Linus Sundhal-Djerf para The New York Times
Linus Sundhal-Djerf para The New York Times

Suécia aposta em compartilhamento de habitações

Empresas suecas apostam em mudança cultural no setor de aluguéis em Estocolmo

Christopher F. Schuetze, The New York Times

14 de maio de 2019 | 06h00

ESTOCOLMO - Quando Morgane Oléron se separou do seu parceiro após 11 anos, um dos seus maiores problemas logísticos foi encontrar um novo lugar para morar. Embora seja considerada uma das cidades mais vivíveis da Europa, Estocolmo tem um difícil mercado de aluguéis.

Morgane resolveu mudar-se para o K9, um antigo hotel compartilhado por 50 profissionais, na melhor localização da capital, famoso por seu endereço. “Não sabia se conseguiria me adaptar, mas descobri que funciona realmente bem”, disse Morgane, 32. Suas companheiras de quarto: médicas, advogadas, bailarinas profissionais e professoras, têm em média de 21 a 54 anos.

Em um país em que 52% dos domicílios têm apenas um morador, Morgane faz parte de um movimento que, segundo os especialistas, mudará o modo de viver de profissionais na Suécia e em outros países. A casa que Morgane e suas 49 companheiras dividem é decorada com muito bom gosto e totalmente equipada. Tem cinco cozinhas, escritórios comuns, uma variedade de salas de leitura e de visitas, uma sala de meditação e um cão. Há também banheiros separados para cada um dos 30 quartos, alguns dos quais são compartilhados, outros divididos em módulos.

O aluguel vai de cerca de US$ 650 por um beliche em um quarto para seis pessoas a cerca de US$ 1.600 para dormitórios mais caros. Em geral, este tipo de moradia atrai pelo fato de se viver em uma ampla comunidade. Muitos residentes afirmam que em uma grande cidade onde muitos podem sentir-se solitários, eles apreciam o apoio que encontram em uma comunidade em que todos têm uma ocupação e estão cheios de energia.

“As pessoas me perguntam a respeito dos invernos escuros na Suécia”, disse Marica Leone, que mora no K9 há mais de um ano. “Mas eu sempre digo que nem percebo a escuridão do inverno - eu trabalho e volto para casa, para esta casa”. Estocolmo sofre há dezenas de anos uma escassez de moradias, disse Henrik Nerlund, o diretor do Stockholm Beauty Council, uma entidade pública. O problema maior são as leis nacionais sobre os aluguéis controlados.

Como os aluguéis são mantidos abaixo do valor de mercado, muitas pessoas que ainda têm o aluguel original, não o deixam. Em 1997, a prefeitura elaborou uma lista de espera que hoje tem mais de 650 mil nomes em uma cidade com menos de um milhão de habitantes. O que pode significar uma espera de 30 anos. É por isso que muitos estão interessados na decisão adotada por Morgane.

No ano passado, Katarina Liljestam Beyer e Jonas Haggqvist fundaram a Colive, uma companhia cujo objetivo é promover o compartilhamento de habitações. "Nós queremos tornar a coabitação uma nova maneira de viver na Suécia”, afirmou Katarina. A companhia está inaugurando o seu primeiro projeto em maio - uma moradia compartilhada por 11 pessoas.

O local - para o qual os inquilinos foram cuidadosamente selecionados entre centenas de candidatos - servirá de laboratório para projetos maiores no futuro. No entanto, o fundamental já está sendo aplicado: um amplo acordo de coabitação assinado pelos inquilinos, um teste de compatibilidade online para encontrar uma companheiros de quarto adequados e uma empresa terceirizada que tomará conta da limpeza. “É importante terceirizar possíveis fontes de atrito”, disse Jonas. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

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