John Timms/DC Comics via The New York Times
John Timms/DC Comics via The New York Times

Bissexualidade do novo Superman mostra que diversidade chegou nos quadrinhos para ficar

O novo Superman, filho de Clark Kent e Lois Lane, é preocupado com o meio ambiente, não foge da política e começará em breve um romance com um amigo

George Gene Gustines, The New York Times - Life/Style, O Estado de S.Paulo

17 de outubro de 2021 | 05h00

Para o alto, para o alto e para fora do armário!

O novo Superman, Jonathan Kent – filho de Clark Kent e Lois Lane – começará em breve um romance com um amigo, a DC Comics anunciou na semana passada.

O relacionamento com alguém do mesmo sexo é apenas uma das formas pelas quais Jonathan Kent, chamado de Jon, está se mostrando um Superman diferente de seu famoso pai. Desde que a nova série Superman: Son of Kal-El, começou em julho, Jon combateu incêndios causados pela mudança climática, frustrou um tiroteio em um colégio e protestou contra a deportação de refugiados em Metrópolis.  

“A ideia de substituir Clark Kent por outro salvador branco heterossexual parecia uma oportunidade perdida”, Tom Taylor, que escreve a série, disse em uma entrevista. Ele disse que um “novo Superman tinha que ter novas lutas - problemas do mundo real - que ele pudesse enfrentar como uma das pessoas mais poderosas do mundo”.

A revelação do Superman, talvez o super-herói americano mais arquetípico, é um momento notável, mesmo em uma época em que muitos quadrinhos abraçaram a diversidade e estão explorando questões sociais urgentes. O parceiro do Batman, Robin, recentemente se revelou bissexual (não Dick Grayson - que foi parceiro do Batman por mais de quatro décadas - mas Tim Drake, um substituto posterior; há vários Robins assim como há vários Superman). E uma nova história em quadrinhos de Aquaman traz um homem negro gay posicionado para se tornar o herói do título.

Essa tem sido uma evolução constante para uma indústria que se censurou de várias maneiras depois que Seduction of the Innocent, um livro de 1954 do psiquiatra Fredric Wertham, levantou preocupações sobre sexo, sangue e violência e sugeriu uma ligação entre a leitura quadrinhos e delinquência juvenil. Em uma seção, Wertham descreveu Batman e Robin como "um sonho de desejo de dois homossexuais morando juntos".

As coisas começaram a evoluir em 1992, quando Northstar, outro herói da Marvel, saiu do armário – um evento que foi elogiado no editorial do New York Times. “A cultura do mainstream um dia fará as pazes com os gays americanos,” disse o editorial. “Quando esse tempo chegar, a revelação de Northstar será vista pelo que é: um indicador de boas-vindas às mudanças sociais.”

Embora o Superman não seja o primeiro herói LGBTQ e nem o último, os especialistas em quadrinhos disseram que havia algo particularmente importante sobre a revelação do Superman.

“Não é o Northstar, de quem sua tia nunca ouviu falar,”disse Glen Weldon, autor de Superman: The Unauthorized Biography, e co-apresentador do Pop Culture Happy Hour na NPR. "Não é o Hulkling. Não é o Wiccano. Não é Fogo e Gelo. Não é o Demônio da Tasmânia. É o Superman. Isso é importante -  em termos de visibilidade, no que se refere ao fato de chamar a atenção.”

Houve algum revés na recente evolução mapeada pelos quadrinhos. Em agosto, quando rumores sobre o desenvolvimento do Superman começaram a circular, um comentarista em um site reclamou que “a Marvel e a DC arruinaram seus personagens para agradar a multidão consciente, que nem sequer compra quadrinhos”. Mas outros comemoraram a notícia: “É bom ver os super-heróis queer no mainstream agora, estou muito feliz em ver pessoas como eu como personagens principais”, escreveu um comentarista em outro site.

Weldon disse que as mudanças nos quadrinhos podem levar a narrativas mais vibrantes. “Qualquer passo que possa ser dado para fazer o mundo de quadrinhos de super-heróis se parecer mais com o mundo fora dele é bom”, ele disse. “Isso permite o acesso a histórias mais variadas, mais interessantes, mais atraentes, formas mais diferentes de contar histórias.”

Jonathan Kent assumiu o manto de Superman ao lado de seu pai este ano. A versão Clark Kent do Superman foi apresentada em 1938. Ele se casou com Lois Lane em 1996. Jonathan foi apresentado em 2015 e - vamos pular muitas travessuras de histórias em quadrinhos - passou algum tempo como Superboy antes de ser encorajado por seu pai a se tornar o novo Superman.

Jonathan e Jay Nakamura se conheceram em uma história de agosto durante a tentativa malsucedida do novo Superman de estabelecer uma identidade secreta e frequentar o ensino médio. No mês passado, Jay, um jornalista iniciante, conheceu os pais de Jonathan - e ficou impressionado com Lois Lane.

Jonathan e Jay vão se beijar em uma história que será publicada no próximo mês. Neste mês, os leitores descobrirão que Jay tem habilidades especiais. “Jay pode ser a única pessoa na vida de Jon que ele não precisa proteger”, disse Taylor. “Eu queria uma relação de apoio realmente igual para aqueles dois.”

Os editores da DC já estavam considerando linhas similares de desenvolvimento para o personagem e deram apoio, ele disse.

“Eu sempre disse que todo mundo precisa de heróis e as pessoas merecem se ver em seus heróis”, disse Taylor. “Para muitas pessoas, ver o super-herói mais forte dos quadrinhos sair do armário é algo incrivelmente poderoso.” /TRADUÇÃO LÍVIA BUELONI GONÇALVES

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