George Etheredge para The New York Times
George Etheredge para The New York Times

'T. rex é mais do que um rosto carismático', dizem especialistas

Museu Americano de História Natural, em Nova York, traz uma exposição mostrando a família tiranossauro, incluindo o Tiranossauro rex

James Gorman, The New York Times

01 de abril de 2019 | 06h00

O Tiranossauro rex é o maior e mais temível predador terrestre de todos os tempos. Após a descoberta do T. rex em 1905, o mais carismático megafóssil do mundo poderia ter se convertido em mera curiosidade. Nada garantia que outros seriam encontrados, e ninguém poderia imaginar o quanto sua história seria interessante. Mas, por mais de cem anos, o T. rex tem sido uma dádiva extraordinária ao estudo dos dinossauros, e talvez à ciência em geral.

Recentemente, o ritmo das descobertas se acelerou, e muitas das novidades a respeito do T. rex, dos outros tiranossauros (seus parentes) e de seu modo de vida são celebradas na exposição "T. Rex: The Ultimate Predator" (Tiranossauro, o predador definitivo), em cartaz no Museu Americano de História Natural, em Nova York. Em junho, o Museu Nacional de História Natural Smithsonian, em Washington, vai reabrir sua sala de fósseis, coroada com seu próprio T. rex em nova posição.

Os curadores da exposição em Nova York são dois pesquisadores de longa carreira na pesquisa dos dinossauros: Mark Norell, responsável pela parte de fósseis de anfíbios, répteis e aves do museu, e Gregory Erickson, paleobiólogo da Universidade Estadual da Flórida. Em entrevista conjunta, eles insistiram que o T. rex é mais do que um rosto carismático e assustador. A criatura é um impressionante feito da evolução e um astro da ciência.

Norell explicou que o T. rex ajudou a fomentar um pico de exploração paleontológica, evidente no crescente número de pesquisadores e novos fósseis, e na sofisticação cada vez maior das técnicas para o estudo das descobertas. "Nos últimos 30 anos, o número de tiranossauros triplicou", disse.

"Estamos vivendo a era de ouro da paleontologia", acrescentou Ericson.

Outros pesquisadores, como o paleontólogo Philip J. Currie, da Universidade de Alberta, no Canadá, concordam que houve uma explosão na área. Quando ele começou, nos anos 1970, havia não mais que seis profissionais pagos pelo trabalho de estudar especificamente os dinossauros. "No momento, deve haver algo como 150 pesquisadores pagos", disse ele.

O queridinho dos paleontólogos

O T. rex foi uma sensação desde o momento de sua descoberta. Cada novo esqueleto, completo ou parcial, foi celebrado. Alguns deles, como o esqueleto de uma T. rex chamada Sue, exposto no Museu Field, em Chicago, atraíram a atenção internacional. Sue foi encontrada em 1990, o maior e mais completo esqueleto de T. rex já descoberto. O museu pagou US$ 8,3 milhões por ela. A reconstrução de outro gigante encontrado pouco depois de Sue, conhecido como Scotty, será revelada no Museu Real de Saskatchewan, em Regina, no mês de maio.

Não há consenso em relação ao gênero dos fósseis de T. rex. Poucos fósseis são encontrados 90% intactos, como foi o caso de Sue (o nome foi emprestado da cientista que a descobriu, Sue Hendrickson). Um T. rex apresentava um tipo de osso que, para alguns, indicava claramente tratar-se de uma fêmea. Mas essa opinião nada teve de consensual.

Estudos usando tomografias computadorizadas, análises químicas e novas técnicas de microscopia iluminaram o comportamento, a evolução e as capacidades sensoriais do próprio T. rex. Investigações de como funcionava a ligação entre músculos e crânio mostrou que a criatura tinha força de 3.540 quilos na mordida, o suficiente para partir os ossos de outros dinossauros de grande porte.

Erickson estudou anéis de crescimento ósseo, o que ajudou a determinar a idade dos dinossauros individuais e o ritmo de seu crescimento. Aparentemente, o T. rex engordava mais de dois quilos por dia durante a adolescência, e chegava a até 30 anos de idade. Além disso, a julgar por seus parentes e pelas pegadas fossilizadas de um grupo de dinossauros juntos, o T. rex era um animal social. É provável que caçasse em grupos.

O cérebro do dinossauro era grande até mesmo para o tamanho do corpo, possível sinal de inteligência mais avançada que outros dinossauros. A visão era bem desenvolvida. Os ouvidos eram adaptados para captar sons de baixa frequência. A cavidade craniana indica que as capacidades olfativas do T. rex eram impressionantes.

E havia penas em seu corpo, em maior quantidade na juventude, e provavelmente uma cauda com penas na maturidade, no mínimo. Nenhum fóssil de T. rex encontrado mostra a presença de penas, de acordo com Norell, mas, levando em consideração o que sabemos a respeito de outros tiranossauros, dinossauros parecidos e o curso da evolução, "temos tantas provas da presença de penas no T. rex quanto temos da presença de cabelo e pelos nos neandertais".

Gigantes da família

A superfamília à qual os tiranossauros pertencem inclui mais de duas dúzias de outros dinossauros, que remontam a um período 100 milhões de anos anterior à época do T. rex. "A evolução precisou de bastante tempo para chegar ao T. rex", disse o paleontólogo Stephen Brusatte, da Universidade de Edinburgh.

A maioria dos primeiros tiranossauros era pequena, alguns do tamanho de uma galinha. Muitos tinham tamanho comparável ao de cães ou cervos. Esses não eram os predadores no topo da cadeia alimentar durante esse período de 100 milhões de anos. "No máximo, eram predadores de segunda ou terceira linha nessa época", explicou Brusatte.

E então surgiu o T. rex, perto do fim da era dos dinossauros, tornando-se o predador dominante na América do Norte. Brusatte disse que o fato de tal espécie chamar tanta atenção causa certo ressentimento.

"As pessoas que estudam animais diferentes dos dinossauros se queixam do fato de os dinossauros receberem toda a atenção", comentou. "Os que estudam dinossauros dizem que os terópodes recebem toda a atenção. E aqueles que estudam os terópodes dizem que os tiranossauros recebem toda a atenção". / TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL

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