Ritchie B Tongo/EPA, via Shutterstock
Ritchie B Tongo/EPA, via Shutterstock

Taiwaneses apostam na democracia para resistir à pressão da China

"Taiwan" ou "Taipei chinesa": referendo decidirá como país se identificará nos eventos esportivos

Chris Horton, The New York Times

02 Novembro 2018 | 06h00

TAIPEI, TAIWAN - A China está usando seu crescente poderio aéreo e naval para intimidar Taiwan, a ilha independente que os chineses esperam anexar. A China também passou a usar seu poder econômico como arma, pressionando empresas e governos estrangeiros a apagar a presença internacional de Taiwan.

Mas, na própria Taiwan, a resistência é cada vez maior. Um segmento expressivo da população taiwanesa, de 23 milhões de habitantes, tenta reagir a Pequim com uma poderosa arma que a China não tem no seu arsenal: a democracia.

A campanha da China parece ter reforçado a determinação taiwanesa de resistir ao Partido Comunista chinês, ao mesmo tempo alimentando o ressentimento diante dos rótulos da Guerra Fria sob os quais Taiwan opera. Este mês, um referendo pergunta se Taiwan deveria usar o próprio nome ao participar de eventos esportivos, em vez de apresentar-se como “Taipei chinesa".

Num comício realizado em outubro em Taipei, os manifestantes denunciaram o objetivo chinês de anexar Taiwan e o uso do nome oficial da ilha, República da China. Para os taiwaneses mais velhos, o nome República da China e a bandeira são lembretes do governo do Kuomintang, liderado por Chiang Kai-shek, que chegou em 1945, massacrou dezenas de milhares de taiwaneses em 1947, e declarou em 1949 uma lei marcial que durou até 1987.

O nome foi mantido para indicar que o Kuomintang seria o legítimo governante da China. Mas pode dar a impressão de que Taiwan é parte da China. Um manifestante, Liao Yao-song, disse, “Precisamos de uma reforma da lei dos referendos, para então mudarmos o nome do país e sua bandeira".

Em dezembro do ano passado, a lei taiwanesa de referendos foi reformada para facilitar a realização dessas consultas populares, mas assuntos constitucionais como o nome da ilha, sua bandeira e seus limites territoriais foram excluídos de referendos do tipo. A organização responsável pelo comício, Formosa Alliance, busca mudar a lei para realizar um referendo a respeito da soberania nacional. O grupo inclui dois ex-presidentes, Lee Teng-hui e Chen Shui-bian.

O ministro da defesa da China, Wei Fenghe, alertou recentemente Taiwan contra a formalização de sua independência. 

“Se alguém tentar nos separar de Taiwan, o exército da China vai adotar as medidas necessárias, seja qual for o custo", disse.

Muitos taiwaneses se opõem a medidas formais que possam provocar uma resposta militar da China. 

Assim, alguns grupos interessados na independência defendem metas menos ambiciosas. No final de novembro, Taiwan deve realizar eleições locais, que vão incluir um referendo a respeito da participação do país em eventos esportivos internacionais como “Taiwan”, em vez de “Taipei chinesa".

Se os eleitores optarem por “Taiwan", é muito provável que o resultado seja ignorado pelo Comitê Olímpico Internacional, que escolheu Pequim como sede dos jogos de inverno de 2022.

Os proponentes da medida dizem que o mundo finalmente saberá qual é a posição dos taiwaneses.

“Nenhum mapa fala em ‘Taipei chinesa’ - somos identificados como ‘Taiwan’”, disse Jongher Yang, ex-diretor do gabinete esportivo municipal de Taipei. “Queremos apenas que os outros saibam de onde vêm nossos atletas.”

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