Steven Lee Myers/The New York Times
Steven Lee Myers/The New York Times

Taiwan defende direitos sobre 'rocha'

O país disputa com a China os direitos sobre um trecho de terra em formato oval, localizado no Mar da China Meridional

Steven Lee Myers, The New York Times

03 Junho 2018 | 10h15

ITU ABA, MAR DA CHINA MERIDIONAL - A maior característica natural das Ilhas Spratly, o arquipélago intensamente disputado no Mar da China Meridional, é um trecho de terra de formato oval banhado pelo sol e coberto de vegetação, cortado apenas por uma pista de pouso.

Chamado Itu Aba, é ocupado não pela China, que reivindica agressivamente a posse do mar ao seu redor, mas por sua arquirrival, a democracia autônoma de Taiwan.

A China construiu ilhas artificiais a partir dos recifes que controla juntamente com os cardumes de peixes e, segundo analistas que estudam fotos de satélites, instalou sobre elas radares e mísseis.

Taiwan, por outro lado, solicita o envio de propostas de companhias para a reconstrução do pequeno hospital local, incentivando as tão necessárias instalações para busca e salvamento no caso de um desastre marítimo neste mar onde há um intenso tráfego de grandes embarcações.

"Este deveria tornar-se um centro da ajuda humanitária”, afirmou o diretor-geral da Guarda Costeira de Taiwan, Lee Chung-wei, durante uma recente visita a Itu Aba, que tem apenas 44,5 hectares de extensão. Ali, ele se encontrou com outras autoridades e jornalistas para observar um exercício que envolvia uma colisão simulada de navios.

Em chinês, Itu Aba é conhecida como Taiping, que significa pacífico ou tranquilo. A soberania taiwanesa sobre o lugar, que também é reivindicado pelas Filipinas e o Vietnã, é uma questão de orgulho internacional. Mas o orgulho sofreu um golpe há dois anos, quando um painel de arbitragem internacional o declarou uma “rocha”, em lugar de uma ilha, o que significa que Taiwan não pode mais reivindicar o controle exclusivo sobre as águas ao redor de Itu Aba.

Em cada extremidade da pista, que foi construída em 2007 e ampliada em 2012, cresce uma densa vegetação de bananeiras e coqueiros. As placas ao longo dos caminhos alertam que costumam cair cocos. O lugar ressoa com o gorjeio dos pássaros, e é ali que as tartarugas marinhas verdes fazem seus ninhos.

As ilhas artificiais da China nas Ilhas Spratly, por outro lado, são tão recentes que não têm uma vegetação significativa.

Itu Aba tem quatro poços de água que alimentam pequenos lotes de terra onde são cultivados legumes e verduras para o pequeno contingente de 150 a 200 pessoas que vivem no lugar.

“Se a Ilha de Taiping deixar de ser considerada uma ilha segundo o direito internacional, então nada ali será”, disse Margaret K. Lewis, pesquisadora da Fundação Fullbright em Taiwan. “Ela tem a maior possibilidade de reivindicar a instalação da vida humana”.

O mesmo caso de arbitragem que concluiu que Itu Aba é uma mera rocha também rejeitou as reivindicações da China sobre as Ilhas Spratly, mas a China simplesmente considerou irrelevante a decisão do painel de arbitragem. E também Taiwan, prejudicando sua própria posição que busca uma resolução pacífica das disputas territoriais e um código de conduta que regeria a atividade naquelas águas.

O tenente Chen Jin-min, um jovem oficial da Guarda Costeira, viveu um ano em Itu Aba. As habitações são escassas, mas agradáveis. Há um templo, uma empresa de correspondências e, agora, uma rede de telefonia 4G, por satélite.

À pergunta sobre como era a vida no posto avançado, 1.600 quilômetros ao sul de Taiwan, Chen respondeu: “Pura”.

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