seguros. Arora também destacou a importância de manter longe das crianças produtos de limpeza nas residências que podem conter “pesticidas realmente perigosos”, e escolher produtos que contenham menos substâncias químicas (o guia Environmental Working Group para produtos de limpeza saudável pode ajudar).

Em um e-mail, ele escreveu: “como muitas outras pessoas, atualmente uso produtos caseiros para a limpeza comum em áreas que não são muito sujas, como limão, fermento para bolo, vinagre branco”. Os disruptores endócrinos deveriam ser evitados. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.