Hannah Reyes Morales para The New York Times
Hannah Reyes Morales para The New York Times

Tartarugas marinhas são salvas e escapam de tornar-se o prato principal do jantar

Preservação da espécie vira grande desafio para ativistas locais

Richard C. Paddock, The New York Times

14 Julho 2018 | 10h30

LEGIAN, Indonésia - A população de Bali há muito tempo se sente dividida em relação às tartarugas marinhas, uma espécie ameaçada. Uns querem salvá-las. Outros querem comê-las.

No entanto, prevalece cada vez mais o desejo de salvar as tartarugas. De dia, Legian Beach está lotada de turistas do mundo inteiro. De noite, a praia se torna um habitat crítico para as tartarugas.

A campanha para salvar as tartarugas marinhas de Bali que depende em grande parte de voluntários é um raro caso de sucesso nesta ilha muito frequentada pelos turistas.

Os ovos que as tartarugas deixam para chocar por conta própria, ao sabor da natureza, enfrentam várias ameaças. Podem ser esmagados pelos frequentadores da praia, levados pela maré alta, desenterrados por cães selvagens ou roubados por caçadores furtivos. Por sua vez, as tartarugas que acabam de desovar na praia correm o risco de serem carregadas e se tornarem um acepipe para a mesa.

“A coisa mais importante na questão da preservação é como educar as pessoas”, disse I Wayan Wiradnyana, o fundador da Bali Sea Turtle Society. “A tartaruga marinha pertence a todos, por isso todos deveriam se responsabilizar por ela”.

Seis das sete espécies de tartarugas marinhas do mundo vivem em águas da Indonésia, e todas elas são consideradas vulneráveis, ameaçadas ou mesmo extremamente ameaçadas.

O sucesso fundamental da sociedade é a tartaruga verde oliva do Ridley, que parece ser menos afetada pelo lixo, pelos ruídos e pelas luzes brilhantes.

Também tem um sabor de peixe, ao contrário da tartaruga marinha verde que os balineses consideram a mais deliciosa. A caça, posse ou consumo do animal foram proibidos em 1999, mas mesmo assim, foram mortas dezenas de milhares de tartarugas.

Wiradnyana e I Gusti Ngurah Tresna, conhecido como Agung, começaram sua missão de tentar salvar as tartarugas marinhas em 2001. Gradativamente, eles aumentaram a consciência da comunidade, atraíram voluntários e criaram uma rede de vigilância que informa o aparecimento de tartarugas na praia.

No ano passado, a sociedade resgatou ovos de um recorde de 761 ninhos e liberou cerca de 70 mil filhotes. Este ano, deverá salvar e resgatar até mais.

Mas são quase todos de tartarugas verde oliva do Ridley. Wiradnyana destacou que as outras cinco espécies conhecidas que habitam as águas balineses não estão se recuperando tão bem.

Ele está preocupado com as ameaças a longo prazo: a construção de hotéis, a erosão das praias e a elevação do nível dos mares devido à mudança climática. A caça ilegal e o lixo flutuante de plástico pode matar as tartarugas no mar.

Depois de recuperados os ovos, os voluntários os levam para o berçário da sociedade em Kuta, uma das praias mais populosas de Bali.

O berçário foi construído no formato de uma tartaruga marinha verde gigante. Os voluntários  enterram os ovos na areia e esperam que choquem por 45 a 60 dias.

A maioria dos filhotes é liberada no prazo de 24 horas em um evento digno de um espetáculo de um circo que atrai centenas de turistas. “Eu gosto do fato de cuidarem tanto assim do ambiente”, disse Regina Greilich, um destes turistas. “Eles o fazem com enorme paixão”.

Hannah Reyes Morales para The New York Times

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